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Trabalhadores do McDonald’s lutam contra os contratos de trabalho precários

Em 4 de setembro, trabalhadores de dois restaurantes McDonald’s no Reino Unido saíram em greve em uma ação destinada a coordenar internacionalmente as lutas dos trabalhadores de fast-food.

A data escolhida para as ações grevistas caiu no feriado do Dia do Trabalho nos EUA. Atos de solidariedade também ocorreram por toda a Grã-Bretanha em apoio à greve.

Em agosto, os empregados de duas unidades – em Cambridge e Crayford, no sudeste de Londres – votaram, com margens de apoio decisivas, pela convocação de uma greve.

As condições enfrentadas por esses trabalhadores são bastante familiares a muitos trabalhadores na Grã-Bretanha: condições de salários extremamente baixas e permanente incerteza sobre o horário de trabalho.

Embora o McDonald’s já tenha sido obrigado a publicar uma declaração de que agora vai garantir horários de trabalho para todos os trabalhadores, não se pode confiar nas promessas da empresa – por isso os trabalhadores estão lutando por uma vitória completa, cujas condições são salários de pelo menos £10 a hora, jornada de trabalho mais segura e reconhecimento do sindicato.

Além disso, a posição combativa do sindicato se justifica devido às reclamações dos trabalhadores de que o tratamento que lhes é reservado é percebido como punição por seus esforços de sindicalização. Dada a total dependência da empresa de sua força de trabalho – 85 mil empregados no Reino Unido e 1 milhão globalmente –, que está desorganizada e carente de direitos básicos, não é difícil acreditar nisso.

A experiência dos trabalhadores em Cambridge e Crayford reproduz a dos trabalhadores do McDonald’s de todo o mundo, um fato que está configurando a dimensão internacionalista dessa campanha dos trabalhadores.

Nos EUA, as lutas econômicas dos trabalhadores de fast-food capturaram as manchetes dos jornais e produziram vídeos virais nos anos recentes. Mesmo Hillary Clinton foi forçada a expressar apoio a sua luta por um salário mínimo de US$5 por hora.

Os trabalhadores de fast-food no Reino Unido, entretanto, se beneficiaram do conselho dos organizadores do sindicato Unite da Nova Zelândia, que obteve vitórias sobre as mesmas demandas recentemente. Também estarão hospedando uma delegação da Bélgica nos dias da greve.

O Sindicato dos Trabalhadores Padeiros, em Alimentos e Afins (BFAWU, em sua sigla em inglês), que está dirigindo a greve no Reino Unido, também proclamou sua esperança de que ela será acompanhada por ações coordenadas em todo o mundo.

A greve vem na sequência de uma campanha conduzida durante vários anos pelo BFAWU, um sindicato de esquerda, chamada de Campanha pelos Direitos dos Trabalhadores de Fast-Food. Essa campanha envolveu protestos regulares do lado de fora dos restaurantes McDonald’s, bem como a organização dos trabalhadores de restaurantes fast-food, ao reivindicar o fim dos contratos de zero horas, um salário mínimo de£10 por hora e direitos sindicais.

Uma vitória nesta greve representará uma importante vitória para essa campanha e provavelmente encorajará muitos outros trabalhadores precários e mal pagos a se sindicalizarem e entrarem em ação.

Apesar do contínuo declínio da filiação sindical no Reino Unido e de um histórico baixo nível de greves, lutas como esta podem ser adicionadas à dos trabalhadores de delivery e do pessoal de limpeza em SOAS como exemplos de uma militância industrial embrionária emergente mesmo entre os setores mais explorados, atomizados e tradicionalmente desorganizados da classe trabalhadora.

À medida que o capitalismo britânico continua tropeçando de uma crise para outra, uma postura de luta será assumida por cada vez mais trabalhadores – não apenas nas urnas eleitorais, como também no local de trabalho.

Longe das ações grevistas ousadas, como as explosões de um passado sombrio e longínquo, como gosta de reivindicar a mídia de direita, a luta de classes no local de trabalho é a música do futuro.

