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PSOL e PSTU, esquerdismo, oportunismo e capitulação à burguesia

O PSOL e o PSTU surgem do rompimento e de expulsões no PT. Mas uma de suas marcas foi a decisão, que seus fundadores já tinham adotado, de auto-proclamar seus partidos “revolucionários”. Estes dois partidos nascem de uma política esquerdista e rupturista e estão marcados por esta orientação que volta e meia se transforma em oportunismo. O que fazem atualmente nas eleições e na luta de classes é o resultado. O balanço é lamentável.

Quando a senadora Heloisa Helena (DS) e outros três deputados de diferentes tendências foram expulsos do PT truculentamente pela maioria da DN PT, nós propúnhamos a eles um combate. Primeiro para não serem expulsos e, depois, para serem reintegrados, recorrendo às bases do partido. Mas, eles já tinham feito seus planos aventureiros. Construiriam um novo partido como se fosse um PT das origens, portanto um novo partido operário independente e de massas. Pelo menos é o que diziam.

Assim como o PSTU que fez um acordo de saída com a direção do PT e agora engana seus apoiadores dizendo que foi expulso por causa da regulamentação do direito de Tendências no PT. Esta regulamentação existe até hoje e nunca impediu que nenhuma Tendencia do Partido tivesse locais próprios, finanças próprias e jornais publicos. Mas, o PSTU tinha decidido sair e usou a luta, travada por várias Tendencias do PT , contra esta regulamentação apenas para justificar sua ruptura anunciada por Valério Arcary num longo discurso no Encontro Nacional do PT no Anhembi, em São Paulo.

Estes dois partidos nascem da vontade rupturista destes militantes e estão marcados por esta orientação. Rompem partido, sindicato, central, como sectários esquerdistas infantis. 

Incapazes de compreender a relação das massas com suas direções se lançaram numa política ultra-esquerdista de denúncia da direção do PT ignorando toda a tática de Frente Única. Como uma seita passaram a ser dominados e obcecados pelo ódio ao PT como o centro de sua política e não viam mais nada. Com esta ótica tudo valia a pena desde que fosse contra o PT. Exatamente o mesmo sentido das declarações atuais de Plínio de Arruda Sampaio explicando que prefere Serra a Haddad.

É a mesma lógica da política stalinista dita do “Terceiro período” dos anos 1929 a 1935 em que acusava o Partido Social Democrata Alemão (SPD) de ser o “irmão gêmeo do nazismo”, de ser um partido “social-fascista”. Esta política levou o PC alemão a se unir ao partido nazista para um referendo, chamado referendo vermelho pelo PCA, em que juntos propunham a derrubada do governo socialdemocrata. O SPD ainda era como até hoje, o partido majoritário da classe operária alemã. O resultado foi a divisão do proletariado e a ascensão e vitória de Hitler. Como consequência, todos sabem, foram assassinados e massacrados tanto socialdemocratas como  comunistas, indistintamente, por anos a fio. Foi uma derrota histórica para a classe.

O PSOL, e nenhuma de suas correntes, entendeu isso pelo visto. Estão pelo Brasil afora cantando loas ao STF que acusou, julgou e condenou os dirigentes do PT sem provas e num ato explícito de condenação política e criminalização das organizações dos trabalhadores. O STF não está interessado em punir crimes, acabar com a corrupção ou julgar indivíduos. Ele ataca é a existência do PT “organização comandada por uma quadrilha” e prepara o terreno para criminalizar a existência da CUT. O jornal O Estado de São Paulo fez editorial, um dia depois da condenação de Zé Dirceu, acusando a CUT de organização criminosa e corrupta por causa de contratos de alfabetização firmados com a Petrobras há 10 anos. Depois do PT, a CUT e depois todos os sindicatos, o MST, a UNE, etc.

Em sua visão de seita o PSOL e o PSTU não conseguem ver nada disso e estão felizes e apoiando o julgamento de inquisição e as condenações feitas pelo STF, como se este não fosse um instrumento político da classe dominante.

A política de colaboração de classes e os métodos burgueses de política usados pela maioria da direção do PT aplainaram o terreno, permitiram estes ataques. Dirceu, Lula e outros são responsáveis por governar para os capitalistas, serem submissos ao imperialismo, apoiarem guerras imperialistas, ocupar o Haiti militarmente, manter o Brasil como país dependente e dominado. Mas, o privilégio de acertar contas com eles deve ser do proletariado brasileiro e internacional. Não da burguesia.

A grande questão é que os socialistas de verdade devem combater para ganhar a maioria do proletariado para suas posições e aí a questão será resolvida. Até lá a criminalização dos dirigentes das massas pelas instituições das classes dominantes, só pode trazer confusão, desanimo e desmoralização entre a vanguarda e os trabalhadores conscientes.

