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Operação Ciro Gomes ‘candidato do PT’ em SP

Todos os dirigentes do PT paulista baixam a cabeça para imposição de Lula sobre que candidatura apresentar para o Governo de SP em 2010.

O Jornal Luta de Classes nº 22 (mês passado) noticiou que Vaccarezza, líder do PT na Câmara, defendia que: “Em São Paulo, o PT pode abrir mão do candidato se isso criar uma situação de expansão da aliança. Se o Ciro quiser ser candidato ao governo, se o Quércia quiser, o PT pode discutir.”

O artigo de Caio Dezorzi dizia que a perspectiva da Esquerda Marxista é a de “combater por candidaturas próprias do PT em todos estados e por um programa de transição ao socialismo, de ruptura com a burguesia e seus partidos”. Caio informava também que em Pernambuco, Rio de Janeiro e outros estados a política de nosso partido era a de se coligar com os partidos burgueses e corretamente orientava que: “Em São Paulo, apoiar Ciro ou Quércia em nome de eleger Dilma, seria o suicídio político do PT. O mais provável é que os militantes abandonem a campanha. Aliás, de certa forma este é o cálculo de Lula quando lança Dilma como candidata por cima do PT, pela imprensa e sem consultar ninguém. Tentar obrigar os militantes a engolir Dilma é ajudar na derrota do PT em 2010 para a presidência. Parece ser o que pretende Lula.”

Isso se completa com o apoio a candidatos burgueses nos estados. E junto vem a idéia de que os que ousarem contrariar as posições de Lula arderão nas chamas eternas do inferno, levando consigo sua ignorância. Essa operação tipo “rolo compressor” a serviço da “santa aliança” com a burguesia é feita em nome de manter a presidência, claro.

Da “candidatura própria” do PT para o “candidato do PT” que pode ser Ciro

Em 27 de Junho, ocorreu uma reunião do Diretório Estadual do PT, em Campinas. A reunião confirma que, se depender de Lula e de outros dirigentes, o PT poderá não lançar candidatura própria ao governo de São Paulo.

O deputado Roberto Felício introduziu a discussão de que o documento de 25 de Abril poderia ter outra leitura: a de que o PT poderia ter uma candidatura de fora do PT, pois se Lula indicar um nome de fora do partido os que fossem inteligentes não discordariam, mas que, em todo caso, a melhor maneira de combater pela candidatura própria seria seguir apresentando internamente nomes. Porém disse que isso não era o principal nesse momento, mas sim elaborar um programa capaz de construir a alternativa e o leque de alianças. Informava ainda que para as negociações dentro do bloco amplo de alianças, haviam nomeado uma comissão de parlamentares e dirigentes.

João Paulo, Deputado Federal, disse ter candidato a candidato (ele apóia Emídio, prefeito de Osasco), mas que a tática é ir avançando o debate dentro do PT, construindo o programa e negociando junto ao bloco de alianças e que estava de acordo com a afirmação de Felício de que quem fosse inteligente não contrariaria a indicação de Lula.

Marta Suplicy foi na mesma linha. Disse que apóia Palocci e que só seria candidata a candidata se Palocci não aceitasse ser, mas que se necessário fosse, para garantir a vitória de Dilma, poderia estudar nomes do campo da coligação.

Roberto Felício disse que teria ouvido, pela boca da imprensa e de outros (seria Vaccarezza?), que Lula estaria indicando Ciro Gomes e que isso tinha relação com a candidatura nacional de Dilma, que o peso do nordeste e dos aliados por lá contava muito, que nosso projeto em São Paulo deve estar ligado à tarefa de eleger Dilma e uma vez mais repetia que: quem for inteligente deve estar com Lula, pois o governo federal tem avançado no projeto de construção nacional e que isso permite consolidar as políticas públicas adotadas pelo governo, já em andamento, fortalecer o PAC, enfrentar a crise, etc.

O mais incrível é que todos ignoravam a profundidade da crise, o aumento do desemprego e a baixa nas previsões do PIB, a quebra da qualidade do ensino e da saúde, o aumento da criminalidade e do narcotráfico. Todos confiantes no projeto de construção nacional que projetaria o Brasil no mercado mundial. Leia-se: capitalista.

Com essa atitude vão acabando com o partido, deixando à deriva milhares de sinceros militantes. Os militantes petistas que lutam pelo socialismo estão travando os debates na base e cada vez mais a Tese “Virar à Esquerda! Reatar com o Socialismo!”, encontra eco no partido, pois ela está ancorada nos princípios e na defesa da independência de classes, combatendo aqueles que, aplicando a política colaboracionista, querem destruir o partido e construir um capitalismo regulado, reeditando a velha tese do nacionalismo burguês.

O PT deve apresentar candidaturas próprias em todos os níveis para romper com a burguesia e construir o socialismo! Junte-se a nós! Apóie a tese VIRAR À ESQUERDA! REATAR COM O SOCIALISMO!

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