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São Bernardo do Campo: luta contra sucateamento e privatização do CAJUV

Prefeitura de São Bernardo do Campo, encabeçada pelo PT em aliança com a burguesia, sucateia espaço público destinado à juventude e ameaça com privatização. Trabalhadores e jovens se organizam para resistir.

Durante as jornadas de junho de 2013, a juventude foi às ruas para lutar por serviços públicos essenciais, como transporte, saúde e educação. Demonstrando que, assim como em outros momentos da história, quando a luta de classes se agudiza e os capitalistas, através de seus governos, atacam os direitos dos trabalhadores para se salvar, a juventude lança-se na frente na luta.

Em 2014, os chamados “rolezinhos” mostrara que além dos serviços públicos essenciais, faltam para a juventude, espaços públicos de lazer, prática de esportes e fruição de cultura. Por isso mesmo, é preciso lutar com unhas e dentes, para preservar os poucos espaços existentes. Mas o que ocorre hoje em São Bernardo, onde o governo petista comandado pelo ex-presidente da CUT, Luiz Marinho, ameaça privatizar um espaço conhecido como CAJUV .

O CAJUV é o local onde a Coordenadoria de Ações para a Juventude desenvolve (com muitos problemas, diga-se de passagem) oficinas de iniciação artística e esportiva para os jovens. Este espaço vem sofrento há anos com o sucateamento, falta de investimentos na manutenção e melhoria da estrutura, além da redução e queda na qualidade dos cursos oferecidos. Agora, ele vem sofrendo ameaças de ser entregue ao SESC (Serviço Social do Comércio), ou seja, PRIVATIZÁ-LO.

Como todas as privatizações, as desculpas são as mesmas, “é preciso enxugar custos”, por trás disso entenda-se “o dinheiro para políticas públicas para a cultura e para a juventude são gastos desnecessários, o importante é guardar dinheiro para a impagável dívida pública e para cumprir a “Lei de responsabilidade fiscal”.

Diante disso, o Fórum Aberto de Cultura e Arte de SBC (FACA), vem impulsionando um abaixo-assinado contra a privatização do CAJUV e por melhorias para o espaço. O documento tem ganhado forte apoio, o que fez a Coordenadoria de Ações para a Juventude convocar uma reunião com representantes desse coletivo, e o resultado foi: NADA! Só enrolação, nenhuma resposta concreta.

Não é de hoje, que os direitos da juventude e dos trabalhadores sofrem ataques, porém a situação politica no Brasil mudou, como ficou claro nas jornadas de junho de 2013, os ataques dos capitalistas não passarão mais em branco e a juventude no Brasil, como acontece em todo mundo, está disposta a ir às ruas e lutar pela manutenção e ampliação dos seus direitos e de toda a classe trabalhadora.

É nesse cenário, que a Esquerda Marxista chama todos e todas dispostos a lutar, para formar os comitês de luta da campanha Público, Gratuito e para Todos! Transporte, Saúde e Educação! Abaixo a Repressão!

Abaixo, a carta elaborada pelo FACA sobre a situação do CAJUV.

“Carta aberta a população de São Bernardo do Campo

Por politicas públicas para a Juventude

Nós do Fórum Aberto de Cultura e Arte de São Bernardo (F.A.C.A) viemos através desta carta, alertar a população da nossa cidade, em especial aos jovens, sobre a situação do espaço hoje conhecido como CAJUV ( Coordenação de Politicas para Juventude) antigamente conhecido como Juventude Cidadã. Apesar de desde a sua criação há mais de 10 anos, o espaço nunca ter tido um projeto político e pedagógico claro, o CAJUV, através das suas oficinas de iniciação sócio-culturais e sócio-educativas, conseguiu abrir as portar da cultura e da arte para centenas de jovens, através da dança, do teatro, do circo, da música, dentre outros, seja de forma profissional ou amadora. Mais do que isso, o CAJUV formou uma comunidade própria que se apropriou desse equipamento público, assim alunos que lá se formaram retornam para lá como oficineiros, para ensaios, ou simplesmente para reencontrar velhos amigos, tornando o CAJUV um espaço de integração e aprendizado para a juventude da cidade. Porém, entendemos que é justamente essa falta de clareza por parte dos sucessivos governos sobre o que de fato é o CAJUV que ele vem perdendo, ano a ano, espaço na dotação orçamentária do município, o que vem ocasionando o fechamento de oficinas dentre outros problemas. Aliado a isso, vemos surgir rumores de que existe a intenção da atual gestão de PRIVATIZÁ-LO, fechando o CAJUV enquanto equipamento público de usufruto de toda a população e entregando o local onde ele está para o SESC. É importante que se diga que não somos contra a vinda de um SESC para a cidade, mas entendemos que ele deve ir para outro lugar, já que não nos parece justo que um espaço público seja entregue dessa forma para um ente privado que ditará as regras de uso do equipamento de acordo com seus próprios interesses. O CAJUV, ainda que precariamente, tornou-se um local de fundamental importância para o desenvolvimento da cultura e da arte na cidade, não só por ser um local de iniciação artística, mas também por ter se tornado um dos raros espaços públicos para treinamento, integração e convivência para os artistas da cidade. Artistas de diversas linguagens e que hoje se apresentam em vários lugares do mundo, tiveram ali o primeiro contato com a arte, por isso não aceitamos o sucateamento que vem ocorrendo ali e também não aceitamos qualquer ameaça de fechamento de um equipamento público destinado à juventude, muito menos que isso ocorra justamente em um governo que se diz inclusivo.

Diante do exposto, reivindicamos ao prefeito da cidade e ao secretário(a) responsável, o seguinte:

· A não privatização do CAJUV. O Sesc deve ir para outro lugar

· A realização de uma Audiência Pública para explicar a situação do CAJUV e os planos da atual gestão para o espaço

. Ampliação dos recursos públicos destinados ao CAJUV, contra o sucateamento.

. Pela criação de um Conselho Gestor do CAJUV formado pela administração, oficineiros e usuários, para que haja transparência nos gastos dos recursos PÚBLICOS destinados a este equipamento.

· A efetivação do contrato de todos os oficineiros, com todas as garantias trabalhistas previstas na CLT. Contra o trabalho precarizado

· Que as oficinas do CAJUV sejam inseridas em um Plano Municipal de Politicas públicas para a Juventude construído com ampla participação da população.

· Contra todas as formas de repressão aos espaços autônomos e às manifestações artísticas e culturais da juventude, em qualquer ponto da cidade.”

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