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Ucrânia! Venezuela! Brasil!

Que desespero para o povo a situação da Ucrânia. Ameaçada de ser separada em duas e um joguete entra as mãos de Moscou e do imperialismo europeu e EUA. Uma espantosa confusão se estabeleceu. Uma falsa revolução se desenvolve.

Que desespero para o povo a situação da Ucrânia. Ameaçada de ser separada em duas e um joguete entra as mãos de Moscou e do imperialismo europeu e EUA. Uma espantosa confusão se estabeleceu. Uma falsa revolução se desenvolve. Falsa porque é pura manipulação o que fazem os opositores “pró-europa” e porque o barulho, as armas e os combates na praça não correspondem a um levante de massas mas a luta de grupos muito bem armados e financiados. Obviamente que o pano de fundo é a tremenda insatisfação popular com um governo corrupto, que, continuando a política de todos que sucederam a restauração capitalista, quebrou o país e atacou todos os direitos e conquistas que ainda sobreviviam da revolução de Outubro.

O espantoso é que tem gente que pretende entender o que se passa lá separando a Ucrânia de seu passado e de seus sofrimentos. 

Lá, Stalin oprimiu, aterrorizou, saqueou, humilhou e provocou imigração forçada em massa de tártaros e russos. Redesenhou o país a força.

Fez o contrário da política de Lenin. O PC da URSS com sua camarilha de burocratas hoje todos convertidos ao capitalismo aplicando uma política de grão russos sobre a Ucrânia provocou essa situação. 

Yulia Timoshenko é uma bandida. Yanukovych é um bandido. Os líderes da oposição são bandidos. Todos saquearam e saqueiam o país. São diferentes camarilhas ligadas às agências do imperialismo ou ao bandido do Putin, ditador vindo dos porões da KGB. E os grupos nazi e de extrema direita nacionalista e xenófoba são o subproduto destas décadas de crimes e descalabros.

A destruição das conquistas da revolução de 1917 através da restauração do capitalismo levou a isso. A derrubada da estátua do soldado soviético não é uma homenagem ao nazismo, se bem que provavelmente houvessem nazis aí junto. Mas, é obviamente a expressão do ódio, esse sim, popular, contra o tacão de ferro russo. 

Defender os líderes de tal oposição é evidentemente uma capitulação vergonhosa ao imperialismo europeu e norte-americano. Mas, defender Yanukovych, não é diferente. Só que este tem outros patrões e tentou fazer um jogo pendular entre os grandes.

Gente que se pretende de esquerda, e outros nem tanto, saem agora a gritar contra os que acabam de tomar o poder na Ucrânia a, ou pelo menos destituíram o governo e nomearam outro. E, incrível, sua principal palavra de ordem é “Golpistas, Golpistas!” e saem defendendo a “legalidade” do governo de Yanukovych. Já não são de esquerda, não são mais os revolucionários que um dia foram, mas legalistas e democratas de fachada, que acreditam do fundo do coração nas virtudes das eleições burguesas. Essas mesmas eleições que Lenin dizia que eram uma farsa e não mais do que apenas o direito dos trabalhadores escolherem, de tempos em tempo, quem os enganaria e oprimiria por mais alguns anos.

Mas, até mesmo falar de eleições, legalidade e democracia com Yanukovych é uma piada completa. Esse arrivista sem escrúpulos, réu confesso em pelos menos dois assaltos, acusado de toda sorte de falsificações de documentos, inclusive de falsificar sentenças e assinaturas de juízes, fraudar eleições junto com seus amigos ex-comunistas russos, e finalmente dirigir um partido chamado Partido das Regiões (lembra alguma coisa como “A Liga Norte”, o partido regional direitista da Itália?), e finalmente enriqueceu espetacularmente.

Estas camarilhas são assim. Quem perde vai para a cadeia. A Yulia Timoshenko, a “princesa Léia” da direita, quando perdeu as eleições para Yanukovych foi imediatamente acusada de corrupção e mandada para a cadeia. Agora ela está ganhando e Yanukovych perdendo. Ele teve que fugir para salvar a própria pele. Bela democracia que este sujeito dirigia há anos.

Isso depois de terem passado pela farsa da Revolução Laranja onde Timoshenko, junto com Yushchenko, um ricaço mafioso, apoiados e financiados pelos EUA e pela Europa, já tinham se enfrentado com Yanukovych, apoiado e financiado por seus amigos da KGB de Moscou. Em 2004, 2006 e 2010 todos fraudaram as eleições e quem fraudava mais levava.

Pobre Ucrânia atirada no furacão das manobras dos inimigos do povo. 

Mas, atenção. A classe operária, como classe, ainda não entrou na parada. E nenhum dos atuais candidatos ao poder tem qualquer saída para as massas. A Ucrânia está falida e as massas se movem pelos seus interesses concretos. 

Os grupos nazis e os nacionalistas, apesar do barulho, não tem a menor possibilidade de tomar o poder e fazer um governo, hoje, na Ucrânia. A maior parte deles são mercenários armados por gente que conspira bem longe das praças. Outros são nacionalistas ensandecidos. E não tem apoio das amplas massas. Mesmo das que se opõe a Yanukovych. Quem vai nesse momento controlar o governo é a oposição dita moderada junto com os bravos deputados do partido de Yanukovych que se passaram em massa para a oposição na última sexta.

Sem dúvida que os fascistas estão lá. Mas como lutar contra eles?

Apoiando os ladrões e assassinos agrupados com a máfia de Yanukovych?

