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Politizar o ódio e organizar a indignação

Nota da redação: Publicamos abaixo o texto de Pedro Soares. Pedro é secundarista, militante do PSOL no Rio de Janeiro e simpatizante da Esquerda Marxista.

O ódio é o ponto principal dos sentimentos das massas em relação à política. Ódio dos políticos corruptos e dos grandes empresários corruptores. Ódio de um Congresso que perdeu qualquer pudor e de um presidente que comprou votos a luz do dia. Ódio das condições de vida que só pioram, com o desemprego, a queda da renda e a precarização. Ódio de um futuro ainda mais tenebroso com as Reformas que tramitam em Brasília. Junto com ele, vem a percepção de algo que a esquerda fala a bastante tempo: que os políticos e a democracia burguesa são incapazes de resolver os problemas populares. Isso se mostra no alto número de votos brancos, nulos e abstenções nas últimas eleições, junto com o sentimento geral de que nenhum político presta.

Ao contrário do que muitas pessoas na esquerda defendem, esse ódio é bom. Não é de esquerda por si só, mas abre espaço para a propaganda contra tudo que aí está. É nosso dever, portanto, politizar esse ódio e transformá-lo em ódio de classe contra toda a burguesia e seus defensores, explicando que a corrupção é inerente ao capitalismo e não resultado de algumas frutas podres.

O problema da palavra de ordem de Diretas Já! é que ela não se conecta a esse sentimento das massas, além de não resolver nossos problemas, apenas apaziguar a crise política que não cabe a nós, revolucionários, resolver. Se a esquerda não conseguir captar as massas nesse momento, abre espaço para opções antisistêmicas de direita, como Bolsonaro. Nós vimos nos Estados Unidos o resultado da capitulação de Bernie Sanders e de seu pragmatismo em defesa do “mal menor”.

Por isso, o PSOL deve se apresentar enquanto alternativa independente de esquerda socialista, não se confundindo jamais com o PT, como faz agora participando do Vamos!. Este é um momento em que o PSOL deve acumular forças e, dentro dele, deve o fazer a esquerda revolucionária.

As direções petistas e das outras centrais já demonstraram que não possuem nenhum interesse em fazer a luta de verdade contra Temer e as reformas, sabotando a greve do dia 30/06 e paralisando toda a luta. Os setores à esquerda do PT devem buscar organizar essa luta ao invés de ficarem em compasso de espera das direções petistas. Devemos nos mirar no dia 18/05, quando um ato convocado pelo Facebook do dia pra noite juntou 10 mil pessoas no Rio de Janeiro. Isso pressionaria as direções pelegas e as forçaria a se movimentar para organizar uma Greve Geral que derrote Temer e as Reformas.

Se botar enquanto opção independente e antisistema é o caminho que possibilita organizar a indignação atual e dar a ela uma forma, um programa e uma liderança que possam transformar esse sentimento em um avanço real na luta, captando setores desiludidos com o PT, setores que só agora começam a pensar em política e em especial a juventude, que já está em movimento protagonizando lutas e ocupando escolas e universidades, mas ainda cai nas armadilhas das seitas e do anarquismo. É necessário forjar essa nova geração através do método do marxismo-leninismo e sua forma nos dias de hoje, o trotskismo.

Nenhuma revolução acontece do dia pra noite, em todas elas houve um longo trabalho de formação de quadros e lideranças, de acumulação de forças e de construção de um partido forte do proletariado. No atual momento, esse é o nosso dever, e é um momento propício para isso no Brasil e no mundo. Mas é necessário que tenhamos um programa e uma atuação revolucionária para construir uma vanguarda forte e resoluta, que não terá medo de enfrentar e derrubar o capital.

Por isso hoje devemos levantar a palavra de ordem de Assembleia Popular Nacional, que indique um rompimento com esse sistema odiado pela população e que não busque reabilitá-lo. Somos minoria na esquerda brasileira, mas devemos unir todos aqueles que defendem essa palavra, que denunciam o modelo de representação burguês e que defendem um governo dos trabalhadores, em oposição a alternativa das Diretas.

FORA TEMER E O CONGRESSO NACIONAL!

POR UMA ASSEMBLEIA POPULAR NACIONAL E UM GOVERNO DOS TRABALHADORES!

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