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Por que o prefeito Carlos Grana colocou a GCM para intimidar sindicalistas, professores e estudantes?

Dia 24/02/2016, o Sindicato dos Professores do ABC (Sinpro ABC), filiado à CUT, esteve no Paço Municipal de Santo André para um ato nacional contra os cortes realizados pelo governo federal de recursos da educação, em especial do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação para a Docência (PIBID), que atingiu estudantes trabalhadores da Fundação Santo André (FSA), UFABC e UNIFESP.

Divulgamos abaixo, nota que denuncia a repressão sofrida por sindicalistas, professores e estudantes em Santo André, na última quarta-feira (24/02).  
 
Dia 24/02/2016, o Sindicato dos Professores do ABC (Sinpro ABC), filiado à CUT, esteve no Paço Municipal de Santo André para um ato nacional contra os cortes realizados pelo governo federal de recursos da educação, em especial do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação para a Docência (PIBID), que atingiu estudantes trabalhadores da Fundação Santo André (FSA), UFABC e UNIFESP.
 
Professores e estudantes dessas três instituições de ensino estavam presentes. Também estávamos lá fazendo nossa luta sindical, pois a FSA não pagou até agora o 13o dos professores, não deposita o FGTS desde julho de 2015, vem atrasando salários desde maio de 2015 e quer reduzir os salários. Tudo isso ocorre com o apoio da Prefeitura Municipal de Santo André (PMSA). A FSA foi criada pela PMSA, e está não repassa a subvenção municipal desde 2004.
 
Hoje (24/02) faríamos uma aula pública para denunciar esta situação. Tínhamos programado uma atividade politico-cultural em frente ao prédio da prefeitura. Levamos cadeiras e montamos uma sala de aula, para explicar a importância do poder público garantir investimentos na educação. Quando tentamos entrar com o carro de som do sindicato no paço, fomos impedidos de forma truculenta e intimidatória pela PM e GCM. Cerca de 40 GCMs e 12 PMS se posicionaram em frente ao carro de som e começou a intimidação. Um PM sacou a arma (!!!!!) e um GCM se aproximou de nós com uma calibre 12 armada talvez com a chamada “munição não-letal” (balas de borracha). Isso tudo no dia em que a Câmara dos Deputados aprovou a Lei Antiterrorista.
 
Na verdade as forças da repressão já nos tratam como terroristas. A novidade é a militarização das GCMs em todo o Brasil, que agora são uma cópia malfeita das PMs, com tropas de choque e setor de “inteligência”, para filmar e fotografar os perigosos e ameaçadores professores e estudantes universitários. Na nossa manifestação identificamos infiltrados da P2 e da “inteligência” da GCM. Para o azar deles, não somos amadores em organização de manifestações. Nossa pergunta ao prefeito Carlos Grana: tudo isso era realmente necessário? Só queríamos fazer uma aula pública, com leitura de poemas e intervenções em defesa da educação. Quando palavras, poemas, sindicalistas, professores e estudantes são considerados uma ameaça e são tratados como o “inimigo interno” (era assim que a ditadura nos chamava) é sinal de preocupação.
 
Queríamos ser recebidos pelo prefeito ou secretários, para tratar dos temas citados. Em vez do diálogo, a repressão. Muitos brasileiros e brasileiras perderam a liberdade ou a vida lutando pela democracia. Infelizmente muitos que estiveram nessa luta agora se unem às forças da direita e adotam comportamentos e condutas iguais aos históricos inimigos da classe trabalhadora. Só nos resta pedir o apoio dos movimentos popular e sindical da região do Grande ABC. O Sindicato dos Professores do ABC continuará mobilizando sua base para cobrar da PMSA os 28 milhões que deve para a FSA, dinheiro que poderia ser usado no pagamento dos salários atrasados. Com muita indignação, mas com muita disposição de luta, continuaremos levando para as ruas nossas reivindicações, seguindo as orientações de nossa central, a Centra Única dos Trabalhadores (CUT). E seguiremos perguntando: por quê o prefeito Carlos Grana mandou a GCM intimidar sindicalistas cutistas, professores e estudantes? 
 
Marcelo Buzetto – Membro da Diretoria Executiva do Sinpro ABC/CUT e professor no Centro Universitário Fundação Santo André

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