Lenin, nunca apoiou o terrorismo individual e combateu os socialistas-revolucionários abertamente por isso. Mas, jamais hesitou em defender os mesmos socialistas-revolucionários quando eram presos ou ameaçados de execução pela polícia czarista. Esta é a posição de classe.

Duas manifestações infantis e sectárias do PSTU e de Zé Maria, seu presidente, e mais uma pérola do PSOL, que na lógica de sua posição acaba se aliando com DEM e PSDB, ilustram sua falência política como partidos de esquerda revolucionária. E que confirma seu caráter de seita e de partido pequeno-burguês, no caso do PSOL.

PSTU exige coerência e justiça do STF

Em artigo assinado por Zé Maria, em 26/09/2012, o PSTU vende ilusões no caráter e no papel do STF e exige do STF que ele seja justo e imparcial. Zé Maria exige a condenação. E inverte a questão dizendo que se o STF não condenar tanto o “mensalão do PT como o mensalão de Minas”, o STF “estará apenas confirmando mais uma vez o caráter político, e não jurídico, da atuação dos tribunais em nosso país.” Como se ainda houvesse necessidade de provas sobre o caráter de classe do STF!

Diz Zé Maria, o moralista, que “O STF está frente ao desafio de, além de condenar aqueles contra os quais haja provas de corrupção no processo em curso do mensalão, também julgar com celeridade, e condenar aqueles contra os quais haja provas de corrupção no processo de mensalão de Minas. Isso para não falar de tantas outras denúncias paradas nos escaninhos da Justiça brasileira. Se não o fizer, estará apenas confirmando mais uma vez o caráter político, e não jurídico, da atuação dos tribunais em nosso país.” (http://www.pstu.org.br/autor_materia.asp?id=14580&ida=1)

Num outro artigo de 09/10/2012, o PSTU faz coro com toda a mídia capitalista exigindo unidade do STF e condenação unanime dos acusados do mensalão: “Além de José Dirceu, o ex-presidente do PT, José Genoíno também foi condenado. Votaram pela absolvição de Dirceu até agora o ministro revisor do processo, Ricardo Lewandowski, cuja atuação está mais para a de um advogado do PT, (grifo meu, SG) assim como o ex-funcionário de Dirceu na Casa Civil, ministro Dias Toffoli, indicado por Dilma.”(http://pstu.org.br/nacional_materia.asp?id=14597&ida=0) . Como uma seita o PSTU colhe com seus resultados eleitorais a resposta da classe trabalhadora e mesmo da juventude.

O PSOL vai mais longe e se alia ao DEM e PSDB

O PSOL publica em, 31/08/2012, em seu site, uma matéria da Agencia Brasil, sem nenhum comentário, sobre declarações do reacionário Procurador Geral da República onde se lê: “Gurgel diz que condenações do mensalão derrubam tese de que acusação era delírio

Brasília – O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse hoje (31) que as primeiras condenações na Ação Penal 470, conhecida como o processo do mensalão, são a prova de que o Ministério Público Federal (MPF) fez um trabalho bem feito, embasado em provas concretas.

“Nós temos ainda um longo caminho pela frente no julgamento, mas as primeiras condenações são muito importantes, porque demonstram que a acusação apresentada pelo Ministério Público está longe de ser o delírio que a defesa concebeu”, disse o procurador, na posse do novo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Felix Fischer”.

Seria inútil aqui listar todas as declarações e comemorações feitas por dirigentes do PSOL após as condenações do STF. Mas, isto tem uma lógica política implacável. O ultra-esquerdismo  muitas vezes termina se transmutando em direitismo, oportunismo. E a pérola veio com a “Nota do PSOL Recife e do Mandato Cidadão de Edilson Silva sobre reunião com lideranças da oposição no Recife”. Este homem é o presidente estadual do PSOL e membro de sua Executiva Nacional. Ele diz na Nota: “… vamos procurar vereadores identificados honestamente com demandas específicas da nossa cidade; que vamos procurar o próprio prefeito Geraldo Júlio (do PSDB, nota SG), para apresentar nossas reivindicações e posicionamentos e também este novo e saudável formato de representação política de parte dos cidadãos e cidadãs recifenses. Com este mesmo intuito aceitamos o convite do deputado estadual Daniel Coelho (PSDB) para reunirmos e debatermos, ainda informalmente, a articulação de forças para qualificar e robustecer a oposição no Recife.” (Grifos meus, SG) (http://www.edilsonpsol.blogspot.com.br/2012/10/nota-do-psol-recife-e-do-mandato.html)

Não é à toa que Heloisa Helena pretende fazer um partido com Marina Silva, aquela que filiou 500 empresários ao PV. A APS, corrente política que dirigia o PSOL rachou em pedaços um acusando o outro de eleitoralismo e oportunismo.

Os marxistas devem tomar distância destas seitas incapazes de compreender a situação e as relações das massas com suas direções e continuar seu trabalho nas organizações de massa preparando-se para a próxima crise e para os choques destas massas com suas direções. 

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