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Quem é Barack Obama

Depois de Bush a disputa eleitoral nos EUA tem levado gente da esquerda liberal, ou seja, pequeno burguesa, a “torcer” por Barack Obama. Como se fosse a luta de “ricos contra pobres” nos EUA. Grande engano. Luiz Bicalho explica o programa de Obama.

As eleições nos EUA presidenciais nos EUA começam com a definição de candidatos pelos partidos Democratas e Republicanos (os dois maiores partidos burgueses). O partido democrata, que conseguiu uma vitória parlamentar nas ultimas eleições (fez maioria na Câmara dos deputados, que se renova de dois em dois anos nos EUA), tem chances de chegar a Presidência. Dois de seus candidatos desafiam a lógica até hoje existente na política dos EUA: uma mulher (Hylarry Clinton) e um negro (mestiço, na realidade): Barack Obama. A candidatura de Obama parece crescer e atingir níveis de participação popular, segundo os grandes jornais. Mas, o que defende na realidade o Sr. Obama?
Obama tem um site (www.barackobma.com) onde expõe suas propostas:
Sobre o Iraque: Obama declara-se contra a guerra e propõe a retirada das tropas em 16 meses. Propõe fechar a base de Guatanamo.
Irã – Se o Irã abandonar seus programas nucleares, nós ofereceremos incentivos para melhorar o comercio, investimentos econômicos e relações diplomáticas normais. Se não, aumentaremos a pressão econômica e o isolamento político.
Relações Internacionais – Os EUA devem liderar, liderar a luta contra contra os programas nucleares do Irã e Coréia do Norte e contra o terrorismo. Ampliar o tratado de não proliferação de armas nucleares, para aumentar as sanções a Coréia do Norte e Irã. Aumentar a presença diplomática (consulados), particularmente na África. Ajudar os estados mais fracos a reduzir a pobreza, a desenvolver seus mercados. Dar aos comandantes das tropas da ONU mais “flexibilidade”. Aumentará os investimentos para modernizar as forças armadas dos EUA. Aumentará em mais 65 mil os efetivos do exercito e em 27 mil os de fuzileiros.
Israel – Trabalhará por dois estados – Israel e Palestino.
Imigração: Obama propõe aumentar a segurança das fronteiras (leia-se – aumentar a repressão contra a entrada de imigrantes ilegais). Propõe, além disso, que se punam os empregadores que dão emprego a imigrantes ilegais. Que se aumente as oportunidades de imigração legal (não explicita como). Que se promova o desenvolvimento econômico do México para evitar a imigração (também não explicado). Propõe aumentar a velocidade e a capacidade do FMI de checagem dos ilegais.
Economia – Diminuir impostos pagos pelos pobres e pela classe média. No comercio Internacional, preservar os empregos americanos. Acordos comerciais que abram o mercado para os bons produtos americanos. Pressionará a OMC para que os paises acabem com subsídios ou outras barreiras contra as exportações americanas. Defende o NAFTA. Melhorar as condições e a re-qualificação dos trabalhadores demitidos.Mais créditos para o desenvolvimento de energia renovável. Liberdade Sindical, sem intimidação pelos empregadores. Defende o direito de greve. Aumento do Salário Mínimo. Criação de um sistema de avaliação dos cartões de crédito. Isentar da declaração de falência as famílias que provarem ter chegado a esta condição em virtude de despesas médicas. Fornecer um crédito fiscal a Empresas que mantenham suas matrizes nos EUA, que aumente o numero de seus empregados nos EUA, que forneça seguro saúde, aposentadoria e também que dê sustento aos empregados que servem as forças armadas.
Saúde – criar um novo seguro saúde nacional. Aumentar concorrência entre produtoras de remédios. Incentivar medicamentos genéricos.
Aposentadoria – As leis atuais de falência protegem os bancos antes dos trabalhadores. Obama propõe-se a inverter isso, a colocar os aposentados no primeiro lugar da lista de credores. É contra privatizar (ainda mais) a previdência.
Estes são os principais pontos encontrados no seu site, sobre o seu programa. Antes de comentarmos o que eles dizem, notemos que o que ele não diz: a revogação do Ato Patriótico, aquela lei dos EUA que permite a prisão sem provas, sem assistência legal, a lei que permite a polícia investigar por “caracteres raciais”, re-introduzida após ter sido derrubada nas revoltas negras do final dos anos 50 e início dos anos 60.
Obama faz o seu discurso na primeira primária – Estado de Iowa – onde ele explica que precisamos unir novamente a América, que não podemos aceitar a divisão entre estados republicanos e democratas. Obama propõe-se a aumentar os impostos para as empresas que transfiram fábricas para o exterior, que propõe desenvolver novas formas de energia para combater as empresas petrolíferas, que traga as tropas do Iraque de volta para casa e que una a América e o mundo no combate ao terrorismo e as armas nucleares.
Unir a América. Patriotismo. Combater as grandes corporações e manter o sistema. Garantir direitos trabalhistas e dos sindicatos. Se olharmos na história, num momento de grande crise, houve um presidente americano que também assim se dirigiu ao povo americano: Roosevelt.
Olhando o discurso, pode-se perguntar: porque nenhum analista não fez esta comparação? Mas Obama é um pouco mais que isso. Obama, no seu discurso para um sindicato de metalúrgicos relembra que ele apoiou a greve dos metalúrgicos. E que já disseram que “o que é bom para a GM, é bom para os EUA”, agora é hora de dizer “o que é bom para os sindicatos, é bom para os EUA”.
A verdade é que todos eles têm medo do que esta comparação significa: será que a crise chegou e a saída é outro Roosevelt? E lembremos, não há no discurso de Obama nenhuma “liberdade” que se possa defender. Aumento das verbas para Forças Armadas, aumento do efetivo das Forças Armadas, aumento do controle das fronteiras, mais verbas para o FBI. Nem uma palavra sobre o Ato Patriótico.
A crise econômica está chegando e pode ser que uma alternativa que a burguesia americana se dê é tentar construir outro “grande acordo” a moda Roosevelt. Mas, existem as condições para tal?
O mundo mudou desde 1930, não existe o stalinismo como a grande barreira que impeçam as massas de correr rumo a revolução. Por outro lado, as forças do marxismo ainda são fracas ao final destes 70 anos de luta. A reconstrução se faz lentamente, embora com alguns saltos, tanto positivos como negativos. Nós mantemos a confiança que a classe trabalhadora, inclusive nos momentos difíceis que estão chegando – e todo trabalhador americano que está perdendo emprego sabe o que isso significa – e temos certeza que os trabalhadores saberão resolver seus próprios problemas.
Muito provavelmente passarão pela experiência de ter um negro (mestiço, para os nossos padrões) na Presidência, passarão por um presidente que promete muitas coisas e fará várias delas. Por um presidente que continuará a defender o capitalismo (unir todos, o que inclui a burguesia), um capitalismo mais humano que não tem condições de existir e que se revelará ao fim e ao cabo tão brutal quanto o outro. Um presidente que defende uma política externa que leva os EUA de volta ao terreno da ONU, para dar mais “liberdade” aos comandantes da ONU, para aumentar as forças armadas e “reequipa-las”. Um presidente que diz defender a liberdade sindical, o direito de greve e os direitos civis e nada fala do Ato Patriótico.
Não, não serão tempos fáceis, mas a classe saberá encontrar seus caminhos e armar-se para a sua vitória em um futuro próximo.

Luiz Bicalho

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