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Primeiro dia do Seminário da Esquerda Marxista aborda a luta contra o oportunismo

Ou se adapte ao capitalismo e faça concessões, ou definhe até deixar de existir, porque não há possibilidade de resistir ao que existe. Essa posição política constitui um dos pilares do que se conhece historicamente como oportunismo. Esse também foi tema do debate “A luta contra o oportunismo”, que abriu o Seminário da Esquerda Marxista, que ocorre dias 21 e 22 de abril. Em meio à aprovação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, os paralelos com a situação atual evidenciaram a relevância da questão para os dias atuais.

Ou se adapte ao capitalismo e faça concessões, ou definhe até deixar de existir, porque não há possibilidade de resistir ao que existe. Essa posição política constitui um dos pilares do que se conhece historicamente como oportunismo. Esse também foi tema do debate “A luta contra o oportunismo”, que abriu o Seminário da Esquerda Marxista, que ocorre nos dias 21 e 22 de abril, antecedento o 5o Congresso da organização. Em meio à aprovação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, os paralelos com a situação atual evidenciaram a relevância da questão para os dias atuais.

Começando por abordar as raízes históricas desse fenômeno político, Riboaldo Tartarana enfatizou o surgimento da concepção teórica do oportunismo em meio à socialdemocracia alemã do início do século XX. Sua base material adveio do desenvolvimento das forças produtivas provocadas pelo capitalismo antes de sua fase imperialista, que proporcionaram a concessão de reformas sociais. Ao mesmo tempo, observou-se a formação de uma burocracia e de uma aristocracia operária que se adaptaram às condições de vida proporcionadas nesse contexto. A derrota da Comuna de Paris, em 1871, compôs outro impulso para essa tendência que pregava a moderação das posições revolucionárias.

Essa situação criou as condições para a manifestação de uma ideia equivocada, que concebia como possível a superação gradual do capitalismo através de seu desenvolvimento incessante, descartando a necessidade de uma revolução social, assim como todas as concepções do socialismo cientifico formuladas por Karl Marx e Friedrich Engels. Expressa de forma mais completa por Eduard Berstein, essa teoria foi combatida por vários revolucionários em seus primeiros e subsequentes anos. Em suas manifestações práticas, combateu os processos revolucionários e pregou a submissão dos trabalhadores às condições possíveis em meio ao regime capitalista em crise.

Nos dias de hoje, essa posição política continua em vigor e, ainda pior, compõe o pensamento majoritário das direções do movimento operário, popular e da juventude. Essa situação consolidou-se a partir de um longo processo de degeneração de dirigentes e organizações inicialmente sadios, combativos e que oscilavam entre uma posição revolucionária e uma posição reformista, expressando o que historicamente ficou conhecido como centrismo. O exemplo mais representativo e rico de lições consiste na trajetória do Partido dos Trabalhadores (PT), que surgiu como partido operário independente e se tornou parte do aparato burguês de dominação da classe trabalhadora.

A tarefa dos revolucionários marxistas para combater o fenômeno do oportunismo consiste em relacionar os problemas sociais existentes à superação da atual situação das coisas. Em termos concretos, a ação dos oportunistas trata-se de sustentar as condições sociais do regime capitalista e empreender ações por meio do estado burguês para alcançar seus objetivos. Diferencia-se assim dos revolucionários marxistas, por que esses querem destruir esse estado e todas as ligações que sustentam essa forma de ele existir.

Para esses, diferentemente dos reformistas de várias colorações, a tarefa não consiste em rebaixar seu programa para o nível de consciência majoritário entre as massas exploradas. Pelo contrário, o trabalho passa por aceitar que serão minoria e prepararam-se para conectar-se às amplas massas quando sua consciência mudar devido às condições de crise incessante sob as quais estão colocadas.

Isso implica em explicar constante e pacientemente a necessidade de uma revolução socialista para a superação definitiva das mazelas e contradições vividas na sociedade. Contudo, lançam-se nas lutas cotidianas pelas reivindicações populares, entendendo que elas são um aspecto fundamental para o desenvolvimento da consciência de classe necessária para a formação de uma consciência revolucionária frente à barbárie social em curso.

Manter uma posição revolucionária frente ao caos social, à decadência das classes dominantes, à degeneração das direções dos movimentos (expressa pelo reformismo de direita, de esquerda e pelo oportunismo) e de uma vasta confusão ideológica implica em uma pressão incessante sobre uma organização revolucionária, que somente poderá ser solucionada com a vitória da revolução socialista. Por isso, a formação teórica dos militantes faz-se um aspecto importante para a composição de um partido de revolucionários. Torna-se necessário estudar os fenômenos históricos para reconhecê-los quando se manifestam.

Da superação do oportunismo pela concepção revolucionária depende um futuro próspero para a humanidade, ou será aprofundada a barbárie capitalista já em curso. Para isso, os revolucionários marxistas prepararam-se, organizam a classe trabalhadora e constroem um partido com ideias claras, capaz de estabelecer ligações com as amplas massas que precisam entrar em cena para mudar a realidade.

Nesta sexta-feira, o Seminário da Esquerda Marxista continua com o debate “Nossa luta pela construção de um partido de classe no Brasil”. Hoje também ocorre a abertura do 5º Congresso da Esquerda Marxista, que segue até domingo, com a participação de convidados de outras organizações políticas. Os debates dos dois eventos têm como objetivo preparar os militantes da Esquerda Marxista e seus apoiadores para o próximo período da luta de classes no Brasil, o qual terá importantes desdobramentos com a situação desencadeada com a aprovação do impeachment na Câmara dos Deputados.

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