Para onde vai o governo Temer

Editorial da edição 93 do jornal Foice&Martelo.

Até o fim deste mês de agosto o processo de impeachment deve ser concluído no Senado com a confirmação do afastamento definitivo de Dilma. O mínimo necessário para aprovar o impeachment são 54 votos, sendo que 59 senadores já aprovaram, no último dia 10, levá-la a julgamento.

A verdade é que Lula, Dilma e o PT jogaram a toalha após a aprovação da abertura do processo pelo Congresso. Isso ficou claro na manifestação Fora Temer de 10 de junho, em que Lula disse que não podia falar em greve geral porque não está “dentro da fábrica e porque aposentado não faz greve” e que também não podia falar “Fora Temer”, pois “não pega bem”. Ele tenta se preservar e conseguir voltar em 2018, tentando convencer a burguesia de que ainda é útil para a salvação do sistema.

As fraquezas de Temer

Finalizado o capítulo do impeachment, o débil governo Temer deve acelerar sua missão: atacar os direitos e conquistas da classe trabalhadora. Mas seus primeiros meses de vida mostram que não será tarefa fácil. Já foi obrigado a recuar diversas vezes. A última com a retirada, no acordo de renegociação da dívida dos Estados com a União, do ponto que impedia os governos estaduais de conceder reajuste aos servidores e realizar concursos por dois anos.

A burguesia também desconfia do novo governo. Em editorial de 11 de agosto, o Estadão avalia: “o Brasil que trabalha e paga impostos depositou em Temer e em sua competente equipe econômica a firme esperança de que a irresponsabilidade de Dilma Rousseff seria rapidamente superada, mas agora tem se deparado com uma condução que se mostra errática – ora prometendo a rigidez necessária para superar a crise, ora fazendo concessões que aparentam submissão a interesses paroquiais e corporativos”. 

Para piorar o cenário, em delação à Lava Jato, Temer aparece como articulador de “doação” da Odebrecht ao PMDB no valor de R$ 10 milhões. O ministro das Relações Exteriores, José Serra, aparece como beneficiário de R$ 23 milhões da construtora na campanha presidencial de 2010, enquanto o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, teria recebido R$ 4 milhões.

Tais fatos comprovam nossas análises dos objetivos políticos da Lava Jato, que, além de buscar a desmoralização do conjunto da esquerda e o fortalecimento do judiciário nos ataques à classe trabalhadora, visa também passar a imagem de uma “limpeza geral” das instituições e promover uma renovação do quadro de representantes da burguesia, buscando assim salvar o sistema da ira popular.

E segue a repressão e criminalização

O que a burguesia necessita com o aprofundamento da crise econômica no país é reduzir os custos do trabalho. Para levar essa guerra contra o proletariado precisa se enfrentar com a resistência das massas e, por isso, busca endurecer a repressão e a criminalização dos movimentos sociais.

Cumpre esse papel a vergonhosa Lei Antiterrorismo sancionada por Dilma. Assim como a Lei 12.850 de 2013, que tipifica organização criminosa, também sancionada por ela e que está sendo utilizada como base para manter na prisão um militante do MST em Goiás. Ou seja, tentam igualar o MST a uma organização criminosa!

Mas toda essa tentativa do aparato do estado de intimidar o movimento popular tem seus limites. A classe trabalhadora não está e não se sente derrotada, não aceitará ser calada. É bom lembrar que a repressão policial brutal em São Paulo a uma manifestação foi a gota d’água que desatou junho de 2013.

A luta segue contra o sistema

No Brasil e no mundo, a marca é a instabilidade política. A disposição de lutar e resistir segue forte entre jovens e trabalhadores. Grandes manifestações e mobilizações estão no horizonte e mostrarão que junho de 2013 foi só o começo.

Estaremos nos combates de nossa classe. Participaremos das eleições com candidaturas marxistas contra o sistema, lançadas através do PSOL. Nossos militantes explicam e organizam o combate pela revolução, pelo socialismo, por uma Assembleia Popular Nacional Constituinte, por um governo dos trabalhadores.

Editorial publicado na edição 93 do jornal Foice&Martelo, de 17 agosto de 2016.

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