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O que o Senhor da Guerra vem fazer no Brasil?

Nos dias 8 e 9 de Março, Lula vai receber Bush. No último encontro após Mar del Plata, onde a ALCA foi colocada no depósito, Lula e Bush comeram churrasquinho feito pelo “aloprado” Jorge Lorenzetti, no Palácio da Alvorada.

Nos dias 8 e 9 de Março, Lula vai receber Bush. No último encontro após Mar del Plata, onde a ALCA foi colocada no depósito, Lula e Bush comeram churrasquinho feito pelo “aloprado” Jorge Lorenzetti, no Palácio da Alvorada. Foi em novembro de 2006. Agora a situação é ainda mais tumultuosa.

Óbvio que Bush vem ao Brasil para tentar centralizar Lula como pivô do isolamento do “Eixo do Mal” do qual fazem parte a Venezuela e também a Bolívia. A discussão e os acordos sobre Etanol e Biodiesel fazem parte deste movimento para combater as pretensões de Chávez de “integração” latino-americana, onde o petróleo venezuelano e o gás boliviano jogam um papel maior. E Bush vem disposto a jogar pesado para sair-se bem desta vez.

Lula pode acertar com Tabaré o que quiser, para que o Uruguai não assine um tratado de Livre Comércio com os EUA rompendo com o Mercosul. Não haverá oposição de Bush.

Cogita-se mesmo de que Bush estaria disposto a apoiar a integração do Brasil no Conselho de Segurança da ONU (esquema de 15 anos de transição sem direito a veto, junto com Índia e Alemanha) em troca de um impulso de Lula para isolar Chávez e levar à derrota política e moral a revolução venezuelana.

Este é o sentido maior desta viagem de Bush que visita Brasil, Uruguai, Chile e Colômbia, ou seja, os governos mais alinhados com ele e mais dispostos a enfrentar Chávez e secundariamente Evo.

Bush está num inferno astral depois de ter colocado no inferno metade da população do planeta. Sua aventura iraquiana está num beco sem saída. Não pode ganhar a guerra e não pode sair correndo ao mesmo tempo em que aumenta a oposição à guerra nos EUA. Na última manifestação, em 10 de fevereiro, havia 500 mil pessoas em Washington. As eleições disseram claro: Saiam do Iraque, voltem para casa. Um primeiro oficial se recusou a embarcar declarando a guerra ilegal e imoral. Os sindicatos e a AFL-CIO estão mobilizando milhões de trabalhadores. A situação interna mostra que Bush está liquidado politicamente. Grandes setores da burguesia norte-americana estão fartos da aventura irresponsável e não querem aprofundar as perdas. A burguesia gosta de vitórias e não perdoa as derrotas.

Para tentar sair da enrascada, Bush e sua equipe ensandecida estão tentando criar as condições para montar outra guerra para refazer a união nacional. Desta vez é o Irã que recebe ameaças de bombardeio, já que uma invasão terrestre seria um desastre maior que o do Iraque.

Mas, o Irã tirou as lições da situação atual: Sem armas e enfraquecido por anos de boicote e sanções, o Iraque foi destroçado. A Coréia do Norte, entretanto, ameaça com bombas e obtém acordos comerciais e etc. Óbvio que é melhor ter as armas nucleares, é o que decidiu o governo iraniano. Um ataque de Bush ao Irã convulsionaria o Oriente Médio e lançaria imensas massas nas ruas dos EUA. Os Democratas teriam que travar isto no Congresso ou se desmoralizar juntos. Bush poderia provocar uma convulsão social, e isto os bancos e as multinacionais não estão dispostos a suportar.

Por isso a vinda de Bush ao Brasil tem tanta importância. Pode ser seu grande trunfo político o isolamento da Venezuela e a retomada da iniciativa política do imperialismo nas Américas. Mas isso depende de Lula. E Lula, que já tomou um tranco no primeiro turno, agora deverá outra vez decidir o caminho que vai trilhar. Chávez disse a Kirchner que mandava para Lula um pote de enxofre para afastar Bush. Lula pode acompanhar Bush, levar todo o ministério para uma reunião em Washington em maio ou junho, como está cogitado, e trilhar o caminho do inferno enfrentando a classe trabalhadora brasileira e internacional. Ou pode, o que é sua responsabilidade, recusar o cálice tinto de sangue e unir-se com as lutas dos povos contra o imperialismo. Começando por romper com este Governo de Coalizão com o PMDB, PP, PTB, PL, etc., anulando a Dívida Pública e atendendo as reivindicações populares.

Fora Bush! Abaixo o imperialismo!

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