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Racha na CNB Maranhão

A Esquerda Marxista se posicionou contra as coligações com os partidos burgueses no Congresso Nacional do PT. Os problemas decorrentes da resolução majoritária, que apoiou tais coligações, agora estão espalhando-se pelo Brasil.
Em Minas o PT fez uma previa mas ninguem sabe se a prévia vai valer ou se o resultado será o apoio ao candidato do PMDB. Ou seja, os militantes são consultados mas a sua vontade pode ser desfeita por um acordo de cúpula.
No Paraná, o PT mendiga para um senador ser candidato a governador, ao invés de estar lançando e construindo sua propria campanha.
E, o mais trágico, os acontecimentos do Maranhão. O PT, neste estado, se construiu na resistencia contra o latifundio e os grandes proprietários de terra. Foi sempre a sua marca registrada. Agora, em nome da “coligação nacional” querem forçar os militantes a trabalharem pela política que sempre combateram.
Publicamos abaixo uma nota sobre a situação, feita por militantes do Maranhão que resistem a esta política.

Esquerda Marxista

***
EM DEFESA DA CNB DEMOCRÁTICA E POPULAR
O campo político petista Construindo um Novo Brasil (CNB) publicou ontem (24/05), no Jornal Pequeno, uma “nota oficial” desautorizando “quaisquer manifestações contrárias de militantes à aliança PT-PMDB no Maranhão”.
O texto “oficial” é uma tentativa de represália a vários dirigentes e militantes da tendência que vêm se manifestando sistematicamente contrários à adesão do PT ao grupo Sarney no Maranhão, em torno da eleição de Roseana ao Governo do Estado.
São sindicalistas de várias categorias, expressivas lideranças da CUT e da Fetaema, profissionais liberais, dirigentes do movimento estudantil, servidores públicos, homens e mulheres do campo e da cidade, integrantes da CNB, que não aceitam entregar a estrela do PT ao grupo Sarney.

Esta tese foi derrotada no Encontro de Tática Eleitoral, realizado em março, sob registro do dirigente nacional Paulo Frateschi. O referido encontro aprovou a aliança do PT com o PC do B, tendo o deputado federal comunista Flavio Dino candidato a governador.
Os supostos proprietários da CNB foram incapazes de convencer o conjunto dos seus próprios delegados a votar na tese de adesão ao PMDB. Agora, lançam mão de métodos autoritários para reverter o resultado do encontro e, mais grave, silenciar as vozes defensoras da aliança no campo democrático-popular.
A “nota oficial” é mais um capítulo da seqüência de ações coercitivas dos ditos proprietários da CNB, cujo capítulo mais degradante foi a entrega da camisa do PT à governadora Roseana Sarney, juntamente com um manifesto de apoio do qual não se viu nenhuma assinatura.
Esta prática (a omissão de assinaturas) repete-se na referida “nota oficial”, que teria como um dos signatários o secretário de Assuntos Agrários do PT, José Inácio Sodré Rodrigues.
Surpreso ao ver seu nome na lista de assinantes, Inácio Rodrigues disse que, se preciso, declara publicamente que não autorizou a colocação de seu nome no documento citado.
Além deste fato grave, soa até irônico o terceiro parágrafo do texto censor do comando da CNB:
Antes de fecharmos questão sobre a tática eleitoral a ser defendida por este campo, todas as possibilidades foram exaustivamente debatidas em plenárias, até chegarmos à conclusão de que o melhor caminho para o fortalecimento do PT no Maranhão e o melhor palanque para nossa candidata à presidência é a aliança com o PMDB.
Ora, o petismo maranhense inteiro sabe que não houve o mínimo debate interno na CNB sobre o caminho tático. O suposto comando da tendência adiou o quanto pode as discussões internas, deixando para a véspera do Encontro de Tática Eleitoral a decisão. E acabou perdendo.
Trata-se de um conjunto de práticas autoritárias e falácias políticas que só têm servido à ridicularização de uma parte do PT na opinião pública, ao desgaste interno e a uma exposição depreciativa de lideranças outrora consideradas e agora decadentes ideologicamente.
Não abrimos mão do projeto nacional. A eleição de Dilma é o foco de todas as nossas atenções. E acreditamos que o palanque formado por PT, PCdoB e PSB está alinhado histórica e ideologicamente ao projeto nacional. No Maranhão, com Flavio Dino (PC do B) governador.
Todos os nomes abaixo, signatários desta nota, com nome, sobrenome e concordância ao que está escrito, militam na CNB há pelo menos uma década. Sempre participaram dos debates internos, apoiaram a chapa que elegeu Raimundo Monteiro presidente do PT, mas não concordam com o caminho da adesão petista ao PMDB.
O nosso palanque é no campo democrático-popular, reforçando o projeto nacional de eleger a companheira Dilma Roussef presidente do Brasil, acelerando as conquistas alcançadas no governo Lula. Estas mudanças serão implantadas no Maranhão com Flavio Dino governador.
Estas são as nossas motivações e as nossas esperanças, fazendo o debate franco e democrático, como sempre foi e precisa ser o PT.

