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Trabalhadores eletricitários de Brasília não devem pagar pela crise

Desde o dia 4 os funcionários da Companhia Energética de Brasília (CEB) lutam por suas reivindicações, apesar dos ataques repressivos vindos da direção da empresa, como o envio de forças policiais durante assembleias. O Sindicato dos Urbanitários do DF pressiona por questões imediatas. Entretanto, o não atendimento das propostas vai além de um problema de gestão interna. Os trabalhadores entraram em greve.

Desde o dia 4 os funcionários da Companhia Energética de Brasília (CEB) lutam por suas reivindicações, apesar dos ataques repressivos vindos da direção da empresa, como o envio de forças policiais durante assembleias. O Sindicato dos Urbanitários do DF pressiona por questões imediatas. Entretanto, o não atendimento das propostas vai além de um problema de gestão interna. Os trabalhadores entraram em greve.

O sindicato, no jogo da negociação, precisa ir direto ao cerne da questão: a crise do setor eletricitário. O subinvestimento do Estado, em um contexto de abertura ao capital estrangeiro e da implantação do neoliberalismo no país nos anos 80, e o sucateamento das empresas públicas e de economia mista favorecem a entrega do setor à iniciativa privada. Nesse desenrolar, o trabalhador, quem faz girar a engrenagem da produção de energia do país, é cada vez mais explorado, tem seus direitos trabalhistas podados e fica longe de uma estabilidade. Assim se encontra o trabalhador da CEB.

O Distrito Federal, como o restante do país, teve os investimentos no setor eletricitário congelados por décadas. Enquanto isso, a população borbulha em crescimento, favorecido no passado por doações de lotes por troca de votos eleitorais. A especulação imobiliária é protagonista no erguimento veloz de centros urbanos. É nesse cenário que a empresa atua. Com o sistema de alimentação energética aquém da demanda, frequentemente apagões acometem regiões. A empresa perde nos indicadores de serviços, condicionadores do faturamento. Neste ciclo de defasagens, quem paga pelo prejuízo é o trabalhador. Já acionistas e empresários não deixam de receber sua parte nos lucros.

É importante que o sindicato dialogue sobre a situação global com a categoria, junto à CUT. Mostre que a greve é necessária e que é preciso lutar pelas necessidades imediatas, sem deixar a discussão crucial de que o capitalismo deixa os direitos trabalhistas sujeitos a crises e perdas, e não os torna uma garantia. É preciso que se forme uma frente única dos sindicatos do setor para cobrar solução do Governo Federal, e não se satisfazer com acordos que maquiam a realidade e iludem o trabalhador.

Todo apoio à luta dos eletricitários da CEB! Pelo atendimento das reivindicações. Pela formação da Frente Única. Pelo fim das privatizações. Contra a repressão!

 

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