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Pela emancipação das mulheres trabalhadoras!

Devemos decisivamente rejeitar o feminismo burguês e pequeno-burguês, os quais vêem o problema como um conflito entre homens e mulheres e não como uma questão de classe.

Para muitas feministas a opressão das mulheres está baseada na natureza dos homens: não é um fenômeno social, mas biológico. Essa é uma concepção atrasada, não-científica, não-dialética e não-histórica da condição humana, da qual apenas conclusões pessimistas podem surgir. Pois se aceitarmos que há algo inerente aos homens que os induz a oprimir as mulheres, fica difícil ver como poderemos mudar o mundo. Por esse caminho, deveríamos concluir que a opressão das mulheres pelos homens sempre existiu e sempre existirá enquanto existirem homens.

O marxismo explica que esse não é o caso. Para os marxistas, a causa original de todas as formas de opressão consiste na divisão da sociedade em classes. O estudo da história através dos métodos do marxismo mostra que, junto com a propriedade privada e o Estado, a família burguesa nem sempre existiu, e que a opressão das mulheres teve início com a divisão da sociedade em classes. Logo, a abolição dessa opressão está intrinsecamente ligada à abolição das classes.

Isso não significa que a opressão das mulheres desaparecerá automaticamente quando a classe trabalhadora tomar o poder. A herança psicológica de milhares de gerações sob o barbarismo de classe será finalmente superada quando forem criadas as condições sociais para o estabelecimento de relações humanas reais entre homens e mulheres.

Para que ocorra a revolução socialista, é necessário unir a classe trabalhadora e suas organizações, incluindo em seu programa a luta contra a opressão da mulher. Isso significa que a classe trabalhadora deve tomar para si a tarefa de combater todas as formas de opressão e exploração, e colocar-se como a direção de todas as camadas oprimidas da sociedade. No Brasil, a luta contra o racismo deve ser travada pelos trabalhadores brancos e negros, assim como a luta pela emancipação da mulher deve ser travada por homens e mulheres trabalhadoras.

Isso implica que, nesse caminho, a classe trabalhadora deve rejeitar decisivamente todas as tentativas de dividi-la – mesmo quando essas tentativas forem feitas por setores dos próprios oprimidos. Devemos nos opor às feministas que impulsionam movimento de mulheres onde homens não participam e, entretanto, onde qualquer mulher participe, independente de quais interesses de classe defenda. Dividir os trabalhadores entre brancos e negros ou entre homens e mulheres só favorece à exploração exercida pelo patrão, seja ele branco ou negro, homem ou mulher.

Marxismo versus Feminismo

Vejamos o que escreve o camarada Alan Woods sobre a questão em 2001:

“As revoluções burguesas do passado proclamaram os ‘direitos do homem’ ainda que na prática nunca tenham obtido a igualdade da mulher. Na verdade, o avanço das mulheres sob o capitalismo tem sido parcialmente um subproduto da luta de classes e em parte um resultado do papel alterado das mulheres na produção. Certos direitos políticos têm sido conquistados nos países capitalistas avançados (a minoria do mundo), mas emancipação genuína não tem sido obtida e nunca poderá ser obtida com base no capitalismo.

Já em 1848, Marx e Engels levantaram a demanda pela abolição da família burguesa. Contudo, a família não pode ser abolida de um golpe só. Esta demanda não pode ser alcançada a menos que haja uma base material para ela. Isto só pode ser atingido pela derrubada do capitalismo e o estabelecimento de uma nova sociedade baseada em um plano de produção harmonioso e democrático, com o envolvimento de toda a sociedade nas tarefas comuns da administração. Uma vez que as forças produtivas estejam livres da camisa-de-força da propriedade privada e do estado-nação, será possível atingir rapidamente um nível inimaginável de bem-estar econômico. A velha mentalidade de medo, ganância, inveja e avareza desaparecerá quando as condições materiais que lhe deram origem forem removidas.

