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Operação limpeza nas favelas do Rio e na Cracolândia em São Paulo: um grande negócio!

Wanderci Bueno
No Rio de Janeiro e em São Paulo, abrem-se, por caminhos e métodos distintos, verdadeiras operações de guerra, ordenadas pela burguesia e seus governos contra o povo mais pobre dos morros e do velho centro da capital paulista.
As cinematográficas “ações de combate ao narcotráfico” nas favelas do Rio, realizadas pelas Policias de Pacificação, que aparentemente objetivavam combater o tráfico de drogas – velho e carcomido, herdado da época da ditadura – acabou empurrando este negócio para outras regiões e até outros estados. Em Recife o comércio e o uso de drogas aumentam dia a dia. As médias e até mesmo pequenas cidades do interior de São Paulo transformaram-se em ninhos de drogados, alcoolizados que perambulam pelas praças. O crack foi nacionalizado, espalhado em grande parte do território nacional.


No Rio a operação de guerra foi montada no ano passado no Complexo do Alemão. Expulsar e limpar os morros dos narcotraficantes. Implantar a Polícia Pacificadora. Pareciam ser os objetivos.
O Exército foi utilizado, gente do morro foi assassinada. Os graúdos do narco não foram presos. Mas pouco importa, as tropas necessitavam continuar seu treinamento para melhor atuarem nas favelas do Haiti, nas tropas da OTAN (desdenhosamente, como a Polícia do Rio, também chamada de pacificadora).
Abaixada a poeira das operações realizadas no ano passado no Rio pode-se notar que o comércio e venda das drogas não desapareceram. As favelas (modernamente chamadas Comunidades) continuam a ser os ninhos secundários do comércio e esconderijo das drogas. Mas mudaram de morros. Os verdadeiros esconderijos, o top do centro de operações das drogas permaneceram intocáveis em luxuosos bairros, em apartamentos nas nobres áreas do Rio, além das chácaras e “áreas de lazer”, em praias e no campo, e quem sabe nas ilhas paradisíacas da costa brasileira.  
As favelas são as ralés do narco! O morro é o seu rabo, seu centro está nas mais altas esferas da burguesia que quer abocanhar as terras onde estão os barracos de hoje.
A operação de limpeza nos morros do Rio e no centro de São Paulo visam expulsar os miseráveis e valorizar os imóveis
Como isso está se dando?
Um barraco no morro, antes da operação limpeza, custava de 10 a 15 mil reais. Hoje está sendo vendido entre 35 mil e 60 mil. Por necessidades materiais, vários donos de barracos estão vendendo os mesmos para testas de ferro de grandes empreendedores que estão de olho nas mais belas vistas das praias, floresta e serras da orla carioca.
Em São Paulo, a região da chamada cracolândia, está sendo atacada por uma operação militar, pelas tropas do governo Alckmin. Pacifistas, psicólogos, sociólogos, gente sincera ou não, ativistas humanistas, denunciam as ações do governo. Estamos de acordo! Urbanistas, arquitetos e outros meteram o dedo na ferida: a cracolândia é um entrave à revalorização das propriedades imobiliárias no centro velho.
A limpeza da cracolândia é para realizar o sonho de transformar o velho centro em um grande paraíso, um grande e lucrativo centro empresarial e turístico.
Várias antigas famílias da burguesia tupiniquim (que migraram para os Campos Elíseos, depois Higienópolis e Jardins, mais diante Morumbi e condomínios, em bucólicas áreas), vários grupos hoteleiros e bancos, a igreja católica, possuem no centro velho uma fortuna imobilizada e sendo depreciada dia a dia pelos marreteiros, gente de rua, artistas de rua, pequenos vendedores, prostitutas, moradores de cortiços e ocupantes de edifícios. Gente que paga aluguéis mais baratos nestas áreas degeneradas também deverão ser expulsas. Há que ser feita uma limpeza no velho centro de São Paulo. Há que nascer a moderna metrópole da opulência na época da decadência.  
A burguesia esfrega as mãos e aguarda com ansiedade o desfecho
Viva Alckmin! Viva as construtoras e os bancos! Morte aos miseráveis! Este é o sincero desejo dos ricaços, disfarçados ou não de beatos filantropos que se esquivam e se esgueiram por detrás do santo homem da Opus Dei e contam seus vis metais.  
O crack? Ora ora, ele só existe porque existe a cocaína, e esta só existe porque possibilitam grandes lucros aos banqueiros que lavam o dinheiro sujo com formidáveis ganhos aos “empresários”, financiadores do narco, aos corruptos de altas patentes incrustados em todos os poros do aparato de estado. A raia miúda do narco? Ela sobreviverá como lixo, como subproduto da cocaína, mas, mais e mais na periferia. Afinal não há centro sem periferia e não há capital sem miséria e destruição. Essa é a lógica do sistema.
Os usuários de crack que estão sendo hoje espalhados como estilhaços de granada, amanhã estarão agrupados em outras regiões mais afastadas. O narcotráfico seguirá solto, afinal é parte integrante do regime baseado na propriedade privada dos grandes meios de produção.
Para a burguesia, e seu governador, essa droga que a ralé usa em abundância, deve ser vendida e consumida bem longe dos narizes dos endinheirados donos do centro de São Paulo. Assim se reduzirá parte do exército industrial de reserva e não se gastará tanto em saúde e geração de empregos. Assim, a cada dia criam-se mais e mais alienados e aumenta-se o aparato repressivo do estado.
Os favelados do Rio serão expulsos, arremessados para mais longe. Torres comerciais e de negócios, condomínios verticais surgirão, grandes empreendimentos, tudo no melhor estilo do primeiro mundo, tomarão o lugar da ralé. Já era a frase: “…o meu Rio de Janeiro, antes que um aventureiro lance mão”. O capital lançou mão e ganhou a parada, sem nenhuma aventura. Coitado do Chico!
O centro velho de São Paulo, a cidade que dia 25 fará 448 anos, abrirá caminho para os megaprojetos disfarçadamente denominados de revitalizadores do espaço urbano na velha parte da Urb.
Esta é a verdadeira face do capitalismo que alguns teimam em denominar de menos selvagem: a barbárie como forma de destruição e acumulação. Não podem existir modernas e humanas cidades, não pode existir um capitalismo mais humano. A moderna cidade, as cidades sem drogas e sem repressão, as cidades verdadeiramente humanas serão aquelas que nascerão sob os escombros do capital e de seu estado, nascerão do controle dos trabalhadores sob a propriedade privada dos meios de produção.

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