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O lastimável fato da intervenção na Cipla

Carlos Castro
Foi demitido, como outros, pelo interventor. Castro era membro eleito pelos trabalhadores como dirigente na Comissão de Fábrica da Cipla
No último dia 31 de maio (ontem) fez cinco anos que ocorreu um fato lamentável em Joinville: a intervenção militarizada na Cipla e Interfibra garantida por dezenas de policiais federais fortemente armados. É importante compreender os motivos desse absurdo.
Desde 1992 as empresas não recolhiam impostos e encargos trabalhistas. Essa situação levou os trabalhadores da Cipla a uma paralisação espontânea em janeiro de 2002 que culminou com mais de cem demissões por justa causa. Como retaliação, a direção da empresa passou a pagar aos empregados míseros R$ 30,00 a R$ 50,00 por semana.

Para reverter o quadro humilhante , em 31 de outubro de 2002, os mil operários da Cipla e Interfibra disseram não aos patrões e ocuparam as fábricas após uma greve de oito dias. O controle operacional e administrativo era feito por uma Comissão de Fábrica eleita com representação de todos os setores das fábricas.  As empresas estavam na iminência de fechar as portas. A divida patronal ultrapassava os R$ 500 milhões. A atitude ousada dos trabalhadores impediu que as fábricas se tornassem um cemitério de postos de trabalho, como já havia ocorrido a outras indústrias de Joinville.
A administração operária reduziu a jornada de trabalho para 40 horas e em dezembro de 2006 para 30 horas semanais. Isso foi insuportável para a burguesia local e nacional. Segundo eles, vai que a moda pega? Afinal, o Movimento das Fábricas Ocupadas ajudou a espalhar a moda ocupando 37 fabricas pelo Brasil e se relacionou com o movimento de recuperação de fabricas pelos trabalhadores de toda a América Latina.
Foi o presidente nacional da Associação Brasileira das Indústrias de Plástico, Meheg Cachum, e o Presidente da FIESP, Paulo Skaf, os articuladores junto ao governo federal a pressionar pela intervenção, através de um documento lançado em 01 de maio de 2007 que exigia uma solução imediata do Governo Lula e atacava a relação comercial existente entre a Cipla e o governo venezuelano de Hugo Chávez.
A solução veio com a intervenção judicial federal que fez a “caça as bruxas” com todo o tipo de calunia contra os membros da Comissão de Fábrica.  A Cipla que tinha em torno de mil trabalhadores, hoje não chega ao número de 300. A mesma Justiça Federal, quatro anos depois, suspendeu a Intervenção devido ao não recolhimento dos tributos por parte do interventor. Porém, a Justiça Estadual assumiu politicamente a manutenção do interventor.
Nossa singela homenagem aos combativos guerreiros operários da Cipla e Interfibra que ousaram e deixaram na memória da cidade uma história que jamais será esquecida por mais que tentem distorcê-la.
No youtube há um documentário que conta essa história: clique aqui

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2 Comentários

  1. Perfeito, Castro. Porque como encerra Serge Goulart, no documentário "Intervenção", durante a atividade da Tirem as Mãos da Venezuela, realizada na ALESP em 31 de maio de 2008,

    "Eles se engaram, companheiros. O Lula se enganou. O Paulo Skap, presidente da Fiesp, se enganou. O Juiz que, a mando do governo federal, decretou a intervenção se enganou. A Polícia Federal que fez o serviço sujo se enganou. Porque eles não liquidaram o Movimento das Fábricas Ocupadas, apenas nos deram uma bandeira imortal de luta da classe trabalhadora contra opressão e exploração. Por que as fábricas eles puderam tirar dos trabalhadores, mas a bandeira eles não puderam arrancar de nossas mãoes, e ela flutua mais alto desde então"

  2. Perfeito, Castro. Porque como encerra Serge Goulart, no documentário "Intervenção", durante a atividade da Tirem as Mãos da Venezuela, realizada na ALESP em 31 de maio de 2008,

    "Eles se engaram, companheiros. O Lula se enganou. O Paulo Skap, presidente da Fiesp, se enganou. O Juiz que, a mando do governo federal, decretou a intervenção se enganou. A Polícia Federal que fez o serviço sujo se enganou. Porque eles não liquidaram o Movimento das Fábricas Ocupadas, apenas nos deram uma bandeira imortal de luta da classe trabalhadora contra opressão e exploração. Por que as fábricas eles puderam tirar dos trabalhadores, mas a bandeira eles não puderam arrancar de nossas mãoes, e ela flutua mais alto desde então"