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Soberbo Crash Americano

Na semana de 20 a 26 de outubro de 2008 aumentou a possibilidade de desabamento catastrófico da economia dos EUA, economia de ponta do sistema.

Onde estão os tão confiáveis “poderes e conhecimentos” dos bancos centrais e tesouros nacionais para evitar as clássicas depressões econômicas? Não pergunte para Paul Samuelson e seus parceiros das diversas escolas da economia vulgar. Sumiram todos. Perderam-se na poeira da superprodução. O capital mundial está sendo pulverizado. Um verdadeiro crash parece estar começando. Até que enfim. Para que não se diga que essa avaliação é exagerada recomenda-se ler partes deste balanço da Bloomberg News no final do último pregão desta semana:

“As bolsas de valores dos EUA caíram nesta semana levando o índice Standard & Poor’s 500 à maior queda mensal desde 1938, com os temores de que a economia global se encaminha para a recessão. Alcoa, Citigroup, Hewlett-Packard sofreram quedas recordes na média do Dow Jones Industrial, com perdas de mais de 18%, com os investidores apostando que a crise financeira se espalhará além dos bancos para as empresas industriais e fabricantes de computadores. General Motors alcançou o mais baixo preço desde os anos 1950, e Ford Motors afundou 17%.

O índice das ações nos EUA caiu 25% em outubro. Nesta semana, o Dow Jones caiu 5,4%, para 8378,95. O MSCI World Index, média de 23 bolsas de valores de economias desenvolvidas, perdeu 8,3%, enquanto Brasil, Rússia e Índia puxaram os índices de 25 bolsas de mercados emergentes para o desabamento de 17% apenas nesta semana. Todos os 48 mercados desenvolvidos e emergentes registrados no MSCI declinaram em 2008, com 22 deles perdendo pelo menos a metade do seu valor. O mais elevado desabamento foi da Rússia, com seu índice Micex caindo 73%. Os índices da China, Grécia, Irlanda, Peru e Áustria registraram quedas de mais de 60%.

O S&P 500 caiu 40% neste ano. Mais de 10 trilhões de dólares foram apagados do valor de mercado das ações mundiais neste mês de outubro, resultado da queda dos lucros das empresas. As 236 empresas listadas no S&P 500 reportaram balanço do terceiro trimestre mostrando um declínio dos lucros de 23% em média. Relatórios de ontem mostraram a primeira contração da economia da Inglaterra desde 1992.”

Uma revolução é possível

Há cento e cinqüenta anos, Engels escrevia a Marx: “O crash americano é soberbo e está longe de ter chegado ao fim. Ainda vamos assistir ao colapso de uma boa parte das empresas; até agora só se arruinou uma ou outra. A repercussão na Inglaterra parece ter começado com o Borough Bank de Liverpool. Ótimo. Isso significa que, nos próximos três ou quatro anos, o comércio voltará a passar um mau bocado. Agora nós temos a possibilidade”. St. Hélier, Jersey, 29 de Outubro de 1857*.

“Agora nós temos a possibilidade”. Engels exprime aqui uma tese importante da teoria revolucionária: “A revolução proletária só será possível na esteira de uma soberba crise econômica. Uma é tão certa quanto a outra.” (Marx).

É extremamente atual esse roteiro estabelecido 150 anos atrás por Marx e Engels: com a próxima crise econômica catastrófica capitalista mostrando seus primeiros sinais abre-se a possibilidade real (apenas a possibilidade, note-se) da revolução proletária. Mas essa crise catastrófica global tem que explodir inicialmente nos EUA, coração do sistema. E depois que ela se alastrar pela totalidade do mercado mundial, é preciso que cada burguesia nacional e suas demais classes dominantes acessórias sejam derrotadas na guerra civil e enterradas pelo proletariado internacional unido para finalmente se realizar a verdadeira revolução.

Ora, como mostram os números (e os fatos) é muito grande a possibilidade de eclosão nas próximas semanas de um “soberbo crash americano”. Muito parecido na sua arquitetura básica (e muito mais potente em seus efeitos globais) com aquele que falava Engels há 150 anos. A vieille taupe (velha toupeira da revolução) de que falava Rosa de Luxemburgo está prestes a reaparecer na superfície da história. É por isso, só por isso, que é tão importante o acompanhamento nos mínimos detalhes dos ciclos econômicos e suas inevitáveis crises periódicas de superprodução de capital.


* Poucas semanas depois Marx escrevia para Engels: “Também é engraçado que os capitalistas, que se opunham tão furiosamente ao direito ao trabalho, estejam agora a exigir em toda a parte aos seus governos “apoio público” e a advogar, portanto o “direito ao lucro”, à custa do erário público em Hamburgo, Berlim, Estocolmo, Copenhagen e até Inglaterra (sob a forma de suspensão das leis). Também engraçado que os filisteus de Hamburgo se tenham recusado a conceder mais esmolas aos capitalistas”. Londres, 8 de Dezembro de 1857

Cento e cinqüenta anos depois, Colin Burgon, parlamentar do Partido Trabalhista inglês, na Câmara dos Comuns da Inglaterra exclama: “O que eu vejo é a mão invisível do mercado se enfiando no bolso do contribuinte e retirando mais ou menos 50 bilhões de libras” – Londres, 25/9/2008.

** Este texto foi publicado no boletim Crítica Semanal da Economia.

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