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Sandy e a catástrofe no coração do império

 

É comum ouvirmos e lermos notícias sobre catástrofes naturais: tsunamis, maremotos, furacões, enchentes, deslizamentos de morros, avalanches de neve, erupções de vulcões, incêndios devastadores, frio ou calor intenso. Todos provocando destruição e mortes. Em alguns casos vemos devastações terríveis como as ocorridas em Petrópolis, no Japão, na Indonésia, ou em New Orleans

É comum ouvirmos e lermos notícias sobre catástrofes naturais: tsunamis, maremotos, furacões, enchentes, deslizamentos de morros, avalanches de neve, erupções de vulcões, incêndios devastadores, frio ou calor intenso. Todos provocando destruição e mortes. Em alguns casos vemos devastações terríveis como as ocorridas em Petrópolis, no Japão, na Indonésia, ou em New Orleans

Alguns acidentes poderiam ter seus efeitos minimizados não fosse a voracidade do capitalismo que constrói em encostas, desmata florestas, constrói barragens em locais inadequados, povoa regiões em baixios que antes eram áreas de espraiamento de rios. Em alguns casos as catástrofes têm seus efeitos aumentados graças às construções equivocadas e criminosas de Usinas Atômicas em locais e em condições inadequadas, com falhas técnicas de toda ordem como ocorreu no Japão. Em outros casos, os serviços de defesa civil não possuem as mínimas condições de avisar a tempo as populações e muito menos de evacuá-las. Quem sofre mais com as tragédias desse tipo, via de regra, são as populações de baixa renda, ou em casos extremos, até mesmo pessoas da pequena burguesia. Em geral a grande burguesia, como nas guerras, não sofre diretamente os efeitos das catástrofes. Isso porque, habitam regiões e construções que lhe dão maior segurança.

Não é o objetivo aqui, por falta de tempo e espaço, discutir quais e como estas catástrofes são ou não provocadas pela irracionalidade do sistema que em nome do lucro construiu cidades sobre rios, em áreas onde poderiam ser inundadas por tempestades ou maremotos, ou ainda enchentes provocadas por chuvas. Deixo de lado aqui a questão dos gases emitidos pelas grandes indústrias imperialistas e seus possíveis efeitos nas mudanças climáticas. Katrina matou centenas e desabrigou milhares, mas eram em sua maioria negros e pobres, o império e a imprensa fizeram estardalhaço, mas logo tudo caiu no esquecimento e no lugar de suas casas surgiram grandes condomínios de altíssimo padrão, com casas ecológicas e computadorizadas. Os negros foram expulsos.

Agora a catástrofe ocorreu no coração do império. Wall Street foi alagada, como antes foi New Orleans, mas agora nenhum financista morreu ou teve seu escritório nos altos edifícios destruído. Lojistas, os empregados e trabalhadores foram os que sofreram, sem transportes de ônibus ou de metrô, sem água e sem energia elétrica. Ou alguém acha que as grandes corporações, os grandes empresários, não possuem sistemas alternativos de energia e de abastecimento de água? No coração do império, como em qualquer país capitalista, quem paga a fatura são os pobres, os trabalhadores. Mas as TVs e jornais uma vez mais não mostram isso.

O Jornal Nacional da rede Globo, em sua extensa reportagem do dia 30, com tristesa comovente falava sobre os estragos que Sandy causou em Wall Street. Em determinado momento o reporter de New York disse com voz embargada: e a bandeira dos EUA, mesmo que judiada, segue tremulando firmemente no mastro. Nada mais patético, quando a câmera enquadrou a gloriosa bandeira, ela estava murcha e puída, dependurada no pau, o vento não soprava e ela não tremulava. Rasgada, encharcada e apontando para baixo parecia expressar cabalmente a situação do imperialismo norte americano em crise e sem forças para se reerguer. Quando rápidamente a cena voltou para os studios Willian Bonner estava com cara de bobo e de desaprovação. Se recompos imediatamente.

Uma senhora entrevistada, com ufanismo e heróismo que me fez lembrar a época dos massacres que os militares fizeram no Vietnã, dizia: nós, norte-americanos estamos acostumados a nos reerguer. Viva, felicitações, pensei! Por hora o pior está sendo esquecido. Mas em dias a realidade se imporá e os de baixo, os que não foram entrevistados e nem mostrados nas telinhas se perguntarão: como é possível  vivermos em um país onde 1,2 milhões de residências (onde habitam o 1% dos mais ricos) aumentaram seus rendimentos em 5,5% no ano passado? Como é possível vivermos em um país onde os mais pobres tiveram uma queda de 1,7 % em seus rendimentos? Como 96 milhões de pessoas ficaram mais pobres e pagam para que o 1% fique mais e mais rico?

E logo mais adiante, quando a borrasca passar e junto com ela as eleições, os de baixo começarão a tirar alguma conclusões: tudo isso está ocorrendo não por culpa do furacão, mas sim por culpa do capitalismo que apodrece diante de Obama e Romney que seguem sem prestar atenção em Sandy e nem nos interesses do povo. Precisamos ter nosso próprio governo, concluirão!

Obama e Romney seguem firmes em sua campanhas, com os olhos voltados para a Wal Street, não pelo fato dela ter sido inundada, mas sim por estarem loucos para salvar os grandes empresários apavorados, não com Sandy, mas sim com outro furacão que ronda o mundo, também com nome feminino: Crise. E todos parecem não saber o que fazer, a não ser a certeza de que para não se afogarem terão que arrochar ainda mais os trabalhadores!   

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