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Ônibus mais vazios e bolsos mais cheios! Por um transporte público de qualidade acessível a todos!

Hoje em São Paulo, às 17 horas, no Largo da Batata, será realizado mais uma grande manifestação contra a alta nas tarifas de ônibus e metrô. Em São Carlos os jovens também buscam se organizar para levar a batalha contra o aumento das tarifa naquela cidade. Leiam abaixo o artigo de um militante da Esquerda Marxista naquela cidade. Falem conosco: contato@marxismo.org.br

Hoje em São Paulo, às 17 horas, no Largo da Batata, será realizado mais uma grande manifestação contra a alta nas tarifas de ônibus e metrô. Em São Carlos os jovens também buscam se organizar para levar a batalha contra o aumento das tarifa naquela cidade. Leiam abaixo o artigo de um militante da Esquerda Marxista naquela cidade. Falem conosco: contato@marxismo.org.br

Nos últimos meses diversos movimentos de protesto vêm tomando as ruas do Brasil. Em comum eles têm a bandeira do transporte público de qualidade e financeiramente acessível à população. A mídia direitista, como de costume, tenta fazer com que qualquer movimento politico seja visto como uma grande baderna, apoiando-se no mal estar causado pela interrupção temporária da circulação nas vias e pelas ações truculentas de grupos isolados, na maioria das vezes iniciadas pela própria polícia, seja abertamente, seja disfarçada de manifestante. Esse comportamento da grande mídia é esperado, uma vez que a mídia atende aos interesses de seus patrocinadores, as grandes empresas, dentre elas as envolvidas no transporte público. Por isso, usa argumentos falsos e dissimulados e a ação equivocada de pequenos grupos isolados para tentar deslegitimar o movimento perante a opinião pública, uma atitude que não é nova por parte desses setores, e que não depende da bandeira que está sendo defendida, já que resulta do medo dessas elites de que o povo jogue um papel protagonista na política nacional, o que hoje é exclusividade delas.

Dentre os argumentos usados estão os de que o aumento na passagem em São Paulo foi só de 20 centavos, que em alguns lugares em que manifestações ocorrem a passagem sequer aumentou e que o aumento em São Paulo foi abaixo da inflação. A mídia finge não entender que as pessoas que têm participado dessas manifestações não o estão fazendo única e exclusivamente por causa do aumento em si, mas que o aumento foi a gota d’água que desencadeou a luta politica em várias cidades do país, o estopim que permitiu colocar para fora um grito há muito tempo sufocado, resultante de anos de silêncio nos navios negreiros do transporte público.

O real motivo da alta adesão a esse movimento é a necessidade de um transporte público condizente com a realidade do povo brasileiro, acessível e de qualidade.

Em São Paulo, um trabalhador que tem que ir e voltar de ônibus ao trabalho por seis dias na semana paga por volta de 170 reais, o que corresponde a cerca de 25% do valor do salário mínimo (hoje em 678,00 reais). E tudo isso para que? Para ficar entre uma e duas horas espremido dentro de um ônibus, trem ou metrô, onde, a muito custo, conseguiu embarcar devido a grande quantidade de pessoas que disputa pelo espaço.

Ao contabilizar os últimos 20 anos de progressão do valor da passagem em São Paulo vemos que ultrapassou em muito a inflação para o período. Considerando o índice de inflação desde 1994 para cá o valor da passagem de ônibus em São Paulo deveria custar apenas 2,16 reais já que custava 0,50 reais em 1994 e a alta da inflação foi de 332,2% (dados IBGE disponíveis em http://migre.me/f251A). Já a passagem de metrô deveria custar 2,59 reais. Essa realidade não se restringe às grandes capitais. Nas cidades menores o preço da tarifa é, com frequência, muito próximo ao das grandes cidades, apesar do percurso total ser muito menor, as linhas circularem com menos frequência e a quantidade de ônibus e de funcionários contratados ser infinitamente menor.

Na cidade de São Carlos, como em outras cidades do interior paulista, as empresas vêm adotando aumentos durante o período de férias escolares para evitar que os estudantes possam se organizar nas escolas e universidades. Assim como na capital, os aumentos no preço das passagens também tem sido abusivos. Em 2008 a passagem de ônibus em São Carlos custava R$ 2,10. De lá pra cá a inflação foi de 12% (dados IBGE disponíveis em http://migre.me/f251A). Se o valor da passagem correspondesse à inflação então a passagem deveria custar R$ 2,35 e não os atuais R$ 2,75. Se considerássemos dez anos ou mais, o valor da passagem deveria ser ainda menor. E tudo isso para um péssimo transporte publico, com ônibus lotados, sobretudo nos horários de pico, e que passam com frequência muito baixa (em algumas linhas com ônibus que passam em intervalos de uma hora ou mais). Nos fins de semana os ônibus são quase inexistentes na cidade.

Os movimentos vitoriosos contra o aumento da tarifa de Porto Alegre, Goiânia, Teresina, etc., trouxeram novas energias à luta por transporte publico de qualidade no Brasil, que vinha sofrendo seguidas derrotas no país. Ele mostrou que o povo pode sim desempenhar um papel protagonista no que diz respeito às políticas publicas e escrever sua própria história. É isso que as elites, encabeçadas pela grande mídia, temem porque sabem que os interesses da população se chocam de frente com os dos grandes monopólios do transporte no Brasil e mesmo com a política de entregar o patrimônio publico à iniciativa privada.

A população tem se dado conta de que a luta por transporte publico de qualidade e pelo direito à mobilidade urbana é, não só justa, mas necessária, e o movimento recebe cada vez mais apoio da população, seja engrossando o número de manifestantes, seja de suas janelas, de suas casas. Entretanto, para que seja bem-sucedida é preciso unidade e organização. Os atos individuais de destruição do patrimônio publico não ajudam o movimento a ganhar apoio popular e devem ser criticados. É preciso explicar que, apesar compreensíveis, essas atitudes não ajudam em nada na conquista das reivindicações.

Para isso, o movimento deve estabelecer seus objetivos e ações coletivamente, ter reivindicações bem definidas e as pessoas presentes nele devem ter plena consciência das justificativas e das táticas a serem aplicadas. É preciso também tentar envolver as entidades representativas nessas lutas: os sindicatos, as organizações bairros, os grêmios, diretórios estudantis, etc. Do contrário o movimento irá perder forças e sucumbirá diante dos ataques da grande mídia, do governo e de seu braço armado, a polícia. Mas mais que isso, para que nosso movimento seja forte e duradouro é preciso criar um ambiente de verdadeira unidade e fraternidade entre nós, não deixando que as pequenezes das nossas diferenças sejam usadas contra nós para minar o movimento por dentro. Venceremos!

Pela redução da tarifa a valores condizentes com a inflação dos últimos anos!

Pelo passe livre estudantil!

Por uma verdadeira política de incentivo ao uso de transporte público para diminuição do transito e da poluição!

Por um transporte municipalizado, não voltado ao lucro, que vise atender as necessidades da população através do oferecimento de um serviço público, gratuito e de qualidade!

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