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O papel das PMs e a violência contra manifestantes

A intensificação da luta de classes vem acompanhada da crescente criminalização e repressão aos movimentos sociais. As Polícias Militares cumprem um papel determinante na repressão.

A intensificação da luta de classes vem acompanhada da crescente criminalização e repressão aos movimentos sociais. As Polícias Militares cumprem um papel determinante na repressão.  Isso ficou evidente nas mobilizações de 2013 e, desde já, nas do início de 2014.

As PMs agrupam mais de 700 mil homens em todo o Brasil. É o grosso do braço armado do Estado. Sua função principal é proteger a propriedade privada e os interesses dos capitalistas.

O grau de truculência da polícia contra os manifestantes tem crescido. Em um ato ocorrido em São Paulo, no dia 25 de janeiro, manifestantes que se abrigaram em um hotel foram espancados. Um deles, que teve o rosto inteiro machucado, três dentes quebrados, um coágulo na cabeça e traumatismo no maxilar, relata que um policial afirmou que “o mundo estava desse jeito por causa de pessoas como ele”. Este é o tipo de ideologia que colocam na cabeça dos policiais.

Logo após a mesma manifestação, um jovem que retornava do ato, levou dois tiros de policiais.  Eles alegaram legitima defesa, depois de terem sido “brutalmente ameaçados” com um estilete escolar.

A Polícia Militar é um problema. Mas para nós, a bandeira levantada por algumas organizações, de desmilitarização das PMs, é insuficiente. O objetivo e os métodos permanecerão, fundamentalmente, os mesmos, com uma policia civil responsável pelo policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública. Poderiam deixar de usar fardas, talvez a hierarquia tivesse outros nomes. Mas são mudanças que não afetam a natureza da instituição.

A Esquerda Marxista defende o fim das PMs. Esse aparato repressor cujo objetivo principal é manter os trabalhadores sob o controle da classe dominante.  A questão da segurança só pode encontrar solução sobre novas bases, uma nova sociedade, onde o povo organizado e armado controle os excessos individuais.

Vejamos como Lênin colocava essa questão em seu livro, O Estado e a Revolução: “Não somos utopistas e não negamos, de forma alguma, a possibilidade e a fatalidade de certos excessos individuais, como não negamos a necessidade de reprimir esses excessos. Mas, em primeiro lugar, não há para isso necessidade de um aparelho especial de pressão; o povo armado, por si mesmo, se encarregará dessa tarefa, tão simplesmente, tão facilmente, como uma multidão civilizada, na sociedade atual, aparta uma briga ou se opõe a um estupro. Sabemos, aliás, que a principal causa dos excessos que constituem as infrações às regras da vida social é a exploração das massas, condenadas à miséria, às privações. Uma vez suprimida essa causa principal, os próprios excessos começarão infalivelmente a “definhar” também. Não sabemos com que presteza, nem com que gradação, mas é certo que irão definhando. E o Estado desaparecerá com eles.”

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