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Opinião ## Médicos cubanos X preconceito

A jornalista Gisele Caresia postou este interessante depoimento nas redes sociais acerca da polêmica da vinda de médicos estrangeiros ao país. A Esquerda Marxista concorda com ela.

A jornalista Gisele Caresia postou este interessante depoimento nas redes sociais acerca da polêmica da vinda de médicos estrangeiros ao país. A Esquerda Marxista concorda com ela.

Medicina em Cuba completamente pública, com qualidade e eficiente resultado

Eu poderia dar minha opinião como jornalista que cobriu dois congressos internacionais de medicina em Cuba, mas prefiro dar minha opinião como paciente, que viveu por dentro o sistema de saúde cubano…
Bem, da última vez que fui à Cuba saí do Brasil com crise de asma e peguei várias horas de vôo com ar condicionado tipo frigobar… Lá, a coisa piorou, pois Havana parece o Rio, em todo lugar tem um maldito ar condicionado congelante e, quando você sai pra rua, tá 45 graus… Enfim, capotei e fui parar num hospital público, pois como todos sabem em Cuba existem apenas hospitais públicos.
De cara me espantei com o tamanho do lugar – imenso – e cheio de leitos vazios. Na sala de espera do pronto-socorro tinham apenas duas senhoras idosas aguardando antes de mim. Em menos de 10 minutos fui atendida…
Enquanto preenchia a ficha de entrada, ouvi da recepcionista que não era uma exceção, e que os hospitais de Cuba são todos assim, vazios, pois o sistema médico de família realiza todo o trabalho preventivo e exames básicos durante visita às famílias e, por isso, pouca gente precisa de internação… Bem, o médico foi gentil e educado, fez os exames de rotina e me deu os clássicos corticóide e inalação, o mesmo que uso no Brasil quando tenho crises intensas. Mas um detalhe me chamou atenção: olhos nos olhos, conversa franca e generosidade, atendimento humano e uma preocupação verdadeira com a minha saúde… Pra minha surpresa, perguntou se eu já tinha tentado tratamentos alternativos e, nos dias seguintes, lá estava eu fazendo cromoterapia e acupuntura a laser em Cuba. Isso em 1997, quando pouco se falava em acupuntura a laser no Brasil… Minha recuperação foi tão rápida, que desde então me apaixonei e virei uma pesquisadora de tratamentos alternativos. Hoje, além de atuar como jornalista, sou formada em terapia complementar…
Nem vou falar aqui dos Congressos médicos, pois eu acompanhava mais de 200 brasileiros entre médicos, secretários de saúde e pesquisadores que estavam em Cuba – ao lado de médicos de vários países – justamente para conhecer os avanços tecnológicos, as vacinas inovadoras e os espetaculares índices de saúde do povo cubano, que figuram entre os melhores do mundo, fato inquestionável até mesmo para quem torce o nariz para o modelo político cubano.
Aliás, alguns anos atrás me lembro de uma polêmica com a mesma tônica envolvendo dentistas brasileiros em Portugal, também pautada pelo preconceito e por razões de “reserva de mercado”, e não pelo nível de qualificação de nossos dentistas.
Essa campanha contra os médicos cubanos é ridícula, absurda e preconceituosa. Cuba é modelo de saúde para o mundo sim senhor. E médico é médico, ninguém pergunta nacionalidade quando algum deles é voluntário da Cruz Vermelha ou da ONU…
Se os nossos médicos não saem das capitais para se embrenhar nos recônditos deste país, que se abram as portas para a chegada dos valorosos médicos cubanos, que são respeitados por seu voluntariado e seu amor ao próximo em qualquer lugar do mundo.
Os médicos brasileiros têm muito a aprender com eles.
Pronto, falei.
 
* Gisele Caresia é jornalista

 

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