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Retificando a crítica ao companheiro Vagner, presidente da CUT, mas fazendo outras

 

Divulgo agora a nota emitida por Vagner Freitas onde ele afirma que o dito por ele sobre a Greve dos Servidores não foi o que o Estadão  divulgou ao publicar entrevista distorcida onde supostamente Vagner declarara ser contra a Greve dos Servidores. Vagner, depois, veio a público contestar a versão do Estadão declarando que por ora é contra a greve geral de todos os servidores, Mas que a CUT apoia a greve atual!

Escrevi um artigo criticando a posição do companheiro Vagner com base na noticia veiculada pelo Estadão em:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,cut-nao-apoia-greve-dos-servidores-federais-mas-pressiona-dilma-,902827,0.htm

Ver o artigo que escrevi no dia 19 e publicado no dia 20 pela manhã antes da nota de Vagner vir a público neste mesmo dia:

http://marxismo.org.br/?q=blog/vagner-presidente-da-cut-respeite-os-servidores-federais-em-greve

Retifico aqui a minha crítica ao presidente da CUT sobre a parte de que ele teria declarado ser contra a greve. Faço outras, agora baseadas no que ele escreveu em sua nota pública.

Vagner explicitou em 20 de julho, na nota da CUT, o que realmente pensa. Disse que é a favor da greve desde que ela seja realizada depois de esgotadas todas as possibilidades de negociação. Disse ainda que, quanto mais negociação melhor, e que, por ora, descarta a greve geral de toda categoria. E completou afirmando que está fazendo esforços para que o governo Dilma abra as negociações.

Os trabalhadores sabem que a greve é um instrumento que pode forçar o patrão a negociar e atender as reivindicações. Uma negociação sem greve só existe quando a categoria está desmobilizada e sem ânimo para a luta. Nestas condições a negociação é mais uma engenhosa encenação entre as partes. Declarar que a greve deve ser realizada em última instância em uma situação na qual os servidores há anos não recebem reajustes e depois deles estarem há mais de 60 dias em greve, é fechar os olhos para a realidade.

A greve é um instrumento de luta onde se colocam frente a frente duas forças antagônicas, os trabalhadores de um lado e o governo e/ou patrões de outro. Quando os trabalhadores param e não mais aceitam as ordens de seu comando patronal, dos gerentes e chefetes, embrionariamente está posta a questão do poder, coloca-se a questão de quem manda. No momento da greve, ao parar a produção, qualquer que seja ela, os trabalhadores percebem que eles podem ser senhores de seu destino e não mais necessitam viver sob o comando de exploradores ou de governos a serviço dos exploradores.

É evidente que nenhum trabalhador vai à greve para adquirir essa consciência. Os trabalhadores entram em greve apenas e tão somente quando a outra parte se recusa a negociar ou não atende nenhuma das reivindicações. Então eles se unem para tentar impor sua vontade ao patrão, fazendo a greve. Quando os trabalhadores coletivamente dizem: ‘não, estamos em greve, não venderemos nossa força de trabalho’, há nessa atitude um brotar de consciência extremamente positivo.

Do ponto de vista daqueles que almejam o socialismo essa tomada de consciência é fundamental para dar aos trabalhadores a exata noção de sua força e de seu papel na sociedade.  Os reformistas fazem de tudo para esconder essa verdade aos trabalhadores! A greve deve ser utilizada sempre que a maioria a decide, raramente antes, em geral durante ou depois das ‘negociações’. No presente caso, a greve dos servidores é uma resposta ao descaso que estão enfrentando desde a era FHC. Portanto a greve não foi o primeiro recurso. O fato concreto é que a greve já tem mais de 60 dias e governo Dilma não negocia. Não abriu nenhuma perspectiva de  atendimento nem mesmo parcial das reivindicações. Isso o próprio Vagner reconhece.

Então, será que a habilidade de um negociador e sua influencia junto ao governo e ministros poderia substituir a mobilização e a greve geral da categoria? É evidente que não!

Vagner revela e diz agora que a greve geral de toda a categoria está por ora descartada, e diz isso exatamente no momento em ela está avançando na direção da greve geral e é a única forma de impor de fato a abertura de negociações. Por que adiá-la então?

Na frente de combate, quando o inimigo avança, ou você atira, ou é desalojado ou morto na trincheira sem combate. Negociar sem greve, depois de anos de recusa dos governos em dar reajustes é o mesmo que ir à guerra sem munição. Se um general propõe um acordo de cessar fogo depois de milhares de seus soldados estarem ávidos por combater e já estarem combatendo, cabe-nos perguntar: o que quererá esse general?

Na guerra, no front, quando os soldados já conquistaram várias trincheiras no terreno inimigo e podem avançar mais ainda com certa segurança, se nesse momento o general ordena: ‘voltem, recuem, abandonem as trincheiras conquistadas, eu, o vosso general, vou negociar para que possamos conquistar mais trincheiras’, certamente a soldadesca olharia de soslaio para o general e remoeria por entre os dentes: ‘esse homem está louco’. Depois de desmobilizar a tropa e desarmá-la, certamente o inimigo aceitará a negociação, imporá suas condições aos derrotados sem combate. Na condição de derrotada, a tropa antes mobilizada e com alta moral, agora não mais terá condições e ânimo para combater. Vagner sabe bem como se dá isso, é um sindicalista experimentado.

Na nota que Vagner divulgou ontem: ele diz estar a favor da greve! Excelente, que a declaração se desdobre em ação e luta!

