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O oportunismo eleitoral domina a cena

Dos partidos burgueses, passando pelo PT, até o PSOL e PSTU, ninguém escapa! Nossa resposta é combater para agrupar no interior do PT, na juventude, nas fábricas, os que continuam fiéis à luta da classe trabalhadora!

Um mês depois do início da Campanha eleitoral na TV e rádio, as máquinas eleitorais milionárias e o tempo de cada candidato na TV se impuseram. As candidaturas mais ricas e com maior tempo de TV estão na frente em todas as grandes cidades. E provavelmente nunca se viu uma campanha tão despolitizada desde o fim da ditadura militar. Uma campanha eleitoral esterilizada em todos os seus aspectos, com raras e honrosas exceções. O povo trabalhador é obrigado a comparecer para votar e deve escolher entre o candidato que vai fazer mais pontes ou o que vai fazer novas avenidas ou ainda no que vai colocar internet sem fio de graça em toda a cidade.

Como todos estão basicamente de acordo na defesa da política econômica do governo e de defesa das instituições, estão também unidos para passar a idéia reacionária de que não há mais luta de classes, que as plataformas políticas são coisas do passado e que a única saída é a administração sensata e moderna do capitalismo, a “única sociedade realmente existente”.

A responsabilidade total por esta situação, esta regressão política e intelectual espantosa, é inteiramente da direção do PT e de Lula.

Para a burguesia, as campanhas eleitorais sempre foram momentos de grandes mistificações para “re-inflar” as suas podres instituições. Mas o fato do maior partido do país, um partido que surgiu das lutas da classe trabalhadora contra toda opressão e exploração, ter decidido fazer campanha eleitoral como Maluf e qualquer outro burguês, é uma ajuda inestimável para salvar os capitalistas.

Enquanto o sistema capitalista ameaça ruir em todo o mundo sobre seus próprios condutores, este assunto não existe na campanha eleitoral dos grandes partidos. A crise do capital, financeira e de superprodução, avança e já mostrou sua cara feia tomando a casa de mais de um milhão de famílias no mais rico país do mundo. Bush pratica o socialismo para os banqueiros e pede sacrifícios ao povo, enquanto Barack Obama e McCain se unem para salvar o sistema. Mas os candidatos a prefeito no Brasil não têm nada com isso. Afinal, Lula e Mantega garantiram que “o Brasil está blindado”.

Lula continua a gargantear irresponsavelmente que “a crise é do Bush” e que o “Brasil tem fundamentos sólidos”. E vai assoprando a bolha de crédito pessoal, corporativo e imobiliário, mostrando que é incapaz de aprender com os recentes acontecimentos mundiais. De fato, o governo não sabe o que fazer e continua a repetir os mesmos métodos e medidas aplicadas por anos pelos seus ídolos de Wall Street. De fato, Lula só se preocupa com sua própria popularidade na campanha eleitoral. Quem vai pagar as conseqüências disso é o povo.

Mas a política comanda tudo. E se ela desaparece na campanha, então a política que se impõe é a política da reação burguesa. Em BH, o tucano-petista Pimentel, apoiado por Lula, e com o silêncio da direção nacional do PT, destruiu o partido para bancar a aliança com Aécio e ter um multimilionário, Marcio Lacerda, como candidato. Os candidatos do PCdoB que pela primeira vez na história surgiam em muito boa posição em todas as grandes cidades, assim que puseram a cara e a política na TV desabaram. Afinal, por que os que desejam votar na esquerda, em BH, iriam votar na candidata que tem o vice-presidente José de Alencar, o maior empresário de MG, como principal cabo eleitoral e defende as mesmas coisas que o candidato de Aécio, o Márcio Lacerda?

O PSOL, por seu lado, também mostra sua cara eleitoreira e sem princípios. Está coligado com PDT, PV, PSDC, PMN e muitos mais. Luciana Genro, a revolucionária candidata a prefeita de Porto Alegre, aceita um “apoio” de R$100.000,00 da Gerdau, uma das maiores empresas do Brasil. Mas onde o PSOL se supera é em Contagem, MG. Nesta cidade proletária de enorme concentração metalúrgica, o PSOL faz campanha denunciando que a atual prefeita do PT “contrata gente de fora de Contagem”. E nomeia todos os “invasores” de outros estados contratados pela prefeitura. O conteúdo desta política é a mesma do prefeito de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia que denuncia os índios “invasores” do altiplano. E o PSTU, bem, o PSTU escolheu criar uma “Frente de Esquerda” com o PSOL dos frente-populistas Heloísa Helena e Ivan Valente que estão coligados com PDT, PV, PSDC, PMN e outros!

Nesta difícil situação é que os candidatos da Esquerda Marxista nestas eleições combatem para reagrupar no interior do PT, na classe operária e na juventude, todos os que continuam fiéis à classe trabalhadora e centram sua campanha na reafirmação da luta de classes, na defesa das reivindicações populares e na luta pelo socialismo. É por isso que em plena campanha a Esquerda Marxista tem realizado diversas atividades de formação política e teórica reunindo a base de suas candidaturas e mesmo inúmeros outros candidatos combativos. A batalha dos marxistas nada pode ter a ver com o vulgar eleitoralismo que tomou conta dos corações e mentes dos dirigentes que falam em socialismo só em dias de festa. E uma demonstração do acerto desta política e deste método é que, mesmo com recursos muito inferiores aos dos adversários, todas as candidaturas da Esquerda Marxista assumiram forte expressão nestas eleições.

Sites de algumas candidaturas da Esquerda Marxista:

Caieiras, Miranda: www.miranda13.can.br
Florianópolis, Charles: www.charlespires13413.can.br
Bauru, Roque: www.roque13613.can.br
Joinville, Mariano: www.adilsonmariano13670.can.br

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