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Sarney, mais um dos 300 picaretas, e a luta de classes

A crise econômica mundial tem aumentado o interesse pelas idéias marxistas. E se multiplicam os ataques de seus críticos. Sarney, o ridículo autor de ‘Marimbondos de fogo’, tenta exercitar seu consciente papel de representante das idéias de sua classe.

Sarney, em dois artigos publicados na Folha de São Paulo (31/07 e 07/08) escreve:

Quando a luta política se organizou nas sociedades modernas, os cientistas sociais procuraram desvendar as leis que a governam. Marx sintetizou a mais forte delas quando iniciou o famoso “Manifesto Comunista”, dizendo que “a história de todas as sociedades modernas é a história da luta de classes”. Isso levou várias gerações a viverem sob o signo de duas palavras: “revolução” e “revolta”. A primeira como uma manifestação coletiva, a segunda como um manifestação pessoal. Tudo isso é passado, e o mundo é outro, se sabendo que a concepção de classes é uma teoria que não resiste à realidade. (FSP, 07/08/09).

Nada de novo. Os representantes das classes dominantes sempre tentam mostrar as coisas de modo a esconder a verdade. Além disso, como diz o ditado, “em cão morto, não se bate”. Obras como O Capital estão sendo compradas como nunca na Alemanha (leia “O retorno de Karl Marx”). No Japão um mangá (história em quadrinhos) sobre O Capital transformou-se em best-seller entre os jovens.

Sarney gostaria que acreditássemos que vivemos numa grande irmandade entre trabalhadores e patrões, entre os despossuídos e os donos de tudo, como ele no Maranhão.

Sobretudo quando o sistema capitalista está em crise e as supostas idéias do passado são reconhecidas como atuais e processos revolucionários se desenvolvem na América Latina, em particular na Venezuela; quando no Brasil, a luta fratricida entre os partidos da burguesia chegam ao ponto de que não se sabe o que pode acontecer nas próximas eleições.

Realmente o senador deve estar preocupado e diz que a luta política agora se dá pela manipulação da mídia e da opinião pública e que “a democracia representativa já era”. Logo, se a democracia já era, a mídia mente e a luta de classes não existe, qualquer um pode tomar conta do poder como bem entender, deve ser o que ele pensa. É este mesmo senador o feroz crítico de Hugo Chávez que considera um ditador e que, junto a Collor se manifestou contra o ingresso da Venezuela ao MERCOSUL, um país que segundo ele “não é democrático, ou que está a caminho da ditadura”. A ele deve incomodar a revolução venezuelana, fato que não o ajuda a convencer de que a revolução e a luta de classes sejam coisas do passado.

Já no outro texto Sarney diz: “Foi Lênin quem aplicou como método as leis da guerra à política. Ele não a via como um instrumento democrático para a conquista do poder, mas como uma disputa cuja finalidade não era o jogo das idéias, e sim, como na guerra, uma luta entre inimigos não para vencer o adversário, mas exterminá-lo – e nisso toda crueldade devia ser usada. Daí o pensamento dele tão divulgado de que os fins justificam os meios.”

O senador, falsa e propositalmente, atribui a Lênin o pensamento que geralmente é atribuído a Maquiavel, escritor filho de nobres decadentes do século XV, embora nem mesmo este último o tenha escrito.

Maquiavel dizia que o Estado deveria ser forte e centralizado, com autoridade necessária para conter os conflitos sociais. Seu pensamento foi muito útil às classes dominantes tanto durante o declínio do feudalismo como neste ultimo século de agonia do capitalismo.

Lênin, não tem nada a ver com isso. Pelo contrário, lutou pela organização de um estado operário, contra a propriedade privada, a rapina e o sistema de exploração dos capitalistas, em favor e junto da classe operária soviética e para organizar e planificar a economia com base nas necessidades sociais. Se Lênin e os revolucionários russos foram duros com a burguesia na Rússia e com os exércitos imperialistas que tentaram sufocar a revolução com seus canhões, bem sabemos como o mereceram. Mas também foi no fronte que os soldados russos se confraternizaram com os soldados estrangeiros enviados e muitos entenderam que seus inimigos não eram os comunistas, mas a burguesia em seus países.

Enfim, o senador Sarney, acossado entre os seus, desmoralizado entre os imorais do “Congresso dos Picaretas”, como disse Lula certa vez, não tem autoridade nem neutralidade para atacar as idéias e práticas dos marxistas, da classe trabalhadora e dos revolucionários de qualquer tempo. Mas compreende-se que este é seu papel de classe. Nosso problema não é ele, mas sua classe exploradora seja nos latifúndios, seja nas fábricas. Eles existem em todo o mundo e a luta da classe trabalhadora internacional deve ser para organizar a revolução socialista e varrê-los todos, do poder, sem piedade.

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