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Todo apoio aos curdos da Síria contra a invasão turca!

Artigo originalmente publicado em 19 de janeiro de 2018.

Aparentemente a Turquia iniciou ou vai iniciar em breve um ataque contra Afrin, enclave sob controle curdo no noroeste da Síria. Os preparativos para essa operação têm sido realizados há meses. As forças turcas cercaram a área a partir do sul e, através de seus aliados, o chamado Exército Sírio Livre, do leste e têm fortificado e bombardeado a região nas últimas semanas.

Para o regime de Erdogan, uma entidade curda independente nas fronteiras da Turquia é uma ameaça porque fortalece o movimento da minoria oprimida curda dentro de seu país. Ele jamais escondeu o fato de que sua atual prioridade na Síria é derrotar o movimento curdo liderado pelo Partido de União Democrática (PYD), organização-irmã do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) da Turquia.

A mídia ocidental tem feito silêncio sobre esses acontecimentos. Os paladinos da liberdade e da democracia estão fechando seus olhos para o fato de que há 200 mil homens, mulheres e crianças à mercê da brutal máquina de matar do exército turco. Washington, que usou as forças curdas para combater o Estado Islâmico, lavou as mãos dias atrás se preparando para o que estava por vir. O porta-voz do Pentágono, major Adrian Rankine-Galloway, disse a respeito de Afrin em 16 de janeiro: “Nós não consideramos [os curdos] parte de nossas operações para derrotar o EI, que é o que nós estamos fazendo lá, e nós não os apoiamos. Nós não estamos envolvidos com eles de maneira alguma”. É claro que os líderes da União Europeia, que fizeram um acordo sujo com Erdogan para segurar o fluxo de refugiados desesperados vindos do Oriente Médio, não disseram nada.

Recep Tayyip Erdoğan. Foto: Flickr, rterdogan.

A última peça do quebra-cabeça é a Rússia, que foi convidada pelo PYD para tomar Afrim um ano atrás e agir como guarda-costas contra a agressão turca. Mas após uma série de negociações ocorridas na última semana, a Rússia decidiu retirar suas forças essa manhã, imediatamente após o que a campanha turca parece ter se iniciado.

O regime de Assad, que está pescando concessões para si, advertiu ontem que iria derrubar aviões turcos, mas, como o Ministro da Defesa da Turquia, Nurettin Canikli, disse na sexta-feira, “a Turquia está bem atenta ao fato de que a capacidade do regime de Assad para levar a cabo suas ameaças contra a Turquia é limitada”. O regime de Assad é apenas um refém da Rússia e do Irã, que claramente fizeram um acordo com a Turquia. Em todo caso, o regime de Assad parece ter sido neutralizado de uma forma ou de outra. Vendo a retirada de tropas russas, há relatos de que os líderes curdos foram até o governo Sírio para negociar o retorno das instituições estatais sírias para Afrin, bem como o hasteamento da bandeira síria no local. Diz-se que o regime recusou a proposta.

Soldadas curdas. Foto: Flickr, KurdishStruggle.

Como sempre acontece, nações “pequenas” não são mais que moedas de troca baratas nos jogos e lutas entre as potências maiores. Uma vez que terminam de usá-las, eles não têm qualquer escrúpulo em destruí-las ou permitir que outros o façam. Os EUA, a Rússia, o Irã e o regime de Assad todos em algum momento prometeram aos curdos alguma forma de apoio. Mesmo Erdogan se apoiou no movimento curdo da Turquia em 2014 quando o Partido Democrático dos Povos (HDP), de base curda, repentinamente se tornou uma ameaça ao seu poder. No entanto, a classe dominante não tem nenhum amigo ou inimigo permanente, ela tem apenas interesses permanentes e nenhum dos poderes do Oriente Médio tem qualquer interesse em um Curdistão independente, o qual iria ameaçar os Estados turco, iraquiano, sírio e iraniano. O que está acontecendo agora é uma indicação de como o processo deverá acontecer no restante das áreas controladas pelos curdos na Síria.

O povo curdo não pode confiar em ninguém além de si mesmo e dos outros trabalhadores oprimidos e pobres da região. A Revolução de Rojava aconteceu como parte da Revolução Síria inicial e somente deu certo graças a seus métodos revolucionários e democráticos que apelaram para amplas camadas de trabalhadores e pobres da região. Esses são os mesmos métodos que podem salvar Afrin agora. Antes de tudo é necessário um apelo e a mobilização geral das massas curdas na Turquia, Irã e Iraque: um chamado para manifestações e greves em todas as regiões curdas pelo fim da guerra unilateral contra os curdos. Em segundo lugar, um apelo deve ser enviado a todos os trabalhadores e pobres desses países para que se juntem às massas curdas em sua luta contra os governos reacionários, particularmente a Turquia, mas também a Síria, o Iraque e o Irã. Por fim, no Ocidente é dever dos líderes do movimento dos trabalhadores expor o comportamento criminoso dos governos ocidentais que estão sendo cúmplices dos crimes do regime de Erdogan.

Erdogan e Vladimir Putin. Foto: Kremlin.ru.

A luta do povo curdo pelo direito de viver de acordo com seus próprios desejos e de ter sua própria nação é a luta de todos os trabalhadores e jovens contra a classe capitalista, que está arrastando a humanidade para o poço da barbárie.

Abaixo a guerra aos curdos!

Abaixo o regime de assassinos e ladrões de Erdogan!

Abaixo o imperialismo!

Todo apoio ao direito das massas curdas de decidir seu próprio destino!

Vida longa à solidariedade internacional!

Artigo originalmente publicado em 19 de janeiro de 218 no site In Defense of Marxism, da Corrente Marxista Internacional (CMI), sob o título “Support Syria’s Kurds against Turkish invasion!“.

Tradução de Felipe Libório

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