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Os palestinos querem voltar ao seu lar

Em 2007, o governo brasileiro concordou em receber alguns refugiados palestinos. Na época, Khader Ottomann, um dos principais dirigentes da luta palestina no Brasil, escreveu um artigo que republicamos na preparação do Fórum Social Mundial Palestina Livre.

“Um beduíno sozinho não vence a imensidão do deserto, é preciso ir em caravana”

 

O governo brasileiro concordou em receber 117 refugiados palestinos que estão acampados há quatro anos no campo jordaniano de Ruweished, a 60 quilômetros da fronteira do Iraque. O acampamento, que fica bem no meio do deserto, não tem qualquer condição de manter com dignidade as vidas humanas, estando, inclusive, coalhado de escorpiões. Estes palestinos haviam buscado abrigo no Iraque, desde que foram expulsos de suas terras pelas tropas de Israel em 1967, e, agora, de novo tiveram de fugir, acossados pela invasão estadunidense.

Igual a estes que serão acolhidos no Brasil, vivem mais 1.450 outros palestinos, no mesmo lugar, na fronteira da Jordânia com o Iraque. Além disso, outros 13 mil palestinos ainda permanecem nas regiões do Iraque ocupadas pelos estadunidenses, sofrendo toda a sorte de violências. Refugiados no Iraque e, agora, duplamente perseguidos.

Por conta de todos esses horrores que vive o povo palestino, impedido de construir sua vida no seu país, a pergunta que fica é: será que o Brasil está escorregando para um caminho duvidoso, fazendo de boa-fé um serviço que os palestinos nunca esperariam que fizesse? Explico: ao oferecer asilo, não estaria prejudicando, repito, de boa-fé, o direito nacional dos próprios refugiados? Será que a solução para a causa palestina é essa mesmo? Acabar com o problema dos refugiados espalhando-os pelo mundo, anulando assim a resolução 194 da ONU, que garante o direito de retorno?

Para quem observa de longe, também desgarrado de sua terra, cabe esta reflexão. Compreendo o desejo do Brasil em desempenhar um humano papel de solidariedade e defesa da vida. Mas não seria muito mais justo se esse querido país, tão amado por todo mundo, empreendesse uma campanha firme para que fossem reconhecidos os direitos nacionais dessa gente, e que todos pudessem voltar para suas casas na Palestina?

Esperamos que as autoridades brasileiras entendam nossas preocupações porque, acreditamos que essa decisão certamente se deu baseada na vontade de ajudar os que vivem em condições indignas na fronteira do Iraque.  Mas, para evitar que todos nós, os que lutam por um estado palestino, pensemos que o Brasil trama contra a luta do nosso povo, é de fundamental importância que seja esclarecida a posição brasileira diante dos horrores que vivem as populações palestinas, refugiadas em vários países vizinhos.

O povo palestino precisa, mais que a comiseração, a pena, ou o refúgio temporário, do direito de viver no seu próprio país. Esta é a luta que precisa ser empreendida. Oferecer ajuda, refúgio, acolhimento é sempre bom e necessário, mas, junto com isso, há que se posicionar claramente sobre os direitos dos palestinos de retornarem ao lar.

Palestina livre!

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