Os sinais da crise

Os dados da economia mostram que a crise se aproxima. Montadoras anunciam férias coletivas e demissões. O governo segue submisso aos interesses do imperialismo e da burguesia. O caminho é a luta por um governo socialista dos trabalhadores!

O “conselheiro” do governo Dilma, ex-ministro da fazenda da Ditadura, Delfim Netto, disse que há um pessimismo exagerado em torno da economia brasileira. O atual ministro da pasta, Guido Mantega, a quem ninguém pode acusar de pessimismo, disse que “ninguém olhou” para a queda da nota do Brasil no grau de investimento da agência de risco Standard & Poor’s.

Na dura realidade do mercado capitalista, a crise percorre o mundo e, cada vez mais, mostra sua cara no Brasil.

A balança comercial (o saldo das exportações menos as importações) fechou o primeiro trimestre de 2014 com um déficit de US$ 6,07 bilhões.  Ou seja, em valores, o Brasil importou mais do que exportou. Fruto da queda do preço das commodities no mercado internacional e a queda do crescimento da China, principal importador de produtos brasileiros. O contínuo déficit na balança indica a desaceleração e fragilidade da economia nacional.

O Ibovespa, que mede o desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores de SP, teve queda acumulada de 15,5% em 2013. Um leve crescimento, a partir de meados de março desse ano, fez o governo comemorar e a oposição de direita, por sua vez, usar o dado no jogo eleitoral, creditando essa alta das ações à queda da aprovação de Dilma nas pesquisas. Mas foi um pequeno crescimento depois de uma grande desvalorização. Fundamentalmente os investidores aproveitaram os preços baixos das ações para comprar. É um crescimento insustentável e os índices dessa semana já mostram que as ações voltaram a cair.

A inflação aumenta, o mês de março fechou com alta de 0,92% nos preços, segundo o IPCA, a maior elevação para o mês de março em 11 anos. O Banco Central eleva a taxa básica de juros, a Selic, para 11% ao ano, prometendo com isso conter a inflação. A alta dos juros torna o crédito e os financiamentos mais caros, isso desestimula o consumo e, seguindo a lei da oferta e da procura, conteria a alta dos preços, mas, por outro lado, privilegia os investidores, principalmente estrangeiros, que investem nos títulos da dívida pública brasileira que pagam os altos juros da taxa Selic. É um remédio com severos efeitos colaterais, pois significa automaticamente o aumento da dívida pública brasileira. E advinha quem paga a dívida? Além disso, a diminuição no consumo, leva à diminuição da produção, o que faz o fantasma do desemprego voltar a rondar os trabalhadores.

Escancarando a crise de superprodução, diversas montadoras anunciaram férias coletivas, suspensão de contrato de trabalho e demissões.  A GM de São Caetano (SP) vai dar férias coletivas para 5 mil funcionários de 14 a 27 de abril, na planta de São José dos Campos (SP), as férias serão para 400 funcionários de 14 de abril a 5 de maio. A MAN/Volkswagen decidiu por suspensão do contrato de trabalho de 200 operários por 5 meses na fábrica de Resende (RJ). A Peugeot em Porto Real (RJ) também aplicará suspensão de contrato de trabalho para 650 funcionários. Em São José dos Pinhais (PR), a Volkswagen anunciou a suspensão do contrato de trabalho de 300 funcionários por três meses e, em São Bernardo do Campo (SP), folga de 10 dias para 5,2 mil funcionários. Por fim, a Mercedes-Benz,  também de São Bernardo, abrirá um Processo de Demissões Voluntárias (PDV) e reduzirá um turno de trabalho, a empresa diz ter 2 mil trabalhadores excedentes na fábrica do ABC.

A crise que explodiu no final de 2008 foi contida com maciça injeção de dinheiro público no setor privado. As isenções fiscais, como a redução do IPI, foram uma das modalidades desses benefícios do governo Lula aos capitalistas. De outro lado, o crédito fácil e barato, fez com que o consumo aumentasse às custas do endividamento do povo.  Todas essas políticas têm os seus limites. As táticas usadas em 2009 não poderão se repetir em 2014. O governo precisa arrecadar para pagar seus credores e honrar a promessa de um superávit fiscal primário de 1,9% ao ano. A população também já está bastante endividada e o crédito está cada vez mais caro.

Administrar o capitalismo, como vem sendo feito pelo PT, submisso aos interesses da burguesia e do imperialismo, só pode significar tentativas de apagar o fogo com gasolina e mais ataques à classe trabalhadora. Está é a saída para os capitalistas. A nossa? A luta independente por um governo socialista dos trabalhadores.

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