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O governo privatizou os aeroportos e agora quer desonerar ainda mais a folha de pagamentos




Guido Mantega, ministro da presidente Dilma, na semana passada anunciou que poderá desonerar a folha de pagamentos para todos os ramos da indústria. Isso vai significar que o governo vai bancar a parte do INSS que seria paga pelos empresários. Mas como o dinheiro do governo é dinheiro dos trabalhadores e do povão que paga impostos, o governo banca a mamata para os patrões com nosso dinheiro.

A Esquerda Marxista no editorial de seu jornal Luta de Classes, edição 43, o qual reproduzimos abaixo, já apontava que medidas duras viriam. O governo Dilma está cada vez mais virando as costas aos que a elegeram e se coloca mais e mais ao lado dos empresários. Diante disso a CUT está chamada a ir para a luta e de fato mobilizar os trabalhadores.


Se por um lado a direção de nossa central acertou ao declarar-se por uma jornada de lutas no mês de março, o que vimos é que tal jornada não existiu. A CUT, até agora, não saiu do terreno das declarações, pois encantada está com o canto de sereia das negociações tripartites com os empresários e governo.  


Se a CUT de fato arregaçar as mangas e organizar a mobilização pela base, ai sim os patrões e o governo terão que ouvir os trabalhadores. Enquanto permanecer presa ao engodo de ajudar os patrões e o governo de colaboração de classes a luta não avançará e eles continuarão a meter a mão em nossos direitos e conquistas.

Editorial do Jornal Luta de Classes 43

Hoje, quando a crise do capitalismo está causando cada vez maiores danos na vida dos trabalhadores Europeus, os governos capitalistas e reformistas, avançam e prepararam novos ataques aos direitos da classe operária.

A gravidade da situação na Europa e nos EUA, com taxas de desemprego altíssimas, com os problemas sociais alcançando níveis insuportáveis, o imperialismo aumenta sua pressão sobre os governos para que estes apliquem a linha do estado mínimo, ou seja, se eximam da responsabilidade para com os pobres e reforcem as medidas para salvar os capitalistas.

Na verdade todos os esforços que os capitalistas fizeram para tentar parar o estado de ânimo dos trabalhadores na Grécia, Portugal, Itália e Espanha, dentre outros, não foram suficientes para disciplinar e acalmar os trabalhadores e a juventude. Os confrontos entre os trabalhadores e as forças de repressão da burguesia têm sido cada vez mais violentos. As direções sindicais e dos partidos ditos de esquerda, especialmente na Grécia, se recusam a chamar uma greve geral por tempo indeterminado para derrubar o governo.

Nesse contexto, vários governos já estão realizando uma verdadeira guerra contra a classe operária que resiste duramente às investidas dos capitalistas e dos governos disfarçados ou não de progressistas.

No Brasil com a vitória da aliança de classes do PT com os partidos da burguesia, o chamado governo de coalizão iniciado em 2002, abriu então uma nova fase: um ex- -operário foi eleito presidente com respaldo dos trabalhadores que investiram pesadamente para que outra política fosse aplicada, uma política diferente da aplicada por aqueles governos que por aqui passaram.

Com a chegada da crise de 2008, muito foi dito sobre o tema. Vários governos diziam que ela não iria atravessar o oceano, que ela era uma marolinha e que o Brasil estava preparado para enfrentá-la se aqui ela chegasse. O governo Lula aplicou o mesmo remédio que os seus antecessores, continuou privatizando as estradas, reduziu o orçamento do estado em áreas sensíveis para a população, isentou o IPI para a linha branca, aumentou o crédito e criou o empréstimo consignado com a velha desculpa que era para fortalecer a economia interna, garantir os empregos e continuar crescendo. Criou a bolha de crédito, os banqueiros aplaudiram, novos empregos foram criados e a crise foi empurrada para frente.

Os levantes populares que estão acontecendo nos países árabes e na Europa têm deixado os capitalistas e o próprio imperialismo norteamericano ainda mais preocupados. A resistência dos trabalhadores contra as medidas que são aplicadas pelos governos obtêm deles apenas o aumento da repressão para tentar impedir que o movimento passe a se colocar abertamente contra o capital. Repressão no Chile, na Grécia, na Espanha e nos EUA, mais e mais interferência do imperialismo nos governos de cada país. 

Com o governo Dilma/Temer, estamos vivenciando fatos inusitados

Dilma, que antes atacava Serra por privatizar, usa a mesma receita e privatiza três aeroportos em nome da modernidade e da garantia de uma boa infraestrutura para a Copa do Mundo. Injeta dinheiro do BNDES para financiar as privatizações (90% dos recursos) e diz que não tem dinheiro para dar reajuste aos PMs que entraram em greve. Mentira deslavada. Deu dinheiro público para a iniciativa privada com o prazo de 30 anos para os empresários pagarem, e mais, a presidente, o governo e seus parlamentares burgueses, seus ministros, cortaram do Orçamento da União 55 bilhões de reais, sendo 1,95 bilhões na educação, 5,4 bilhões na saúde e 1,97 bilhões nos transportes. 

Quais os argumentos? A necessidade de resguardar o país frente a crise econômica mundial, ou seja, para aplicar aqui os mesmos remédios que estão sendo aplicados na Grécia.

O que fazer?

Na carta que enviamos em fevereiro aos assinantes do Jornal Luta de Classes, militantes e simpatizantes da Esquerda Marxista, afirmamos: “O centro da batalha dos marxistas é a sua autoconstrução. Por isso, pedimos aos nossos leitores e simpatizantes para que continuem a prestigiar a imprensa marxista, a colaborar financeiramente com nossa construção, a integrar nossas fileiras, para juntos construirmos o imenso edifício necessário para assegurar a vitória da revolução no Brasil e no mundo (…). Junte-se a nós na luta pelo fim do regime da propriedade privada dos grandes meios de produção, na luta pelo socialismo por sobre os escombros desta velha sociedade, com conquistas, erigiremos um mundo de paz, felicidade e verdadeiro progresso social e humano”.

Vamos nos juntar à jornada de luta chamada pela CUT para o mês de Março e exigiremos que Dilma rompa a aliança com a burguesia para poder de fato preparar o país contra a crise: nacionalizando os grandes bancos, as empresas privatizadas e comércio exterior, fazendo a reforma agrária e rompendo com o imperialismo.

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