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Por que o dia 10 de novembro foi um fracasso?

No editorial do Foice & Martelo 107, sobre o bloqueio à greve do dia 30 de junho, escrevemos: “Convocada pelas centrais sindicais, com destaque para a CUT, a mobilização já contava com uma rígida camisa de força, apenas um dia de greve e em uma sexta-feira, impedindo sua repercussão nos dias posteriores nos locais de trabalho. Organizada dois meses depois de 28 de abril, esta greve geral não foi construída na base pela CUT, e os sindicatos ligados às centrais mais pelegas (Força Sindical, UGT, etc.) jogaram claramente contra a paralisação de categorias”.

No último dia 10 de novembro, vimos a continuidade desse esforço por parte das direções dos aparatos de frear o movimento dos trabalhadores. O fracasso da paralisação nacional contra as reformas tem motivo e responsáveis. As centrais sindicais (CUT, Força Sindical, CTB, CSB, NCST e CGT) e seus dirigentes não fizeram nada para que esse dia realmente significasse algo. Pelo contrário, fizeram o possível para barrá-lo. Quem acompanhou o processo de “construção” da paralisação pôde perceber. Primeiro, no final de outubro, chamaram uma greve geral, que em seguida se transformou em apenas um dia de paralisação, numa sexta-feira. As centrais só foram “bater o martelo” sobre o assunto no dia 6 de novembro, e não organizaram piquetes, greves nas fábricas etc., ou seja, nenhuma mobilização real foi feita.

O resultado dessa ausência de mobilização está nos números de manifestantes que saíram às ruas. Em São Paulo, no maior ato, apesar da direção alegar a participação de 20 mil, o número real foi de apenas dois mil na Sé, chegando, após passeata, aos mil e quinhentos no Palácio dos Bandeirantes. Em Brasília, foram 500 os manifestantes.

No dia 8, Vagner Freitas, presidente da CUT, declarou que se Temer “colocar a votação da reforma previdenciária pra esse ano ainda, no dia da votação temos que construir um dia nacional de luta”. Essa é a disposição desses dirigentes de aparatos que, como já explicamos, não acreditam mais que é possível derrubar o sistema, não confiam mais na classe operária. Por isso são incapazes de apresentar uma saída concreta para a atual situação.

Todas as manifestações que ocorreram, desde o Carnaval “Fora Temer” até o dia 24 de maio, demonstraram que existe uma enorme disposição de luta, que há um ânimo no seio da classe operária para derrubar Temer, suas reformas e o Congresso Nacional inteiro. As direções sindicais, ao cumprir esse papel covarde, se tornaram freios e estão, aos poucos, perdendo a confiança de suas bases. O momento atual é de reflexão por parte dos trabalhadores. Não há um refluxo do movimento, ou o crescimento de uma onda conservadora enquanto a classe se cala. Eles estão analisando tudo o que está ocorrendo e em breve devem dar as caras mais uma vez. Ainda não sabemos o dia e a hora em que isso deve acontecer, mas sabemos que esse momento vai chegar. Novas explosões se avizinham.

Entretanto, os marxistas não devem ficar parados. O papel de cada um que quer derrubar o capitalismo é trabalhar constantemente para pôr fim a esse sistema. Devemos continuar organizando nossas lutas nas escolas, nos bairros, nas fábricas. É preciso explicar a situação atual e, ao mesmo tempo, seguir no combate às contrarreformas e por um Governo dos Trabalhadores.

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