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O PT, o PED e o mal estar da civilização

Duas questões centrais marcam este PED. Uma é a extraordinária crise que varre o capitalismo internacional. A outra são as jornadas de junho que abalaram o Brasil. O pano de fundo é que começa a acabar o oxigênio que inflou o reformismo no PT e nos sindicatos nos últimos anos.
Este artigo foi escrito a pedido do Jornal Página 13, da Articulação de Esquerda, e publicado na sua edição nº 126, de novembro de 2013.

 

Este artigo foi escrito a pedido do Jornal Página 13, da Articulação de Esquerda, e publicado na sua edição nº 126, de novembro de 2013.

Duas questões centrais marcam este PED. Uma é a extraordinária crise que varre o capitalismo internacional. A outra são as jornadas de junho que abalaram o Brasil. O pano de fundo é que começa a acabar o oxigênio que inflou o reformismo no PT e nos sindicatos nos últimos anos.

Na Europa os índices de desemprego chegam a 30% em países como Espanha e Grécia.  Greves, manifestações e revoltas permanentes são o teatro da Europa hoje. Nos EUA, os mais pobres empobrecem mais e mais, os mais ricos enriquecem mais e mais, enquanto as condições de vida se deterioram. Na China a produção e o comércio vêm caindo e começam a estourar as bolhas promovidas pelos restauradores do capitalismo que entregaram de mãos e pés atados a China revolucionária e sua classe trabalhadora aos imperialistas de todo o planeta. No Oriente Médio a terceira revolução egípcia põe na rua 17 milhões em um só dia e leva os generais a se antecipar derrubando o odiado Morsi para salvar o edifício do Estado Burguês. Uma onda revolucionária varre o Oriente médio e se estende para a Ásia. Um profundo mal estar atingiu toda a civilização.

O Brasil também foi atingido pela crise internacional. E o governo federal aprofunda medidas iguais às da Europa e EUA que levaram à atual crise. E nenhuma máquina de propaganda enganosa vai mudar essa realidade.

Agora querem passar a fatura aos trabalhadores após endividarem o país e a maioria das famílias. Todos sabem como a distribuição de dinheiro aos capitalistas tem sido generosa através do BNDS, subsídios e desonerações fiscais.

O que o povo trabalhador e a juventude sentem no dia a dia, a piora nos transportes, na educação e na saúde, a falta de perspectiva, tudo tende a continuar e foi isso que tudo explodiu nas ruas em junho.

Após o ministro da Justiça oferecer tropas à Alckmin e a violenta repressão só ter ampliado as manifestações, um giro cínico se deu e todos passaram a “ouvir a voz das ruas” e tentar “responder aos seus anseios”. Mas, a resposta da direção do PT e do governo foi aprofundar a mesma política que causou tudo isso, e apontar a tal “Reforma Política”. Mas, continuam aliados de todos os inimigos do povo, os partidos capitalistas como PMDB, PP, PTB, PSD, PSB, PDT.  

Em 7 de setembro Dilma discursou: “Ainda este mês, vamos fazer novos leilões de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias. Esses leilões vão injetar bilhões e bilhões na economia, gerando centenas de milhares de empregos.
Vamos também leiloar, em outubro, um imenso campo de petróleo do pré-sal, o Campo de Libra. … ao longo dos últimos cem anos de exploração do petróleo no Brasil, acumulamos, de reservas, 15 bilhões de barris equivalentes de petróleo. Vejam vocês, só o Campo de Libra tem um potencial de reserva entre 8 a 12 bilhões de barris equivalentes de petróleo”.
Faltou falar das outras privatizações previstas.

Alguém pode culpar os jovens por não se sentirem representados por partidos? Eles estão cansados de ouvir uma coisa e ver os partidos fazerem outra quando chegam ao governo.

A tal “Reforma Política” não responde a nada disso. É uma proposta de estatizar os partidos e suas campanhas, ou seja, de atrelar todos os partidos ao aparelho de Estado Burguês definitivamente. Enquanto houver capitalismo, os capitalistas vão tentar controlar a política, pois sabem que o Estado é o Comitê Central dos negócios. E a corrupção é parte integrante deste sistema.

A resposta, única possível e realista, é começar a governar para as massas e  convocá-las para apoiar as medidas necessárias. A DNPT deveria fechar questão e determinar o cumprimento, por seus parlamentares e pelo pela presidenta da república, das seguintes medidas como resposta à “voz das ruas”:

1.       Ruptura de todas as alianças com os partidos do capital

2.       Fim de todas as privatizações

3.       Reestatização de tudo que foi privatizado

4.       Revogação da Reforma da Previdência feita por FHC e Lula

5.       Reestatização de todo o transporte coletivo público

6.       Estatização de todas as Universidades e Escolas que recebem dinheiro público

7.       Estatização da Rede de Saúde e de toda a indústria farmacêutica

8.       Estatização do Sistema Financeiro

9.       Estatização das multinacionais

10.   Reforma Agrária imediata

11.   Cancelamento das Dívidas Interna e Externa

12.   Planificação da economia para atender as reivindicações e satisfazer as necessidades populares

13.   Um Governo Socialista dos Trabalhadores, apoiado nas organizações dos trabalhadores da cidade e do campo

É isso que defendemos no PED. É uma virada que propomos. Nem remendos, nem reformas. Revolução.

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