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Socialismo ou barbárie!

A tragédia veio na forma da morte do cinegrafista Santiago Andrade. Leia aonde leva a tática Black Blocs e a farsa montada para justificar repressão.

No último dia 10 o inevitável aconteceu. A tragédia veio em forma de morte cerebral, após o cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes, ter sido supostamente atingido por um rojão lançado por uma pessoa que tanto a polícia como a grande imprensa fazem crer que seja integrante do grupo Black Blocs.

A princípio, as suspeitas estavam voltadas para um provável ataque da Polícia Militar, mas logo foi montada uma farsa, disseminada por uma campanha da mídia junta ao governo, a polícia e o advogado do acusado (que já prestou serviço a bandidos da milícia do Rio de Janeiro). Os acusados foram orientados a confessarem a questionável participação na morte do cinegrafista e dizerem que recebiam dinheiro para fazerem quebradeiras nas manifestações, quantia paga por certos “partidos políticos”.

O alvo disso tudo vai ficando cada vez mais claro. Incriminar e criminalizar a esquerda e os movimentos sociais. Uma” investigação” mediante coletas de imagens duvidosas foi feita e atestou-se a participação do indivíduo, que pondero novamente, é acusado de fazer parte do Black Blocs.

Façamos uma análise racional e profunda em que não apenas nos limitamos em julgar o ocorrido através das recentes manifestações em território brasileiro, contra o aumento das passagens e contra a Copa, mas observando as atuais convulsões políticas que rodeiam o mundo inteiro e estão presentes em países como Ucrânia, Egito, Turquia, Espanha, Grécia, Tailândia, entre outros tantos. Há algo em comum em todos: a REPRESSÃO!

Legitimada pelo Estado Burguês e propulsionada pelos seus aparatos de garantia da “ordem”, como saída para conter as insatisfações populares que cada vez mais se intensificam e entoam vozes contra as medidas de austeridade, concentração de renda e em favor de serviços verdadeiramente públicos de qualidade. Um sinal claro de avanço da crise do capitalismo.

Em tempos como esse, de instabilidade gerada pelo capital é natural que a repressão contra as revoltas do povo cresça de forma avassaladora, muitas vezes indo além do plano de contenção que as polícias ou forças nacionais traçam, transformando as ruas de cidades em verdadeiros corredores de guerra. A violência brutal e covarde aplicada pela polícia, seguindo a mais corriqueira lei da física herdada por Newton, tende a voltar como força de reação na mesma intensidade, e por intermédio do acaso ou da natureza (como preferir) é o que vem acontecendo.

No Brasil, enquanto os agentes do Estado lançam bombas, os manifestantes mais “radicais” devolvem com rojões e coquetéis Molotov. Para cada spray de pimenta há um estilingue, e por aí vai. Uma tragédia já estava, há tempos, anunciada.

 Alguns questionamentos cabíveis sobre os fatos, o que o futuro nos guarda e qual a tarefa dos marxistas?

A resposta por incrível que pareça é simples: o futuro é incerto, mas podemos moldá-lo. É dever dos marxistas não poupar esforços para a construção de um partido verdadeiramente revolucionário e organizado, que atenda as reinvindicações populares e aponte às massas e todo o proletariado o caminho rumo à emancipação, garantindo o pleno exercício da liberdade e da democracia.

Nesse projeto, cabe a nós nos diferenciarmos daqueles que pensam estar revolucionando o mundo, mas na verdade estão apenas prestando um desserviço aos trabalhadores e afastando das ruas a classe verdadeiramente revolucionária.

Remetendo-nos novamente a tragédia que culminou na morte do cinegrafista Santiago Andrade, uma reflexão: Mais um trabalhador morre exercendo o seu trabalho, independente se esteja vinculado a uma grande emissora de televisão, ele é um TRABALHADOR e morreu em sua função, em uma paisagem que beirava a guerra entre polícia e manifestantes.

Esses acontecimentos se juntam aos casos de “justiceiros” e outros que exemplificam as mazelas do capitalismo sobre nossa sociedade, e nos indagam sobre o sempre atual dualismo, previsto por Rosa Luxemburgo, “Socialismo ou Barbárie!”.

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