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Rio de Janeiro: lançamento do livro “Atas do Segundo Congresso do POSDR – 1903”, volume 1

No dia 16 de outubro, realizou-se no Rio de Janeiro o lançamento do livro “Atas do Segundo Congresso do POSDR 1903” volume 1, publicado pela Editora Marxista.

O evento foi realizado, com debate, no Sindicato dos Petroleiros do Rio, Sindipetro-RJ.

No dia 16 de outubro, realizou-se no Rio de Janeiro o lançamento do livro “Atas do Segundo Congresso do POSDR 1903” volume 1, publicado pela Editora Marxista.

O evento foi realizado no Sindicato dos Petroleiros do Rio, Sindipetro-RJ, com a participação do nosso camarada Rui Pena que traduziu a obra para o português.

Como explicou o camarada Ruy Penna “Esse livro é o registro direto dos debates que aconteceram no congresso do POSDR em 1903. Não é a interpretação desse ou daquele autor, mas as próprias intervenções dos participantes do Congresso e revisadas pelos mesmos. É assim, na verdade uma janela aberta no tempo.

A sua importância histórica refere-se ao surgimento no POSDR das duas correntes políticas, os mencheviques e os bolcheviques, que ao longo do caminho que desemboca na Revolução Russa de 1917 vão adotar métodos e estratégias muito diferentes. Nos momentos decisivos, o Partido Bolchevique mostrou ser o instrumento sem o qual a classe trabalhadora não teria completado a revolução russa”.

O evento de lançamento contou com a presença de 25 pessoas, dentre as quais ativistas de partidos de esquerda, militantes e sindicalistas de diversas entidades, como do próprio Sindipetro, do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal e sindicalistas da área da saúde.

Destacamos a presença de Eduardo Serra, candidato a senador pelo Partido Comunista Brasileiro, que obteve 40 mil votos no Rio de Janeiro, e disse que “vivemos uma situação em que a esquerda se fragmentou e não apresenta uma saída global. Fazer a discussão teórica é importante, aproveitando toda a experiência da luta pelo socialismo e inclusive o balanço dos erros do socialismo real da URSS”. É, de fato, uma questão central. A regressão teórica e política que o stalinismo, esse brutal aparato da contrarrevolução na URSS e em todo o mundo, impos ao movimento operário, só pode ser combatido e vencido no debate da teoria e da atividade revolucionária prática dos marxistas. Nenhuma outra corrente teórica pode apontar uma saída para encerrar e superar o regime da propriedade preivada dos meios de produção. E isto será feito na arena da luta de classes e no debate franco e fratyerno no movimento operário. Por isso valorizamos tanto a presença do camarada Edu Serra, representando o PCB.  

Tivemos ainda a importante presença do antigo líder do movimento estudantil na época da ditadura, Vladimir Palmeira, que também foi deputado pelo PT, e disse que a posição de Lenin era viva e mudou ao longo do tempo e vocês que publicaram isso agora tem a responsabilidade de discutir o leninismo e publicar outros livros sobre o assunto”. O que é uma frase interessante mas que não se sabe exatamente o que quer dizer. Se quer dizer que Lenin “abandonou” o bolchevisme, faltaria provar. Se quer dizer que Lenin abandonou, em mutações, o marxismo, seria uma inverdade absoluta. Se quer dizewr que Lenin não era um sectário dogmático e que analisava as questões concretas de uma forma concreta e aberta, flexível com a tática e inflexível com os princípios, então estaríamos de acordo com Vladimir Palmeira. Em todo caso é um importante debate.

O evento contou também com a participação do camarada Humberto Belvedere, antigo militante trotskista que combateu a ditadura militar e que foi dirigente do Partido Operário Comunista (POC), que ressaltou a estrutura democrática do partido e a vivacidade das divergências e de como eram discutidas. O nosso candidato marxista a deputado federal pelo Rio de Janeiro, o camarada Luís Claudio também esteve presente.

Após uma apresentação do livro feita por Ruy Penna abriu-se um debate bastante rico em contribuições, pois o livro despertou grande interesse nos presentes. Vladimir Palmeira, um estudioso da história do partido bolchevique, elogiou a publicação do livro e a iniciativa da Esquerda Marxista e contribuiu com várias questões sobre a discussão entre bolcheviques e mencheviques na história da revolução russa.

Eduardo Serra, do PCB, ainda considerou muito importante a publicação do livro para o público atual do PCB. Já Humberto Belvedere procurou debater as questões levantadas por Lênin no Que Fazer e neste congresso de 1903, discutindo a atualidade destas questões para a construção de um partido operário de massas.

O debate com o público presente também se estendeu para as relações entre os movimentos sociais, que tendem para o espontâneo, e a questão do papel da vanguarda revolucionária, que é o elemento consciente do movimento inconsciente.

O evento demonstrou uma discussão de qualidade, com a participação de ativistas representativos e a banca da Livraria Marxista vendeu todos os exemplares disponíveis.

O evento foi um sucesso e mostra o interesse pela teoria em um setor da vanguarda que busca uma análise histórica e materialista do que se passa no mundo e no movimento operário.

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