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Terceirização e Juventude. As tarefas da juventude nas fábricas

A aprovação do impeachment do governo Dilma pelo Senado vai abrir o Planalto para um governo Temer/Cunha/Aécio. A burguesia brasileira está apostando em um novo governo que proporcione melhores condições para acelerar os ataques à força de trabalho, reduzindo seus custos e aumentando a exploração direta e indireta, sugando mais-valia como um vampiro suga o sangue da vítima, atacando direitos e conquistas da classe trabalhadora.

A aprovação do impeachment do governo Dilma pelo Senado vai abrir o Planalto para um governo Temer/Cunha/Aécio. A burguesia brasileira está apostando em um novo governo que proporcione melhores condições para acelerar os ataques à força de trabalho, reduzindo seus custos e aumentando a exploração direta e indireta, sugando mais-valia como um vampiro suga o sangue da vítima, atacando direitos e conquistas da classe trabalhadora.

Um destes ataques é a PL 4330/2004, que promete legalizar a terceirização não apenas das atividades-meio, mas também das atividades-fim. No final do ano passado tive o “prazer” de trabalhar como ajudante de produção numa fábrica metalúrgica que fazia serviços terceirizados para a Embraco, uma multinacional fabricante de compressores de refrigeração e que nos últimos anos vem demitindo centenas de trabalhadores e substituindo-os por empresas terceirizadas.

A empresa na qual trabalhava tinha cerca de 35 trabalhadores que tinham a função de fazer um serviço antes feito por centenas de demitidos na Embraco e desses 35, mais da metade não eram registrados em carteira, ou seja, faziam o famoso “bico”, eu era um deles. O serviço terceirizado é aplicado a partir de um contrato entre ambos os patrões e que acaba quando o serviço for concluído, sendo assim, quanto mais rápido for feito, mais ambos os patrões lucram. Dessa forma, os trabalhadores tinham uma carga horária de no mínimo 14 horas por dia, principalmente os não regularizados é que se encontravam nessa situação.

Era feita uma pressão enorme aos trabalhadores não regularizados, lembro-me que diariamente eu era alertado pelo pequeno patrão e por trabalhadores registrados de que “Aqui só fica quem trabalhar bem”, ou seja, tinha que trabalhar das 5 horas da manhã às 19 horas, com um salário de R$ 3,00 por hora.

No final do serviço era feita uma “peneira” na fábrica em que, segundo o bondoso patrão, “só fica os que tem vontade de trabalhar”, mas a prática mostrava que essa peneira, tinha um buraco só. Aqui fica claro que essa pressão feita sobre os trabalhadores não-regularizados com a promessa de regularizá-los, servia apenas para aumentar o ritmo da produção para que o serviço fosse concluído o mais rápido possível e os patrões lucrassem mais ainda. No final de tudo, todos eram demitidos sem nem ter sido contratados.

A juventude está fortemente presente nessas fábricas. A maioria dos jovens que concluíram ou desistiram do ensino médio não tem a possibilidade de ingressar na universidade pela falta de vagas, ou seja, pela falta de uma educação pública, gratuita, para todos e em todos os níveis e assim precisam fazer as provas dos vestibulares e do ENEM, que, para os 7,7 milhões de inscritos, existem menos de 300 mil vagas.

O camarada Felipe Araújo sintetiza bem isso em seus dois textos: Acesse em: http://www.marxismo.org.br/blog/2016/02/16/entendendo-o-enem-parte-1-para-queserve-o-vestibular

http://www.marxismo.org.br/blog/2016/02/24/entendendo-o-enem-parte-2-quem-alcanca-melhoresnotas

Assim, esses secundaristas que não passaram nos vestibulares estão indo cada vez mais para as fábricas, as mesmas fábricas que, se aprovada a PL 4330, estarão completamente terceirizadas e com condições de trabalho já relatadas nesse texto.

O segundo motivo dessa ascensão de jovens às fábricas é a demissão de trabalhadores profissionalizados, experientes e com salários mais elevados, para a contratação de jovens inexperientes, porém, recebendo salários humilhantes.

Isso é a redução de custos do trabalho, é a exploração da mais-valia, é o capitalismo apodrecido e endividado jogando suas contas nas costas da classe trabalhadora com essa grande arma, a terceirização, que é um pacote de maldades nos ombros da juventude e um regresso a níveis parecidos com os dos tempos da Revolução Industrial.

Como disse antes, meu salário era de 3 reais e alguns quebrados à hora, e era isso, todos os ajudantes de produção eram jovens recém-concluídos ou desistentes do ensino médio com um salário de no máximo (e com muita sorte) 5 reais à hora. Sempre na hora do almoço (marmita requintada do dia anterior pois, era a metade do preço pró patrão) ficávamos conversando, muitas vezes sobre política e era clara a disposição dessa juventude trabalhadora de discutir política, porém, se verificava a impossibilidade de praticar alguma mobilização com estes jovens trabalhadores e extremamente explorados.

É quase impossível mobilizar trabalhadores em unidade numa fábrica onde cada setor tem uma (ou mais) empresa contratada, cada uma com um patrão. Isso cria um obstáculo para a unidade de todos os operários e a juventude operária da fábrica na luta por suas reivindicações comuns, inclusive criando problemas na unidade da representação sindical da categoria.

A terceirização será uma das prioridades do futuro governo Temer/Cunha/Aécio, um governo de mais ataques, porém, de extrema impopularidade entre a juventude operária crescente nas fábricas e que está cada mais convencida que têm todo o direito de derrubá-lo.

Por esse motivo, a Liberdade e Luta deve estar presente não somente nas escolas e universidades, mas também nas fábricas, com a campanha “Terceirização é Precarização!”, mobilizando e organizando a juventude operária em luta contra a retirada de direitos.

Contatando o mais amplo leque de trabalhadores com nossos materiais políticos e discutir, explicar a situação e a saída necessária, que passa pela construção/reconstrução de um partido de classe no Brasil, colocando nossa proposta por uma frente da esquerda unida, e apontando o caminho da abolição da ordem existente, por uma Assembleia Popular Nacional Constituinte, por um Governo dos Trabalhadores.

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