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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O museu queimado, as verbas e a barbárie

Sobem aos céus do Rio de Janeiro as cinzas do quinto maior museu do mundo em itens de acervo, com mais de 20 milhões. Agora todos se acusam, o governo atual e o PT de Dilma, e a discussão vai se espalhar com todos querendo tirar uma lasquinha das ruínas do museu. O corte de verbas em educação, ciência e tecnologia começou no governo Dilma e ampliou-se no governo Temer. Isso sem contar que, durante os anos de governo FHC e Lula, mesmo com todos os novos códigos de combate ao incêndio, nada foi feito para modernizar esse prédio e outros museus.

Todos lembram agora outros acervos que foram queimados por esse corte, que atende pelo nome de “austeridade fiscal”. Mas esse é apenas um dos aspectos da barbárie capitalista que vem destruindo tudo: quem se lembra do supercomputador que o Brasil possuía e que foi desligado por falta de verbas? Que o computador que fornece internet para praticamente todas as instituições de pesquisa e metade do governo do Rio de Janeiro, no ano passado, para continuar a funcionar, por falta de verbas para consertar o ar condicionado, teve as paredes da sala onde funcionava quebradas pelos técnicos para entrar ar?

No berço da humanidade

As imagens chocaram o mundo: o diretor de pesquisa da cidade histórica de Palmira foi morto pelo Estado Islâmico, que logo depois destruiu a cidade, assim como mais treze sítios arqueológicos, inclusive a biblioteca de Mossul, junto com milhares de documentos históricos árabes. Mas, sem alarde e escondendo suas ações, as tropas dos EUA saquearam os museus do Iraque quando invadiram o país e os museus e as coleções particulares foram inundados com peças vindas desse saque.

Novidade? Se o capitalismo preservou algo da história da humanidade, essa preservação se deveu inicialmente a ricos investidores que procuravam ouro e tesouros escondidos e descobriram que podiam vender ou exibir esqueletos históricos e obras de arte antigas. A luta entre pesquisadores e investidores existiu desde o início dessa exploração. A trágica cena dos funcionários querendo entrar no Museu Nacional no Rio para tentar salvar algo do incêndio enquanto faltava água nos hidrantes é a imagem recorrente de pesquisadores que tentam salvar a história e a ciência da sanha destruidora do capital.

Na antiguidade clássica e depois sob o domínio feudal dos árabes, a biblioteca de Alexandria foi tão atacada que hoje nada sobrou do seu acervo ou inclusive de sua localização. Só se conhece a sua existência pelos relatos históricos. Hoje, o capital em sua sanha destruidora pode fazer o mesmo com boa parte da história da humanidade. O que acontece no Oriente Médio e no Brasil é apenas uma pequena parte da tragédia, que é a continuidade da existência deste sistema em que o lucro é mais importante que a ciência e a cultura.

É preciso combater!

Precisamos combater para preservar a ciência e a cultura. Nada poderá ser feito caso se mantenha a “austeridade fiscal” que vem de FHC, passando por Lula, Dilma e Temer. A primeira coisa que reivindicamos é dinheiro para saúde, transporte, educação, ciência, cultura e tecnologia, não ao pagamento da dívida interna e externa!

É intolerável o cinismo dos que hoje, como o Estado de São Paulo ou O Globo, reclamam da não participação dos empresários e da “comunidade” na preservação desses monumentos. Faltam verbas para os museus justamente porque esses grandes grupos empresariais não pagam impostos e têm imensas isenções, enquanto o dinheiro que entra é usado para pagar a dívida.

Para salvar a cultura, para salvar os museus e a ciência, é necessário acabar com o capitalismo! Junte-se a nós nesta luta!

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