A estrada estará aberta para uma transformação radical das condições de vida e por conseguinte, uma transformação das relações entre homens e mulheres e de todo o seu modo de pensar e agir. Sem tal pulo de gigante, toda a conversa sobre mudar o caráter e a psicologia das pessoas será apenas conversa fiada e decepção. O ser social determina a consciência.

O papel das mulheres da classe trabalhadora foi visto na Rússia em fevereiro de 1917. O czar foi derrubado por uma revolução que começou no Dia Internacional da Mulher, quando as trabalhadoras de Petrogrado decidiram entrar em greve e protestar a despeito da recomendação dos bolcheviques locais que temiam a ocorrência de um massacre. Guiadas por seus instintos proletários de classe, elas puseram de lado todas as objeções e começaram a revolução. Veríamos muitos outros exemplos como esse no futuro. Na Rússia, em outubro de 1917, tal base não existia dado o atraso predominante. Em conseqüência, a despeito dos enormes avanços tornados possíveis pela Revolução, a posição das mulheres na Rússia foi jogada para trás, primeiro pelo stalinismo e agora ainda mais pela tentativa de reimposição do capitalismo. A posição das mulheres na Rússia e na Europa Oriental está agora pior do que antes. Isto não deveria surpreender ninguém. Com base no capitalismo, nenhum caminho progressista é possível em parte alguma, muito menos na Rússia.

As mulheres desempenharão um papel essencial na derrubada do capitalismo e na construção do socialismo. Mas aqui novamente trata-se de uma questão de mulheres da classe trabalhadora, lutando por sua própria emancipação – e de toda sua classe. Logo, não se trata da questão de homens ou feministas universitárias de classe média “ensinarem” mulheres a lutar por “causas femininas”, mas das mulheres das classes trabalhadoras adquirirem consciência de classe e confiança em si mesmas através da participação na luta de classes. No processo de luta para transformar a sociedade, homens e mulheres também transformarão a si mesmos. Podemos ver como, em cada greve, os trabalhadores erguem-se às alturas de seres humanos reais e põe de lado a mentalidade de escravo. Quão mais verdadeiro isto seria no caso de uma revolução!

Este é o único modo de obter liberação genuína – não para mulheres, mas para mulheres e homens. De fato, uma coisa não é possível sem a outra. Lutamos não pela liberação deste ou daquele grupo, mas da própria humanidade. Isto não significa de modo algum que as mulheres devam suspender a luta por melhorias imediatas. Pelo contrário. Sem a luta diária por avanços sob o capitalismo, a revolução socialista seria impossível. Mas por outro lado, é necessário entender que sob o capitalismo, quaisquer melhorias possuirão um caráter parcial, distorcido e instável, e serão constantemente ameaçadas pela crise do sistema e a deterioração geral da situação, e a decadência social, moral e cultural. Por outro lado, é necessário unir com firmeza a luta contra a opressão da mulher com a luta da classe trabalhadora contra o capitalismo. Essa é a única estrada possível para a vitória.”

A luta pelo amanhã começa hoje

Tudo isso devemos explicar em nossa propaganda política e, enquanto a sociedade continua capitalista, não podemos dizer que temos que “esperar a revolução”. É preciso trabalhar com reivindicações transitórias, partindo das reivindicações mais imediatas da mulher trabalhadora. A classe trabalhadora como um todo, suas organizações, o PT, a CUT e os sindicatos, devem inscrever em sua plataforma política as reivindicações das mulheres trabalhadoras e devem colocar toda sua base social, homens e mulheres, em movimento pelo atendimento dessas reivindicações:

  • Trabalho igual, salário igual para as mulheres!
  • Direito à licença maternidade e pela ampliação do período de licença para 6 meses!
  • Direito ao aborto com todo o atendimento fornecido pelo Estado!
  • Construção de creches em todas as comunidades e locais de trabalho!

Leia aqui outros artigos na seção “Mulheres” do nosso site.

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