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Tirem as Mãos da Venezuela: Giro de venezuelano pelo Brasil é um sucesso!

Em novembro, a campanha internacional ‘Tirem as Mãos da Venezuela’ trouxe ao Brasil Euler Calzadilla, que debateu com estudantes, professores e militantes de esquerda sobre a luta que levou à universalização do ensino superior público na Venezuela.

Na segunda quinzena de Novembro, a convite da campanha internacional “Tirem as Mãos da Venezuela” (manosfueradevenezuela.org – campanha presente em mais de 50 países que promove atividades em solidariedade à revolução venezuelana) em conjunto com o Movimento Negro Socialista (mns.org.br), o estudante venezuelano e militante marxista, Euler Calzadilla, fez um giro por universidades brasileiras explicando como hoje na Venezuela todos têm acesso ao ensino superior público e gratuito sem necessidade de um “vestibular” como ocorre no Brasil – que acaba excluindo a imensa maioria dos jovens das universidades públicas – e também sem a necessidade de políticas de ações afirmativas, como as cotas raciais propostas recentemente no Brasil.

Cerca de 300 pessoas, entre jovens estudantes, professores, jornalistas, militantes de diversos partidos, organizações de esquerda e movimentos sociais participaram dos debates com o venezuelano. Com propriedade e fundamento, Euler – que foi um dos estudantes que participou do primeiro senso em 2003 na Venezuela, organizado pelos próprios estudantes, para aferir a demanda por vagas nas universidades do país e os motivos pelos quais o povo não tinha acesso ao ensino superior – explicou nos debates como foram criadas a partir de 2003 as Universidades Abertas na Venezuela e as mais de 1.400 Aldeias Universitárias da “Missão Sucre” – que leva a universidade aos locais de trabalho e comunidades mais carentes e afastadas.

Euler também demonstrou como foi possível, combatendo e eliminando burocracia, fundações privadas e ONGs, ampliar o número de vagas para todo o povo com um orçamento menor que a metade do antigo orçamento das universidades autônomas que ainda existem e só propiciam vagas a uma ínfima parcela da população.

Vestibular x Vagas para todos

Em um dos debates de São Paulo, realizado no Instituto de Artes da Unesp, compareceram 2 estudantes venezuelanos que atualmente moram no Brasil cursando doutorado em Física no Instituto de Física Avançada da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e que se opõem às medidas de universalização do ensino superior na Venezuela. Estes estudantes intervieram na discussão defendendo a meritocracia e implantação de provas como o Vestibular para determinar quem pode ou não entrar na universidade. Com argumentos visivelmente preconceituosos explicaram que a qualidade do ensino nas universidades cai quando todos podem entrar.

Mas Euler explicou como hoje os cursos nas Universidades Abertas da Venezuela e nas Aldeias Universitárias têm qualidade superior, pois são planejados e discutidos coletivamente por conselhos de estudantes, professores e comunidade, de tal forma que o produto do conhecimento gerado na universidade possa ser revertido em bem social para a comunidade com a qual se relaciona.

Segundo Euler, os engenheiros formados neste novo sistema na Venezuela são levados a elaborar soluções para problemas concretos da população e não para “projetar shopping centers ou carros para a Fórmula 1”.

Euler levou essa discussão para estudantes secundaristas de Condado, em Pernambuco; para a Universidade Federal de Pernambuco, em Recife; para o campus da Unesp na capital paulista; para a cidade de Bauru, no interior de SP; para a Universidade Federal do Paraná, em Curitiba; para a Univille, em Joinville – Santa Catarina; para a Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis; para a PUC-SP, em debate co-organizado pela APROPUC (Associação dos Professores da PUC), justo na semana em que a Reitoria havia sido ocupada pelos estudantes que exigiam a redução das mensalidades; e para a Universidade Federal do Rio de Janeiro, em atividade co-organizada pela Casa da América Latina.

Quando passou por Joinville, Euler concedeu entrevista a uma emissora de rádio. Já em Bauru, interior de São Paulo, onde a atividade foi promovida pelo mandato operário, popular e socialista do Vereador Roque Ferreira, do PT, Euler concedeu entrevista ao Jornal da Cidade.

Além disso, Euler – que é membro da Frente Bicentenária de Fábricas Ocupadas pelos Trabalhadores – ainda participou de debates sobre as ocupações de fábrica e o controle operário na Venezuela, que reuniram cerca de 200 pessoas. Três deles foram realizados a convite do Conselho Operário da Fábrica Ocupada Flaskô: um na própria Fábrica Ocupada, outro na Unicamp e um último no Sindicato dos Petroleiros de Campinas. Os outros foram realizados a convite do Sindicato dos Trabalhadores Vidreiros do Estado de SP e da Esquerda Marxista do PT.

Todo o giro do Euler foi financiado com contribuições voluntárias de sindicatos, entidades estudantis e dos próprios jovens e trabalhadores que participaram dos debates. Nos locais onde os debates foram realizados, agora se discute a formação de comitês permanentes da Campanha “Tirem as Mãos da Venezuela”.

Operários Vidreiros do Brasil saúdam expropriação de empresa vidreira na Venezuela

Euler, em visita à uma assembléia de operários de fábricas de vidros na região de Ferraz de Vasconcelos, cidade da região metropolitana de São Paulo, recebeu uma moção aprovada pela assembléia em sua presença, em apoio às nacionalizações (estatizações) de empresas, efetuadas pelo presidente Chávez na Venezuela.

“Ao Governo da República Bolivariana da Venezuela
Ao Presidente Hugo Chavez
Excelentissimo Presidente,

Vimos através desta externar todo apoio às nacionalizações efetuadas por seu governo.
Saudamos estas iniciativas que têm o objetivo de se apropriar da riqueza produzida pelos operários para beneficiar todo o povo trabalhador venezuelano.
Saudamos em especial a nacionalização da empresa Owens Illinois, indústria de vidro que também tem fábricas em nosso país (CISPER).
Aqui, esta multinacional explora e oprime os operários. Inclusive há dois meses um operário morreu junto à máquina, na planta localizada na cidade de São Paulo.
Onde deveriam estar 3 operários trabalhando, só havia 1 para realizar o mesmo trabalho.

Parabéns Presidente Chávez.

Receba nossa solidariedade de luta e de apoio à Revolução Venezuelana!

Aprovado por aclamação na assembléia de trabalhadores na indústria do vidro do Estado de São Paulo.

Ferraz de Vasconcelos, 21 de novembro de 2010.”

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