No link que segue tomamos conhecimento que o governo decidiu por orientar que cada ministério receba em separado os representantes do Comando dos grevistas. Vagner disse que isso é bom e quanto mais negociações ocorrem melhor. O comando de greve declarou que não avançaram as negociações e as outras reuniões previstas foram adiadas. O Ministério do Planejamento negou que o adiamento resultou de uma ordem enviada pelo Palácio do Planalto. Ao que parece a tática é dividir as ‘negociações’ e fragmentar a mobilização, o governo anuncia que as dificuldades motivadas pela crise impedem que sejam anunciados reajustes para todos. Será anunciado reajuste para alguma categoria ou trata-se de aplicar a mesma linha que foi aplicada na Grécia e na Espanha? Sem mobilização unitária seremos a Grécia de amanhã!

Clique aqui para ler o artigo: Governo descentraliza negociação com grevistas

Desejamos sinceramente que Vagner pratique nos atos o apoio à greve e passe a ajudar de fato, nas ruas e na greve, para que ela avance na direção da greve geral de todos os servidores públicos federais. Isso não é contraditório aos esforços junto ao governo para que ele abra de fato negociação para atender as reivindicações.

A CUT deve começar a unificar as lutas e greves na direção de uma mobilização geral e unitária. Só isso poderá ajudar a ‘convencer’ o governo para que ele se coloque ao lado daqueles que o elegeu. Só isso poderá abrir uma possibilidade real de atendimento das reivindicações e enfrentar a crise.

Todo apoio à greve geral dos servidores públicos federais!

Que Dilma atenda as reivindicações!

Que os patrões paguem pela crise!

Nota de Vagner Freitas divulgada pela CUT 

A CUT apoia a greve dos servidores públicos federais

Categoria quer valorização profissional e não ser usada como instrumento de disputa partidária.

Nesta quinta-feira (19), ao ser perguntado se havia possibilidade dos servidores públicos federais fazerem uma greve geral, respondi que, em uma democracia, os conflitos se resolvem com diálogo, com negociação. Reforcei com as seguintes frases: “Quanto mais negociação, melhor” e “Nós não estamos colocando essa discussão (de paralisação geral), por ora. Se houver essa proposta, discutiremos com a sociedade”, conforme reproduziu corretamente o jornal Valor Econômico.

No entanto, o jornal O Estado de S.Paulo distribuiu para todo o país por meio da Agência Estado, uma matéria com o seguinte título: “CUT não apoia greve, mas pressiona Dilma”.

Para nós da CUT, a greve é um instrumento legítimo de luta e não temos receio de utilizá-lo sempre que se esgotam as possibilidades de acordo por meio da negociação. E os servidores públicos federais tiveram de recorrer à greve inúmeras vezes para conquistar melhores salários e qualidade de vida, inclusive durante o governo do presidente Lula, cujo projeto nós apoiamos, como todos sabem. É importante lembrar que todas essas mobilizações foram lideradas pela CUT, central que representa 90% dos servidores públicos federais do país.

Segundo levantamento feito pelo Sistema de Acompanhamento de Greves do Dieese, entre 2003 e 2010, os servidores federais e os trabalhadores públicos da União realizaram 248 greves para pressionar o governo Lula a abrir negociações – as principais reivindicações foram reajustes salariais e reestruturação dos planos de cargos e carreiras. Já entre 1995 e 2002, durante o governo FHC que defendia o Estado mínimo, foram 133 greves.

 Fiz essas considerações para que todos entendam que é preciso ler com cuidado as manchetes e os títulos dos jornais, especialmente em épocas de campanha eleitoral. Manchete e título é interpretação do editor responsável e, muitas vezes, quando lemos o conteúdo da matéria percebemos que o entrevistado não falou o que diz o título, como é o caso da matéria do Estadão. Basta ler a matéria do Valor para perceber a diferença de tratamento dado ao que foi dito.

Não só apoiamos a greve dos servidores como estamos fazendo uma série de audiências com ministros para cobrar a abertura de negociações, a apresentação de propostas. Só esta semana me reuni com a ministra Ideli Salvati (Relações Institucionais) e com os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) e Aloizio Mercadante (Educação), deixando clara a preocupação da CUT com a forma como o governo vem tratando os representantes dos trabalhadores no processo.

Em todas as audiências deixei claro que é preciso apresentar propostas, não apenas para o pessoal da Educação, mas para todos os servidores. Disse também que não aceitaremos a desculpa da crise. Queremos manter o poder de compra dos salários. 

Solicitei uma audiência para a próxima segunda-feira com o ministro Ayres Brito, presidente do Supremo Tribunal Federal, e meu pedido foi atendido. O objetivo é tratar da questão do pessoal da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União – Fenajuf. A audiência, no entanto, talvez tenha que ser adiada por motivos de saúde – contraí uma conjuntivite, mas espero melhorar até segunda-feira.

Tudo isso mostra o comprometimento da CUT, a maior central do Brasil, com a luta dos servidores públicos federais e o nosso compromisso em abrir espaço para negociação, conseguir conquistas para os trabalhadores.

Estaremos atentos a todas as formas de distorção, de manipulação das entrevistas que objetivem tumultuar o processo, desgastar a CUT ou influenciar nas eleições municipais de outubro. Nossa luta, no momento, é por melhores salários e condições de trabalho para os servidores públicos federais e nada mais.

Vagner Freitas, presidente nacional da CUT.

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