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Para onde vai o Brasil?

O anúncio do IBGE de que a economia cresceu 8,9% no 1º semestre, “maior alta em 14 anos” e que isso levará a um PIB 7% maior em 2010 encheu governantes e capitalistas de euforia. Mas esses números devem mostrar muita coisa aos trabalhadores e socialistas.

Para os socialistas uma coisa é certa: significa também que a exploração, a extração e o roubo da mais-valia produzida pelos trabalhadores aumentaram.

Em agosto, o Brasil exportou US$ 3,6 bilhões em minério para o mundo – um recorde. Em relação a agosto de 2008, as exportações de minério de ferro aumentaram 228% e foram exportadas 29,8 milhões de toneladas (outro recorde).

Foi o melhor desempenho mensal das exportações desde setembro 2008, quando a crise chegou ao País. E, isso, parece bom, mas não é. Afinal, “Minério de ferro e petróleo estão garantindo o desempenho da balança”, declarou José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Ou seja, o Brasil continua dependendo da exportação de matérias primas, como todo país semi-colonial, mesmo que tenha certa base industrial instalada.

A dependência desses produtos, que geram menos empregos e cujos preços são historicamente voláteis, aumentou. De Janeiro a Agosto, as matérias primas representaram 44,3% das exportações brasileiras, acima dos 39,7% dos manufaturados.

Exatamente o que explicamos diversas vezes neste jornal em particular sobre o caráter nocivo do PAC que pretende apenas financiar com dinheiro público uma reconversão da economia brasileira para adequá-la às atuais necessidades do capital internacional. O PAC não passa do aprofundamento danoso da dependência brasileira em relação aos países capitalistas desenvolvidos, e a construção de uma moderna plataforma de exportação agro-mineral.

Enquanto se comemora na superfície, os monstros próprios da economia capitalista se movem nas profundezas.

Economistas e políticos burgueses atentos não se deixam confundir, pois sabem que estão todos vivendo de uma impressionante bolha de crédito e da enorme entrada de capitais estrangeiros. Por isso, apesar das “boas novas” temem o futuro ameaçador. Sabem que é uma questão de tempo.

Os “probleminhas” que os capitalistas e seus serviçais apontam são bem conhecidos – e verdadeiros – na economia capitalista. O baixo nível de investimentos é um dos principais problemas. A culpa, obviamente, é do povo brasileiro que não tem o “hábito” de poupar e gasta tudo o que ganha. Isso quando o DIEESE diz que o salário mínimo deveria ser de R$ 2.300,00.

Os outros fantasmas são a necessidade de juros altos que controlaria a inflação, mas põe o pé no freio da economia; a famosa “elevada carga tributária”, de 37% do PIB; a infra-estrutura insuficiente e precária, falta de estradas, portos, aeroportos, comunicações e tanta coisa mais (eles estão falando de dinheiro público para os negócios privados, tipo PAC, mas não para serviços públicos necessários como saúde e educação).

Falam também de “baixo nível de educação e de escolaridade” pressionando por escolas técnicas públicas para preparar mão de obra para a indústria e serviços. E finalmente falam de “insuficiente absorção de tecnologia pelo sistema produtivo”, que em bom português significa atraso tecnológico do parque industrial brasileiro e dependência do capital internacional e dos países dominantes.

Feita a lista de demônios começa o exorcismo. E a reza braba é uma só: “Para uma virada desse jogo é inevitável enfrentar as reformas que não conseguem sair do papel: reforma tributária, trabalhista, política, da Previdência e por aí vai. E, afora isso, é preciso que o setor público (governos) reequilibre suas contas. Não pode seguir gastando o que não tem, criando poder aquisitivo e consumo que depois vão estourar as importações” (Celso Ming, OESP, 04/09/2010).

Todos dizem a mesma coisa. O jornal O Globo publicou que se prepara no Ministério da Fazenda uma nova proposta de Reforma da Previdência para logo que Dilma assumir. Guido Mantega nega, mas o companheiro José Eduardo Dutra, presidente do PT, disse que “essa proposta existe há muito tempo e continua em estudo”. E o senador Delcídio Amaral (PT-MS), vice-presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, diz que precisa ter uma “rearrumação” na Previdência. Para bom entendedor meia palavra basta.

Este projeto teria o apoio do PSDB e DEM. O problema é que não combinaram com o adversário – a classe trabalhadora. E ela não se sente nem derrotada nem desmoralizada. A expectativa no governo da “Mãe dos pobres” não é exatamente de perder direitos e trabalhar até morrer.

De toda forma, ninguém se engane, é preciso derrotar a direita e partir pra cima do governo Dilma para expulsar os capitalistas dos ministérios e constituir um governo socialista dos trabalhadores. É para isso que os trabalhadores devem se preparar, ou continuar esta longa agonia chamada era imperialista do capitalismo.

* Serge Goulart é membro da Direção Nacional do PT.

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