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PT e PSDB: a coligação de BH (Parte 2)

Os cães estão longe de soltar o osso. E aos trabalhadores resta lutar e organizar-se para tirar esses cães da direção do Partido que um dia foi seu.

Não desanime!
E nem desista!
Venha lutar com a
ESQUERDA MARXISTA!

Luiz Bicalho

O Diretório do PT de BH aprova a coligação com 29 votos a favor, 26 contra e 3 abstenções. Justificativa copiada de Lula é que é só uma coligação municipal, nada tem a ver com a coligação nacional.

Segundo o presidente nacional do PT, o programa do PT e o programa do PSDB são muito diferentes, por isso não é possível a coligação. Entretanto, após a decisão da Executiva Nacional de vetar a coligação com o PSDB, mantém-se a coligação com o PSB. E daí?

Daí que o candidato da coligação com o PSB é exatamente um ex-secretário do governador Aécio Neves e o pivô de toda a coligação com o PSDB. Assim, o que foi vetado mesmo? O que foi vetado é que o PT é contra que o governador Aécio (PSDB) apóie o candidato (PSB) indicado por… Aecio? É isso mesmo que eles estão fazendo? É uma brincadeira de mal gosto?

A verdade é que o PT está fazendo hoje o contrário daquilo pelo que foi fundado. Ele foi fundado para dar voz aos trabalhadores. “PT, PT, PT: trabalhadores no poder” dizia o velho grito de guerra dos petistas. Só que este grito de guerra foi substituído pelos seus dirigentes pela velha máxima do “eu vou me dar bem”. E esqueceram a base social que os colocou no local onde estão. E se comportam como os dirigentes dos velhos partidos burgueses com quem se coligaram – PMDB, PL, PP do Maluf, PTB e tantos outros que se lembram que o programa existe quando é necessário explicar porque não querem se coligar com alguém e esquecem quando querem fazer aliança com outro.

Mas é programa do PT manter na presidência do Banco Central um ex-presidente de banco multinacional? Uma política que proporcionou nos últimos anos uma das maiores lucratividades bancárias? Uma política que desonera a folha de pagamentos (palavrão significando que diminuem os tributos que paga o empresário sobre a folha de pagamentos) para aumentar os impostos sobre o consumo (que são pagos pelos trabalhadores)? Que fez a reforma da previdência do setor público retirando direitos dos servidores aposentados e que vão se aposentar e agora está para fazer uma reforma tributária que retira fontes de financiamento da previdência social?

A realidade é que o PT optou por fazer uma coligação com a burguesia, abandonou o seu velho grito de guerra e se rendeu aos prazeres do whisky doze anos, das gravatas e ternos de marca, dos carrões e restaurantes caros e abandonou o peão do botequim e que come a quilo em restaurante barato. Afinal, neste governo em que todos ganham, em que todos mordem um pouquinho, quando vai chegar a vez do peão?

Os jornais especulam que Aécio seria o candidato dos sonhos de Lula, bastando mudar de partido. Enquanto ocupa o seu tempo no Rio em boates da moda, com “modelos” que saem nos jornais e TVs, Aécio faz o jogo do velho político mineiro que joga em todos os times, procurando juntar todos no mesmo prato e tentar comer o banquete principal que é a presidência em 2010 sem compromissos com ninguém. Com o apoio de todos se possível. De Lula e FHC.

Aí, depois de terem jogado este jogo em que os burgueses são mestres e os dirigentes do PT se comportam como elefantes numa loja de porcelanas, os dirigentes ficam surpreendidos pelas manobras de Aécio com o respaldo de Lula e criticam… Aécio. A líder do PT no Senado, uma pouco mais terra a terra, com sua franqueza (rudeza) habitual definiu que o culpado é o PT que não apresentou candidato. Mas, pergunta-se, por que não apresentou candidato?

Ora, porque o nome do jogo é coligar com a burguesia. O nome do jogo é destruir as ligações do partido com os trabalhadores, é esquecer os bons velhos tempos do “trabalhador no poder” e substituí-los pelo novo tempo de “juntar ricos e pobres”. O Diretório Nacional do PT dará a ultima palavra, com o PT de Minas dividido. É possível que a coligação seja derrubada? Sim, é possível, pois tem também no DN-PT muita gente de olho na Presidência.

Mas também é possível que prevaleça o jogo de Lula e a coligação seja aprovada. De qualquer forma o Diretório passará longe da perspectiva de voltar-se aos trabalhadores e abandonar a burguesia. Os cães estão longe de soltar o osso. E aos trabalhadores resta lutar e organizar-se para tirar esses cães da direção do Partido que um dia foi seu.

22 de Maio de 2008

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