O que é a Esquerda Marxista do PT

O III Congresso do PT está atravessado pelo dilema de afirmar que partido é o PT e que programa deve aplicar. Nossa Tese já conquistou centenas de apoiadores, inclusive em muitos estados onde não tínhamos contatos. Seremos milhares até o III Congresso.

Em 1980, a questão central no Brasil era a constituição de um partido da classe trabalhadora que separasse politicamente o proletariado da burguesia. A questão hoje é outra. Engels explicou isso claramente numa Carta ao seu amigo Sorge:

“O primeiro grande passo a ser dado em todos os países que tenham recentemente entrado em movimento é a constituição dos operários em partido político independente, não importando como, mas bastando somente que ele seja um partido operário distinto. Esse passo foi dado antes do que esperávamos, e isso é o mais importante. Que o primeiro programa desse partido seja confuso e dos mais incompletos, isto é um inconveniente inevitável, mas, no entanto, passageiro. As massas devem ter tempo e oportunidade de se desenvolver, e esta oportunidade elas terão no momento em que possuírem um movimento próprio, onde serão impulsionadas pelos seus próprios erros, tornando-se sábias às suas próprias custas. O movimento a que assistimos hoje na América se encontra no mesmo estágio daquele existente em nosso país antes de 1848; as pessoas realmente inteligentes exercerão inicialmente o papel que antes de 1848 exercia a Liga dos Comunistas entre os grupos operários…. Mas é justamente agora que seria duplamente necessário que houvesse de nosso lado dois ou três homens bem afiados sobre a teoria e a tática, longamente experimentado (…) Se existem combatentes teoricamente lúcidos que possam predizer-lhes as conseqüências de seus próprios erros, mostrando-lhes claramente que todo movimento que não mantém o olho fixo na abolição do trabalho assalariado como objetivo final, fatalmente se perde e fracassa, então mais de uma insanidade poderá ser evitada e o processo poderá ser bastante abreviado”.

Eis como Engels entendia a necessidade de constituição de partidos operários independentes como primeiro passo. Mas, Engels nunca perdeu de vista o objetivo da construção do partido revolucionário marxista. Sem tal partido, que ganhe a maioria da classe operária para a revolução socialista, não haverá vitória duradoura. Por isto, a Esquerda Marxista nasce com uma política permanente de luta pela aliança operário e camponesa, pela Frente Única (unidade da classe e dos oprimidos contra o imperialismo) e se esforçando para unir e fazer avançar, ativa e programaticamente, todas forças do movimento operário que entram em um movimento real de ruptura com o capital e a burguesia.

O método para realizar esta tarefa é o marxismo. O terreno é o PT, que a classe reconhece como o seu partido. A luta de classes se encarregará de construir, e depois separar definitivamente, a ala revolucionária da ala oportunista do PT.

As tarefas da Esquerda Marxista do PT

Hoje, 27 anos após a constituição do Partido dos Trabalhadores, a primeira etapa deste processo já foi realizada no Brasil. Está absolutamente claro que o proletariado brasileiro, através da construção do PT, e depois através da CUT, conquistou um grande grau de consciência de classe e de defesa de seus próprios interesses. Por isso, a classe operária dos principais centros do Brasil votou maciçamente na legenda do PT e deixou desabarem muitos dos antigos campeões de voto ou estrelas do partido.

Uma lição já comprovada dezenas de vezes na história do movimento operário é que, enquanto as massas não tiverem outra possibilidade, uma alternativa real e não um partido auto-proclamado, ou seja, um verdadeiro partido com implantação na classe e influência de massas, elas continuam a votar no único partido que reconhecem como partido das classes trabalhadoras. Neste caso, o PT, apesar de toda política da direção do partido e do governo.

A desconfiança dos trabalhadores num 2º Governo Lula e a direitização crescente do governo faz nascer um governo de crise permanente. Tentando contornar isto, Lula constitui o “Governo de Coalizão” e aprofunda a tentativa de integrar as organizações operárias e populares ao aparelho de Estado para fazer passar sua política (Ex.: Fórum de Reforma da Previdência, etc).

Na história, as tentativas de constituir governos de harmonia entre capital e trabalho sempre terminaram como um desastre para o proletariado.

Este Governo de Coalizão, apoiado pela DS, AE, MPT, Fórum Socialista, TM, etc., vai aprofundar os choques contra os interesses da classe trabalhadora do campo e da cidade. Novas e grandes lutas de classes se avizinham.

Nossa tarefa é agir com a classe e preparar a elevação do nível de consciência dos trabalhadores para as grandes tarefas que nos esperam. E a ruptura do PT com os partidos burgueses (Governo de Coalizão) traria uma reativação enorme da luta de classes do proletariado e, portanto, de sua consciência política. E é nesta luta que vamos construir a Esquerda Marxista do PT, pois a largo prazo é isto que vai decidir toda a questão.

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