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Trabalhadores dos Correios e bancários: mesma luta, mesmos problemas

Rafael Prata



Bancários e trabalhadores dos Correios em greve realizaram diversas manifestações conjuntas nos últimos dias. Em SP, 8 mil trabalhadores marcharam para protestar contra os bancos, a direção dos Correios e o governo. Em Recife, cerca de mil pessoas participaram de passeata que chegou a ocupar agências bancárias no centro da capital pernambucana. Atividades como essas também ocorreram no Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Porto Alegre, Belém, Fortaleza, Vitória, entre outras cidades.



A greve dos Correios já dura 20 dias. O governo está jogando duro: na mesa de negociações, acena com propostas que não contemplam as reivindicações da categoria e, pelas costas, contra-ataca descontando os dias parados no mês de setembro. Em alguns estados, a medida foi revertida judicialmente pelos sindicatos, mas milhares de trabalhadores foram prejudicados.
Amanhã, 04/10, haverá uma reunião de conciliação no Tribunal Superior do Trabalho (TST) em Brasília, mas a pré-condição para qualquer acordo é a empresa voltar atrás e devolver o dinheiro descontado da folha de setembro. A Fentect/CUT (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios) está convocando um ato nacional em Brasília para pressionar e os trabalhadores estão questionando duramente – pra não usar um termo de baixo nível – o papel dos petistas no Ministério das Comunicações e na direção dos Correios.
Antes, os petistas no governo diziam aos trabalhadores que o problema era o comando do PMDB na estatal e no Ministério, mas que isso, infelizmente, era um mal necessário para dar sustentação ao governo Lula, mas agora qual é a desculpa? Dilma colocou Paulo Bernardo (PT) no Ministério e Wagner Pinheiro (PT) na presidência dos Correios! E “os companheiros”, ao invés de atenderem as reivindicações, atacam os trabalhadores e impulsionam a aprovação da MP 532 na Câmara – que abre as portas para a privatização da estatal. Quer dizer, o trabalho sujo que o PMDB não conseguiu fazer, o PT está fazendo!
E os bancários que se cuidem também… Tem dirigente sindical achando que a greve não vai se alongar porque a FENABAN já ofereceu 8%, portanto, mais um pouquinho e já é possível fechar um acordo, mas se depender do governo Dilma (bancos públicos) ou dos banqueiros, não vai ser tão fácil assim!
A Esquerda Marxista, como tendência do PT, tem total legitimidade para condenar a política de arrocho da presidente Dilma e condenar o papel lastimável que os petistas no governo estão cumprindo. Estamos na luta, ombro a ombro, com as categorias em greve: defendemos o fim dessa política burguesa de aperto fiscal e a construção de um governo socialista dos trabalhadores!

Para dar mais força às duas categorias em greve a CUT bem que poderia chamar uma reunião nacional dos trabalhadores dos Correios e dos bancos, construindo um comando unificado bancários e correios, paralisando todo o sistema “online” dos bancos, realizando uma greve nacional unitária das duas categorias. Isso certamente arrancaria as reivindicações e impediria as privatizações. 

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