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Política e bom senso

Eu não gosto do bom gosto

Eu não gosto de bom senso

Eu não gosto dos bons modos

(senhas – Adriana Calcanhoto)

A revista eletrônica Carta Maior[i] apresenta um artigo que está sendo reproduzido por email e nas redes sociais de autoria de Katarina Peixoto, intitulado Aécio, Bolsonaro, Feliciano: legado de junho?

Eu não gosto do bom gosto

Eu não gosto de bom senso

Eu não gosto dos bons modos

(senhas – Adriana Calcanhoto)

A revista eletrônica Carta Maior[i] apresenta um artigo que está sendo reproduzido por email e nas redes sociais de autoria de Katarina Peixoto, intitulado Aécio, Bolsonaro, Feliciano: legado de junho? (http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Aecio-Bolsonaro-Feliciano-este-e-o-legado-de-junho-/4/31935)

 

No artigo, a autora argumenta que a pauta do moralismo foi apropriada pela direita que dela se serve para atacar o governo do PT. Sim, podemos muito bem concordar com ela. O que faltou dizer é que esta “pauta” foi criada e alimentada pela política do PT nos anos 90, que deixou de lado o socialismo em defesa da “ética na política” e depois em nome do “realismo”, da “governabilidade”, fez alianças a torto e a direita, mais a direita que a torto, e assumiu todas as modalidades de “governabilidade” da burguesia, entre as quais a corrupção que enoja jovens e trabalhadores.

A autora contrapõe o voto em São Paulo para Aécio e Feliciano ao voto em Minas contra o PSDB. Declara que o governo do PT foi muito diferente do governo do PSDB e clama o voto em Dilma porque

“Por fim, sobre o caráter da Dilma. É preciso apresentar a sua “cepa” política: o Brasil tem, talvez pela primeira vez na sua história, uma estadista, republicana e democrática, à frente do país. Essas características estão fincadas na história do trabalhismo, da resistência à ditadura e da construção da democracia por dentro das gestões democráticas e populares. É uma trajetória de compromisso com a democratização do estado e universalização de direitos. É a história da construção mesma do Estado nacional, como experiência democrática, popular e nacionalista.”

Uma ótima defesa de Dilma, dentro da lógica que temos que votar e manter o capitalismo. Entretanto, a autora, os defensores de Dilma, os estrategistas de Aécio, todos, procuram esconder que nestas eleições mais de 39 milhões de pessoas se recusaram a votar em qualquer dos candidatos, abstendo-se, votando em branco ou nulo. Estes sim, fazem parte dos verdadeiros herdeiros de junho. Se analisarmos bem, o voto em Minas, o voto em São Paulo, perceberemos que o PT perde o voto nos cinturões vermelhos, nos bairros operários e proletários de Minas e São Paulo.

Nós convidamos os trabalhadores e jovens que se abstiveram, os que hoje tem raiva e com razão, a votar em Dilma para se defenderem contra Aécio e o domínio direto do imperialismo no Brasil (vide Armínio Fraga como proposta de Ministro da Fazenda). Entretanto, não escondemos os limites pretensamente “nacionalistas” de Dilma e a sua tentativa de cada vez mais se libertar do caráter “dos trabalhadores” com o qual o Partido de Lula e Dilma foi construído. E que tendem a conduzir o PT a uma derrota maior ainda, haja visto que fazem o balanço que o responsável pela derrota do PT em São Paulo foi o próprio PT e nomeiam o candidato derrotado (Padilha) para coordenador da campanha! Faltou pegar o sorvete e acertar a própria testa!

E sem que outra alternativa esteja surgindo. Nós vimos na Espanha um movimento parecido com o das jornadas de junho e, ao contrário do que a autora apregoa, não teve como resultado a “volta da direita” e sim o surgimento de um partido (o Podemos) e o fortalecimento da Esquerda Unida que não estava no governo. A questão no Brasil, tem razão a autora…

“De nada adianta cantar Bob Dylan em lamento. A resposta não está soprando no vento.”

A resposta não está no vento. Está na defesa do socialismo, na defesa dos direitos dos trabalhadores e jovens, como tem feito a Esquerda Marxista. Construir um amplo movimento de massas que possa se expressar partidariamente, esta é a tarefa que todo socialista deveria pensar como fazer. Empolgar-se com o republicanismo e nacionalismo de Dilma são meras palavras que o primeiro vento vai levar.

Eu gosto dos que têm fome

Dos que morrem de vontade

Dos que secam de desejo

Dos que ardem

(Senhas – Adriana Calcanhoto)

 



[i] Carta Maior se define como uma revista nascida do Fórum Social Mundial de 2001 e especializada em direitos humanos e movimentos sociais dentre outros. Tem entre seus editores vários nomes públicos associados a esquerda como Leonardo Boff e Emir Sader. Ver http://www.cartamaior.com.br/?/CartaMaior/Quem-Somos/14/

 

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