– Eduardo Pinto, presidente do Sindicato dos Ferroviários;
– Ed Wilson Araújo, jornalista, professor da UFMA e diretor de Comunicação do Sindsep;
– Chico Sales, presidente da Fetaema;
– Luiz Domingos, diretor do Sindicato dos Comerciários;
– Marcos Vandaí, dirigente da CUT;
– Marlon Botão, relações públicas e diretor de Formação do PT/São Luís;
– Marlon Henrique, servidor público federal e militante da CNB;
– Moacir Filho, dirigente do Sindicato dos Comerciários;
– Nivaldo Araújo, presidente da CUT;
– Ricardo Gonçalves, professor, militante e ex-coordenador da CNB;
– Marla Silveira, Setorial de Cultura do PT-MA;
– Domingos Cantanhede, Assessor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaema);
– Adão de Sousa Carneiro, PT de São Francisco do Brejão;
– Maria Adriana Oliveira , Coordenação de Mulheres da FETAEMA e da CUT/MA;
– Valdemar Ferreira, Vereador do PT de Satubinha;
– Francisco Domingos (Bilú), Jornalista e do PT de Santa Luzia do Paruá.

Veja a seguir a nota do setor sarneysista da CNB do PT do Maranhão:
O campo político interno do Partido dos Trabalhadores Construindo um Novo Brasil (CNB) vem esclarecer aos seus militantes, ao conjunto dos filiados do PT e à sociedade maranhense que está firme e convicto de seu posicionamento em seguir a Resolução do 4º Congresso Nacional do PT, no sentido de envidar todos os esforços para buscar candidaturas unitárias aos governos estaduais, como tarefa fundamental para eleger a companheira Dilma à Presidência da República e o empenho do Diretório Nacional para consolidar a chapa majoritária com o PMDB, principal partido da base aliada do Governo Lula.
Dentro desta compreensão a nossa contribuição para este momento histórico de consolidação do nosso Projeto Nacional, evitando o retrocesso do PSDB no comando do país e com a perspectiva de avançar nas conquistas do Governo Lula também no Maranhão, aprovamos a aliança do PT com o PMDB para a reeleição da Governadora Roseana ao governo do Estado, com a indicação do Vice-Governador pelo PT nesta coligação.
Antes de fecharmos questão sobre a tática eleitoral a ser defendida por este campo, todas as possibilidades foram exaustivamente debatidas em plenárias, até chegarmos à conclusão de que o melhor caminho para o fortalecimento do PT no Maranhão e o melhor palanque para nossa candidata à presidência é a aliança com o PMDB.
Temos tomado conhecimento pela imprensa das manifestações contrárias ao posicionamento político da CNB por parte de militantes que se reivindicam membros deste campo. Assim sendo, os representantes da CNB, que compõem o campo majoritário no Diretório Estadual e na Comissão Executiva Estadual, desautorizam quaisquer manifestações contrárias destes militantes à aliança PT-PMDB no Maranhão. Esclarecemos ainda que estes militantes que se intitulam representantes da CNB-MA não compõem o Diretório Estadual do PT ou a sua Comissão Executiva, e nem são delegados aos Encontros Estaduais que definem a política de alianças e candidaturas para 2010. Por fim, continuaremos prezando pelas orientações do nosso campo político em nível nacional e as determinações da Direção Nacional do Partido”.

Assinam a nota: Raimundo Monteiro dos Santos, presidente estadual do PT/MA; Fernando Antônio Magalhães de Sousa, secretário geral do PT; Raimundo Nonato Gomes Teixeira, secretário de Finanças do PT; Joab Jeremias Pereira de Castro, secretário de Comunicação do PT; Edmilson Irineu Carneiro, secretário de Assuntos Institucionais do PT; Maria do Perpétuo Socorro Lago Gomes, secretária de Movimentos Populares do PT; José Inácio Sodré Rodrigues, secretário de Assuntos Agrários do PT; Jucelina Ramos Vale, vogal da Comissão Executiva Estadual do PT e Joaquim Washington Luiz de Oliveira, vogal da Comissão Executiva Estadual do PT.

Fonte: Página13 – Redação Blog Esquerda Marxista

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Um comentário

  1. No Rio Grande do Sul não há uma unanimidade dentro do PT de apoio a esta coligação. Aqui o PT tem candidato próprio e o PMDB também. Eles se enfrentarão nas urnas e na campanha e esta coligação enfraquece, principalmente, o candidato do PT Tarso Genro. Se houver segundo turno, tudo indica que haverá, O PMDB vai receber o apoio até do PSDB isto já está definido.