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Os patrões tremem enquanto os trabalhadores de McDonald’s se organizam e lutam

Vic Dale, Isle of Wight

McDonald’s, uma das maiores cadeias de fast-food do mundo, está com problemas mais uma vez; desta vez na Grã-Bretanha, por sua negativa em permitir que seus empregados se unam ou formem um sindicato. Esta é uma violação grosseira de direitos humanos básicos, mas porque a empresa é tão grande, governos do mundo todo permitiram que a corporação escapasse. Este governo Tory não é exceção.

Os trabalhadores de dois de seus restaurantes votaram pela greve, fazendo desta a primeira ação industrial contra o gigante do fast-food na Grã-Bretanha, abrindo esperançosamente caminho para novas ações no futuro.

Os funcionários dos restaurantes McDonald’s em Cambridge e em Crayford, no sudeste de Londres, votaram a favor de uma greve contra as condições de trabalho precárias e a utilização de contratos de trabalho zero horas.

O Sindicato dos trabalhadores Padeiros, em Alimentos e Afins (BFAWU) concordou em apoiar a greve. Em uma declaração o sindicato afirmou que:

“Os trabalhadores estavam vivendo com salários baixos e sem garantia de horas trabalhadas. Isso foi percebido por alguns como punição por se juntarem em um sindicato, enquanto os funcionários se esforçavam para cumprir o pagamento de seus aluguéis e alguns até perdiam seus lares”.

Com um salário mínimo nacional estabelecido em apenas 7,50 libras a hora – ou de apenas 7,05 libras para os que têm menos de 25 anos de idade – os trabalhadores de McDonald’s recebem uma miséria para trabalhar durante longas e quentes horas (quando podem consegui-las) e em ritmo verdadeiramente frenético durante os horários de pico.

Ian Hodson, o presidente nacional de BFAWU, disse:

“Nós do BFAWU apoiamos plenamente a decisão histórica desses bravos trabalhadores de McDonald’s de enfrentar e lutar contra o McDonald’s, uma empresa que os decepcionou inúmeras vezes. O McDonald’s teve incontáveis oportunidades para resolver os agravos, oferecendo aos trabalhadores um salário justo e condições aceitáveis de trabalho. Este é um apelo por mudanças”.

A greve claramente perturbou os patrões de McDonald’s, provavelmente devido às dolorosas recordações de sua derrota nas mãos de seus trabalhadores em Detroit, Michigan, EUA. Os trabalhadores lutaram contra a empresa e obtiveram uma vitória histórica quando golpearam pelo direito de se organizarem, pelo direito de greve e pelo aumento do salário a 15 dólares a hora, o que superou o salário médio de 10 dólares a hora.

Na Grã-Bretanha, o McDonald’s respondeu à atual disputa dizendo que oferecerão contratos fixos e variáveis e um aumento do pagamento de 17%, em maio de 2018. Que acordo magnânimo! 17% de quase nada é um insulto. Os com menos de 25 anos de idade esperam receber cerca de 8,25 libras – muito abaixo de uma taxa razoável para o emprego. Mesmo 10 libras não é exatamente uma opulência.

A disputa chegou no momento oportuno para o movimento dos trabalhadores e da juventude oferecer apoio e solidariedade. As universidades estarão oferecendo festas de calouros, onde os novos estudantes – uma grande parte da clientela de McDonald’s – podem se informar de como sua loja de comida favorita trata seus trabalhadores.

Da mesma forma, o Congresso do TUC [Trade Union Congress] e a conferência nacional do Partido Trabalhista podem alertar os delegados sobre a greve, para que levem mensagens de volta aos seus locais de trabalho e circunscrições, respectivamente. O movimento dos trabalhadores, com todo o seu peso, poderia fazer uma campanha publicitária de solidariedade extremamente eficaz e abrir uma enorme brecha nos lucros dos McDonald’s.

No futuro, empresas como McDonald’s precisarão ter muito cuidado com a forma de tratar seus trabalhadores. A classe trabalhadora está começando a mostrar que não vai se agachar para ser continuamente chutada pelos patrões e pela classe dominante que defende esse sistema apodrecido.

O fato de que trabalhadores tradicionalmente oprimidos estejam agora se levantando e se preparando para lutar é um aviso. McDonald’s e outros – prestem atenção!

Artigo publicado em 1 de setembro, no site da seção britânica da Corrente Marxista Internacional (CMI), sob o título de “McDonald’s workers set to strike back against zero-hours

Tradução Fabiano Leite.

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