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Barricada do lado de dentro no acesso da Rua Silvio Bueno Teixeira. Foto: Serviço de Utilidade Pública (SUP)

Reintegração de posse criminosa!

Na semana passada a Polícia do Estado de São Paulo promoveu uma verdadeira tragédia ordenada pela Justiça Estadual com apoio da Prefeitura de Campinas/SP, despejando mais de 600 famílias da Comunidade Nelson Mandela.

Ou seja, mais uma criminosa reintegração de posse realizada pelo Estado brasileiro. Campinas foi palco de uma tragédia, e que expressa as contradições de perguntas básicas: Como pode ter tantos sem-teto apesar de tantas terras ociosas, no campo ou na cidade? Agora que uma terra que estava abandonada há mais de 20 anos passa a ter efetiva função social, agora é que o Estado atua? Agora que vem e destrói a vida de 600 famílias? Realiza uma desocupação forçada e onde estas famílias vão dormir? Afinal, para quê serve o Poder Judiciário? Afinal, para quê ser a Polícia Militar? Como marxistas, podem ser perguntas óbvias, mas, justamente por isso, são necessárias para escancarar, a partir das reivindicações objetivas e imediatas, a lógica da especulação imobiliária e a ação do capital na dinâmica das cidades, expondo a centralidade da propriedade para manutenção da ordem social vigente.

O relato abaixo mostra bem o drama das famílias da Ocupação Nelson Mandela, em Campinas. Faz um relato brilhante, detalhado, das tensas horas de confronto e de tentativas de negociação para minimizar os efeitos da situação concreta. Como um dos advogados das famílias, estando durante toda a madrugada, discutindo com os policias militares, com o governo Alckmin e com os secretários do Prefeito Jonas Donizete, pude ver de perto, respirando a fumaça da destruição, em um cenário de guerra, o caráter do Estado na sociedade capitalista, a disposição destes representantes da classe dominante irem até o fim, e a certeza de estar do lado certo da história.

Ao mesmo tempo, pude ver mais uma vez de perto o sofrimento da classe trabalhadora, a humildade e a profunda humanidade e solidariedade que permeiam entre as famílias, e sua capacidade de organização, para enfrentar os novos desafios, erguer a cabeça e seguir à luta.

Abaixo faço uma referência a um trabalho brilhante. O Serviço de Utilidade Pública (SUP) produziu uma reportagem completa com um registro histórico dos detalhes que determinaram os desfechos daquele dia trágico que marcará para sempre a vida daquelas famílias, manchando ainda mais a nossa história social, entre mentiras, manipulações e desrespeitos a princípios básicos dos direitos humanos.

O Estado brasileiro continua massacrando a população pobre da sociedade sem respeito aos seus direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal e Tratados Internacionais, e novas tragédias estão previstas para futuros próximos, onde uma quantia alta de dinheiro é gasta para benefício de uma única pessoa em prejuízo de centenas de outras pessoas que não tem seus direitos básicos a uma moradia digna garantidos.

Um relato necessário, das horas de pressão e desespero vividos pelas famílias dos guerreiros e guerreiras da Ocupação “Nelson Mandela”, uma leitura longa e densa, mas não tanto quanto o dia dessas pessoas. Um dia para ser lembrado, que não pode ser esquecido, um dia que se repetirá por muitos outros dias a cada dia enquanto os moradores do asfalto não enfrentarem esse problema com dignidade.

Um texto sensacional escrito por Carlos Canedo, cinegrafista e estudante de Direito, que esteve ao meu lado durante as 24 horas de profunda tensão, quando recebemos a notícia, via imprensa, de que a PM cumpriria, de fato, a reintegração, e o anoitecer sob as chamas, e as famílias sem ter onde dormir. Um texto que praticamente sintetiza ao drama da música de Cartola, falando do despejo na favela. Um texto que deve nos indignar, mas nos colocar em pé para buscar uma efetiva transformação da sociedade. Viva a comunidade Nelson Mandela! A luta continua! Boa leitura.

Leiam a reportagem! Vale a pena!

Para conhecer mais sobre a Comunidade Nelson Mandela, clique e assista este vídeo:

Para ver como as famílias se encontram após a desocupação, veja:

 

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