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Torcidas organizadas e crimes no futebol brasileiro

A violência no futebol é um retrato, um espelho da sociedade brasileira.  Brigas dentro dos estádios voltaram a acontecer depois de certo tempo. Dentro ou fora deles, são sempre protagonizadas pelas chamadas “torcidas organizadas”.

A violência no futebol é um retrato, um espelho da sociedade brasileira.  Brigas dentro dos estádios voltaram a acontecer depois de certo tempo. Dentro ou fora deles, são sempre protagonizadas pelas chamadas “torcidas organizadas”.

Estas torcidas foram criadas, na sua maioria, durante os Anos de Chumbo, para combater e ter voz contra a direita dentro dos estádios e dos clubes que eram vigiados de perto pelos militares. Torcidas, como a Gaviões da Fiel do Sport Club Corinthians Paulista, foram importantíssimas nas lutas contra o regime militar e ajudaram a conscientizar os torcedores. Porém, com o passar do tempo e já com o fim da ditadura militar essas torcidas, principalmente as dos 12 maiores clubes do Brasil, começaram a mudar seus objetivos de conscientizar e torcer pelos seus respectivos times. Bandidos, traficantes e aqueles que adoram uma briga juntaram-se a essas torcidas, que por sua vez, aliaram-se aos ladrões e delinquentes de paletó e gravata, não apenas a alguns mafiosos políticos, mas também aos dirigentes e presidentes de clubes de futebol, quase sempre ligados a negócios escusos e até mesmo banqueiros. Agora bandidos, que o Estado capitalista criou, tinham uma saída para atuarem e não serem pegos: as verdadeiras máfias que controlam desde o nome das torcidas até seus atos dentro ou fora dos estádios. Elas tomaram conta do ambiente esportivo.

Essas “torcidas” ou máfias têm total influência em tudo que envolve os clubes, seja nas escolhas do jogador que será contratado ou posto em campo, na escolha do técnico, do patrocínio do clube e de áreas inimagináveis que elas atuam. Elas mandam e ditam as ordens do clube junto aos diretores, que bancam passagens para outras cidades nos dias de jogos, hotéis e os ingressos para as partidas. Existem casos onde as diretorias negam esses auxílios e isso acirra os ânimos. 

As “torcidas” acabam por influenciar e atrair milhares e milhares de torcedores e isso não é um fenômeno tipicamente brasileiro. Em outros países ocorrem coisas semelhantes. Em alguns casos as torcidas são envolvidas em ações de partidos de direita como a que acaba de ocorrer na Ucrânia com a torcida do Dínamo de Kiev que defende o nacional fascismo.

Podemos explicar a existência dessas máfias exatamente porque o futebol empresa virou extensão do capitalismo onde se praticam fantásticas negociações milionárias, envolvendo lavagem de dinheiro, patrocínios empresariais arquimilionários, compra e venda de jogadores por fabulosas quantias. Uma verdadeira ciranda financeira.

São “torcedores” destas máfias que provocam brigas e mortes no futebol.  O último caso de morte ocorreu após o clássico “San-São” em São Paulo. Foi uma grande partida que terminou com um empate de 0 a 0. Longe do Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, uma emboscada foi feita pela Torcida Independente do São Paulo Futebol Clube, que tentou massacrar parte da Torcida Jovem do Santos Futebol Clube que estava em menor número. Um jovem da torcida do Santos acabou sendo assassinado a pancadas de barras de ferro.  Marcio Barreto de Toledo tinha 34 anos e fazia parte da Torcida Jovem. Diferentemente de seus colegas não fugiu, tentou brigar com os supostos torcedores rivais.  As torcidas se silenciam na identificação dos agressores. Em outra oportunidade realizarão sua vingança.

Jornalistas, blogueiros, militantes e todos os apaixonados por futebol que ficam indignados com as barbáries do maior esporte nacional já se cansaram de escrever e protestar contra isso. Fazemos sempre o possível para mostrar nossa insatisfação  contra tudo isso que ocorre. Ficamos tristes, mas sabemos que o mundo capitalista, a usurpação do futebol pelo capitalismo, as máfias do grande esporte demonstram que o capital só pode oferecer mais miséria, mais violência e mais barbárie.  

Os jovens que sinceramente gostam de seus clubes e são honestos e verdadeiros torcedores devem se unir na luta contra esse sistema e seus subprodutos mafiosos existentes no futebol. Haveremos de por fim ao capitalismo. Temos que lutar pelo real controle dos torcedores sobre os seus clubes, temos que arrancá-los das mãos das máfias e de seus cartolas dirigentes. 

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