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Rechaçar a unidade nacional, desmascarar os imperialistas, defender as liberdades democráticas

Nota de Révolution (seção da Corrente Marxista Internacional na França) sobre as consequências dos atentados em Paris e a resposta necessária do movimento dos trabalhadores. 

Nota de Révolution (seção da Corrente Marxista Internacional na França) sobre as consequências dos atentados em Paris e a resposta necessária do movimento dos trabalhadores. A nota foi publicada originalmente em 17 de novembro. 

Os ataques em Paris despertaram repulsa e raiva de milhões de trabalhadores e jovens franceses. Três dias depois, esses sentimentos ainda estão muito longe de desaparecer. O medo de novos ataques é palpável. Ele é alimentado pelo evidente fracasso das autoridades para impedir a matança de sexta-feira, dez meses após o ataque a Charlie Hebdo. Este fim de semana as ruas das principais cidades da França estavam quase desertas, atestando essa ansiedade coletiva.

Aos poucos, porém, o medo e a raiva aparecem misturados com questões urgentes, questões que remetem a discussões importantes. Além dos organizadores diretos e responsáveis ​​pela matança, quem mais é responsável? De onde vem o denominado Estado Islâmico? Que tipo de apoio imperialista recebeu e continua a receber, direta ou indiretamente? Qual é exatamente o papel desempenhado pelo imperialismo francês nesse assunto? Qual é a real atitude da classe dominante e do governo francês frente às atuais organizações fundamentalistas, na Síria e em outros lugares? Quais são os objetivos reais da intervenção militar francesa na Síria?

O governo e os políticos burgueses fazem de tudo para afogar essas questões em um mar de mentiras e hipocrisia. É simplesmente uma guerra entre os (ocidentais) “defensores da paz” e da “democracia”, por um lado – e por outro a barbárie fundamentalista. No entanto, mesmo aqueles que engolem essas bobagens são atingidos por uma dúvida cada vez mais aguda. Depois de tudo, durante as últimas décadas, a medida em que as potências imperialistas – incluindo a França – intervinham militarmente no Oriente Médio, na medida em que semeavam a morte e destruição em nome da “paz” e da “democracia”, a barbárie fundamentalista não diminuiu! Pelo contrário, ela continuou a crescer. Desde então falta apenas um pequeno passo para compreender que, longe de ser o inimigo do fundamentalismo, os imperialistas têm a responsabilidade primeira (e muitas vezes os apoiam diretamente).

Esta verdade vai plasmando-se profundamente na consciência de milhões. O dever fundamental do movimento operário é contribuir para isso e esclarecer que existe uma névoa da propaganda que cobre a política externa da França e de todas as grandes potências imperialistas. A guerra não é mais que a continuação da política por outros meios. É realizada pela classe dominante na busca de seus próprios objetivos – ou seja, em última instância, a corrida por seus lucros. Na França, a destruição sistemática de nossas conquistas sociais é realizada em nome da “preservação do modelo social francês”. As guerras imperialistas são realizadas em nome da “paz”.

Com seu habitual cinismo sem limites, o governo, a classe dominante, a direita e a Frente Nacional exploram a emoção suscitada pelos ataques para seus próprios fins reacionários – para dividir os trabalhadores em linhas nacionais e religiosas, com o objetivo de adotar novas leis antidemocráticas de “segurança” para proibir manifestações, comícios, greves, reuniões públicas, etc. Isso já começou. O dever primeiro do movimento operário é denunciar estas manobras reacionárias e firmemente rejeitar os apelos de “unidade nacional” que servem de cobertura para estas manobras. Devemos rejeitar quaisquer restrições sobre os nossos direitos democráticos em nome da “segurança”, começando, naturalmente, com o estado de emergência que François Hollande anunciou querer prorrogar por mais três meses. O estado de emergência vai pesar enormemente sobre os nossos direitos democráticos, e é de duvidosa eficácia contra as ações terroristas que exigem pouca logística.

Os partidos de esquerda e o movimento sindical têm ainda mais necessidade de liberdades democráticas nesse momento, já que necessitam se mobilizar massivamente para proteger a comunidade muçulmana da agressão que está sofrendo e sofrerá dos grupos fascistas ou de indivíduos animados pelo discurso antimuçulmano dos políticos reacionários. Nesse caso não podemos confiar em nada desse Estado, uma vez que ele está infiltrado em todos os níveis por elementos racistas.

Por último, devem extrair as conclusões políticas gerais dessa nova tragédia que em última instância é consequência de um sistema mergulhado em uma crise profunda, um sistema em decomposição que se recusa a morrer e que semeia em todos os lugares a miséria, a guerra e o caos. Lenin disse que o capitalismo é “horror sem fim.” Esta ideia foi ilustrada de uma forma terrível em uma grande cidade, cuja população poderia acreditar estar imune a tais abominações. Temos de admitir que não, não era mais. A crise mundial do capitalismo e o caos das guerras imperialistas empurram a humanidade para os limites da barbárie. O movimento operário francês e internacional devem responder dando novo vigor ao objetivo de acabar com o capitalismo e seu “horror sem fim.”

Terça-feira, 17 de novembro, 2015

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