Quem quer honrar Lenin deve ler o que ele disse sobre a questão nacional e qual deve ser a posição dos revolucionários marxistas. Lenin nunca escolheu entre um dos dois bandidos, no poder ou na oposição, em lugar nenhum. E é hora de gente de esquerda parar de lamentar “violência” e defender a “constitucionalidade” de presidentes eleitos como se não fosse tudo uma grande farsa e fraude.

Estes legalistas, formalistas e os ex-stalinistas arrependidos, mas saudosos dos velhos tempos de Stálin, repetem como papagaio a mesma velha cantilena dos velhos estalinistas contra os marxistas. Estes reconvertidos hoje ao jogo da democracia burguesa e à legalidade capitalista são patéticos.

Todos lembram o que diziam os estalinistas quando militantes combatentes contra a Ditadura Militar e o imperialismo estavam fundando o PT e a CUT?

Os gritos eram:  “Estão dividindo a oposição”, leia-se o partido burguês PMDB ao qual eles se agarravam, ou “estão fazendo o jogo da ditadura” e muitas outras acusações caluniosas com objetivo de impedir o surgimento de uma posição independente e apoiar os capitalistas de oposição. É preciso apreender que quadrilhas brigam. No Rio de Janeiro ou em São Paulo, cada quadrilha quer tomar a boca de trafico do outro. É assim hoje na Ucrânia. Mas não vai ser sempre. A classe operária ainda vai se erguer e varrer todos eles.

Mas, há interessantes paralelos com Venezuela e Brasil.

Na Venezuela, a oposição reacionária também está nas ruas tentando derrubar o governo. Porque?

A diferença entre Chávez, ou Maduro, e Yanukovych é a política e em que setor social cada um se apoia. Chávez estatizou empresas. Yanukovych: privatizou tudo o que pode. Chávez diminuiu a idade para se aposentar. Yanukovych liquidou e privatizou as aposentadorias. Chávez implementou leis trabalhistas e deu estabilidade no emprego. Yanukovych desregulamentou, precarizou e atacou a classe trabalhadora. Chávez tomou medidas anti-imperialistas. Yanukovych fazia um jogo hora com Moscou hora com o imperialismo europeu e EUA. Chávez denunciava a 4ª Frota e a ingerência norte-americana. Yanukovych um dia propunha entrar na OTAN e depois dizia que seria neutro. Chávez iniciou a Reforma Agrária. Yanukovych tem um filho dentista tão inteligente que ganhou 50% de todas as licitações governamentais, em todos os setores da economia, no ano passado. A casa de Yanukovych (incrível como os ex-comunistas sabem ganhar dinheiro e economizar!) é um palácio com lagos, zoológico bosques, etc. Vejam onde morava Chávez, o carro que tinha e que herança deixou.

Esta é toda a diferença. Por isso, estamos ao lado de Maduro incondicionalmente para derrotar a contrarrevolução e para completar a revolução expropriando os bancos e as grandes empresas. Já na Ucrânia: Abaixo o PCC e o Comando Vermelho que estão em luta com seus nomes ucranianos.

A classe operária ucraniana é forte e apesar da confusão, da ausência de um verdadeiro partido proletário, esta classe vai se levantar e afastar toda fumaça que empesta o ambiente. 

Defender a oposição que derrubou Yanukovych ou defender o próprio Yanukovych, assassino sanguinário, é ver as coisas como alguém que não vê mais do que as aparências ou não distingue mais que o preto e o branco.

A falsa revolução Laranja era tão falsa como a falsa revolução de hoje. Isso não quer dizer que não haja muitos populares lutando contra um governo que os afundou na miséria e espalhou a corrupção como um manto sobre todo o país. E depois baixou o sarrafo, a bala e o cacete.

Como Dilma e todos os governos estaduais estão fazendo. Treinando para a grande operação de guerra que será a Copa.

E boa parte dos que estão, hoje, aberta ou envergonhadamente, apoiando a ampliação da repressão, as leis antiterrorismo, tudo em nome da “luta contra a violência” e “contra as depredações” e o “vandalismo” são os mesmos que clamam pela “legalidade” de Yanukovych e contra a violência na Ucrânia. Os marxistas, aqui e na Ucrânia, lutam contra a repressão legal de Dilma aqui e contra a repressão legal de Yanukovych lá. Assim como lutam contra os direitistas daqui e os bandos fascistas de lá. E os marxistas lutam “violentamente” na Ucrânia contra os bandos fascistas organizando milícias operárias e praticando o internacionalismo. Nunca com as armas inúteis de “defesa da legalidade” e defesa dos “eleitos”.  

Aqui, no Brasil, ninguém se engane. O espetáculo repressivo que vai fazer o governo Dilma durante a Copa, em unidade nacional com todos os partidos capitalistas através dos governadores e prefeitos, PMs e Forças Armadas, é apenas uma guerra preparatória para as grandes mobilizações que virão como consequência da continuidade das privatizações, da farra com o dinheiro público e o pagamento da Dívida, com a destruição dos serviços, com os cortes e toda a política de endividamento e agora de austeridade. Os treinamentos feitos pelas tropas brasileiras que invadiram e mantém até hoje a ocupação do Haiti já estão sendo usados nas ruas.  Muito mais virá!

Quando a classe operária brasileira entrar no ringue o governo Dilma vai estar bem treinado batendo desde agora nos manifestantes alegando que combate os Black Blocks, que a polícia infiltra e incentiva. É para o futuro terremoto que o governo se prepara. E como agora, vão contar com o apoio do PSDB, do DEM, do PMDB, PP, PSB e tutti quanti, para baixar o sarrafo na brava gente brasileira!

Que venha a Copa!

Desde que a final não seja Uruguai contra Argentina no Maracanã privatizado!

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