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O “socialismo” dos ricos e o capitalismo selvagem para os pobres

Editorial da edição nº 15 do Jornal Luta de Classes (23/09/2008 a 23/10/2008)

A crise atual do sistema capitalista nos ajuda a demonstrar muita coisa. Caem todas as máscaras. Agora os reformistas, stalinistas e mesmo os que melhor se disfarçam de revolucionários não podem convencer nem mesmo uma criança de que é possível “dar face humana” ao capitalismo. Afinal, os repetidos apelos hipócritas de Lula aos seus colegas da ONU para combater a fome e a pobreza no mundo jamais poderão levantar 700 bilhões de dólares em um fim de semana – e nem em um século – por mais que tenham o apoio de todos os chefes de estado dos países ricos.

O plano de Washington para salvar os banqueiros de Wall Street revelou aos olhos dos cegos e dos que não queriam ver, que para a burguesia o “socialismo” já está implantado. O capitalismo é só para o povo trabalhador! A palavra de ordem agora é “estatização” das perdas, dos “títulos podres”. O Estado burguês – está cristalino – é o comitê que gerencia e busca garantir o bom andamento dos negócios da burguesia (ver pág. 3).

Para os ricos tudo é permitido, inclusive meter a mão em enormes quantias de dinheiro público. E para o povo trabalhador? Segundo a própria ONU, depois da onda de elevação dos preços, já chega perto de 1 bilhão o número de pessoas que passam fome no mundo. Como são “dados oficiais”, na realidade este número é maior. Distribuir a riqueza do mundo (que é bem maior que US$ 700 bilhões) permitiria transformar a fome em assunto dos livros de história. Mas pra isso é necessário tirar do poder a classe capitalista, planificar a economia sob controle da classe trabalhadora. Sim! Uma revolução socialista. Esta é a saída. A única!

Os planos de salvamento de trilhões de dólares não poderão resolver a crise de um sistema moribundo. Todas as medidas deles só fazem aumentar a exploração e opressão sobre nós. E isso os leva com a cara mais perto do muro no beco sem saída em que se encontram.

Desesperados eles continuam com suas guerras no Iraque, Afeganistão. Continuam reprimindo os povos na África, no Haiti. Continuam a propagar o medo nos próprios EUA! E quando vêem uma ameaça aos seus interesses, conspiram! Sempre conspiram!

Tinham mais um plano para matar Chávez na Venezuela, mas com o apoio do povo, o presidente venezuelano expulsou o embaixador e outros agentes imperialistas (ver pág. 10).

Na Bolívia, a burguesia de lá, desesperada como os seus amos imperialistas, não aceita ceder nada do controle das riquezas naturais, da terra. E empurra jovens enlouquecidos pelo racismo contra o povo trabalhador boliviano. Mas dá de cara com a resistência fabulosa dos trabalhadores do campo e da cidade (ver pág. 9).

No Brasil, a economia rende a Lula os mais altos índices de popularidade e aprovação, mas isso só até a crise atingir o Brasil em cheio. Quem vai pagar a conta dos trilhões dados aos banqueiros nos EUA seremos todos nós, trabalhadores do mundo todo, inclusive do Brasil. E se o governo continua privatizando tudo o que vê pela frente, continua aliado com os burgueses, mantendo a Vale do Rio Doce privatizada, seguindo com o plano de entrega do Pré-sal aos capitalistas, não haverá popularidade que segure o rojão.

O povo trabalhador e a juventude seguem sua luta que se expressará de uma forma ou de outra nas eleições de 5 de Outubro (ver pág. 4). As candidaturas da Esquerda Marxista, pelo Partido dos Trabalhadores, oferecem um ponto de apoio para avançar nessa luta. Nessa luta pelo socialismo!

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