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Revolução Chinesa: Em 1º de outubro de 1949 a tomada do poder

Um quarto da humanidade livrou-se das correntes do imperialismo estrangeiro e da pesada herança de tempos antigos com a Revolução Chinesa. Mas, a tomada do poder pelo Partido Comunista Chinês (PCC) foi apenas o desfecho de um processo que começou décadas antes.

Vivemos a época das revoluções e das contrarrevoluções.

Não há outro período histórico no qual tenham ocorrido duas guerras mundiais e a primeira revolução socialista da história em apenas três décadas. Foram muitas as crises, conflitos e revoluções que marcaram a nossa história e terão importância fundamental para o futuro da época atual.

Entre esses grandes acontecimentos, a Revolução Chinesa de 1949 ocupa um lugar especial. Um quarto da humanidade livrou-se das correntes do imperialismo estrangeiro e da pesada herança de tempos antigos. Mas, a tomada do poder pelo Partido Comunista Chinês (PCC) foi apenas o desfecho de um processo que começou décadas antes.

Em 1911, a revolução Xinhai pôs um fim a 5 mil anos de história da China imperial. A moribunda dinastia Qing ruiu em apenas três meses diante da revolta popular. O principal líder do movimento, o médico Sun Yat Sen, proclamou uma república em 1912.

Sun formou um governo com base em um programa de reformas ousadas. Seu partido, o Kuomintang, era composto por profissionais liberais e oficiais militares, que desejavam transformar a China seguindo o exemplo do Japão. O objetivo de Sun era desenvolver a economia com o apoio do estado, mas em bases capitalistas.

Essas ideias logo se chocaram com a dura realidade chinesa. Como desenvolver a indústria em um país onde a vida urbana era mínima? Como aumentar o consumo em um país onde a imensa maioria das pessoas vivia na miséria? Não demorou para que Sun e seu projeto de uma China moderna fossem varridos do poder. 

Na verdade, o Kuomintang passou rapidamente de revolucionário para novo xerife do imperialismo na China. Uma sucessão de generais se revezaria no poder em Pequim, ao mesmo tempo em que o país era fracionado entre diferentes senhores da guerra regionais. A China enfrentava uma nova era do caos.

A revolução russa de 1917 e a fundação da União Soviética mudaram o rumo da historia do mundo e também da China. O Partido Comunista Chinês seria fundado em 1921, mesmo ano em que os bolcheviques triunfaram sobre a reação. Como os demais partidos comunistas no mundo, o chinês se voltaria para Moscou. 

Com a ascensão de Stalin e seu programa de alianças com as burguesias nacionais dos países atrasados, alcunhadas por ele de “progressistas”, estava dada a receita que levou ao massacre dos comunistas em 1927, ordenado pelo novo ditador chinês, Chiang Kai-Shek, do Kuomintang. Milhares de jovens e trabalhadores morreram e o partido foi varrido das cidades.

Com a morte dos quadros urbanos, a fração que defendia uma orientação para o campo assumiu a direção do partido. Liderado agora por Mao Tsé-Tung, o PC chinês conduziria uma fracassada experiência de “soviete rural” na província de Jiangxi. A desmoralização do Kuomintang permitiu aos comunistas resistir a quatro ofensivas, até serem finalmente forçados a retirarem-se, naquela que ficou conhecida como “Longa Marcha”.

O apoio à burguesia nacional e o massacre de seus quadros urbanos transformou o PC chinês em uma força pequena e isolada no noroeste do país. Somente um novo elemento externo, como a Segunda Guerra Mundial, poderia alterar essa situação. A invasão nipônica enfraqueceu ainda mais o Kuomintang, que estava mais preocupado em manter os comunistas isolados do que defender o país.

Após anos de guerra, os japoneses finalmente sucumbiram ao poder militar norte-americano e renderam-se em 1945. Logo, os combates entre as duas forças recomeçaram. A proposta de reforma agrária garantiu o apoio das massas camponesas à Mao, e em 1949, Chiang Kai-Shek fugia para Taiwan e a República Popular da China era fundada na área continental. 

Apesar dos inegáveis avanços e conquistas fruto da expropriação do capital, o novo governo transformou-se em um estado autoritário e corrupto e após anos de reação liderada pelo próprio Partido Comunista a China foi levada de volta ao capitalista e entregou o proletariado chinês como escravo aos imperialistas e aos capitalistas locais.

Mas, a memória da resistência e da coragem dos milhões de homens e mulheres que fizeram a revolução de 1949 segue viva. Ela certamente servirá de inspiração para os que lutam pela revolução mundial! 

Viva a revolução chinesa!

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