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Sobre o filme “Pride” – uma crítica

O longa-metragem é baseado em fatos reais e conta a história de solidariedade e amizade entre trabalhadores mineiros e os gays e lésbicas na luta contra o governo da primeira ministra, Margareth Thatcher, na década de 80.

Engraçado, emocionante e incrivelmente divertido. Pride, dirigido por Matthew Warchus e produzido pela TV pública inglesa BBC é uma ótima surpresa, como filme de humor e drama. O longa-metragem é baseado em fatos reais e conta a história de solidariedade e amizade entre trabalhadores mineiros e os gays e lésbicas na luta contra o governo da primeira ministra, Margareth Thatcher, na década de 80.

Um dos grandes méritos do filme se deve em grande parte ao elenco. Os atores conseguem nos convencer de seus personagens. Rimos das diversas situações que eles são obrigados a passar, mas nunca rimos deles por serem gays ou lésbicas. Algo que alguns comediantes brasileiros deveriam prestar atenção, pois sempre pintam as minorias de palhaços. Além disso, esses personagens mostrados, principalmente da rede aberta de televisão, são sempre uma caricaturas das pessoas reais.

Pride, não só mostra “personagens reais”, como consegue provocar o riso de outras formas que não seja a reacionária, ofendendo e oprimindo as pessoas. Podemos ver isso quando formam a organização de Gays e Lésbicas em Apoio aos Mineiros. Os constrangimentos e a ruptura das barreiras para que eles possam entregar o dinheiro ao sindicato é extremamente cômico.  O momento em que chegam à sede dos mineiros e a idosa os olha e diz “Dai, seus gays chegaram”, soa engraçado por ser espontâneo. Assim como curiosidade das mulheres da cidade mineira em relação ao comportamento deles.

É de forma também “espontânea” que o filme parece construir as relações entre os dois grupos que lutavam contra a opressão do governo Thatcher. A unidade aqui, não nasce das reivindicações, mas da solidariedade diante da opressão do sistema.

Neste ponto, a insistência do personagem Mark, interpretado por Ben Schnetzer, é fundamental. É ele quem convoca os amigos para formar uma organização e os anima quando as coisas parecem desandar. É o único entre seus companheiros, que parece entender o poder de estender a mão de solidariedade e amizade aos mineiros. Convencendo os operários, eles estariam derrotando não só o preconceito, mas fortalecendo a luta pelos direitos dos gays e das lésbicas, pois teriam uma das categorias mais importantes da Inglaterra ao seu lado.

Não considero Pride um filme gay, mas uma história política e dramática com boas doses de humor. É importante nos despirmos de todo o preconceito ao assistir o longa e tentarmos como os mineiros no filme, romper as barreiras que nos impedem de ver essa história como humana e de classe.

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