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O Estado burguês e a repressão

O Governo do Rio de Janeiro acabou de criar, por decreto, um batalhão da PM especializado em “manifestações”. O objetivo é enfrentar a nova situação criada pelas jornadas de junho de 2013. A PM de São Paulo, menos “filosófica” e mais “prática” comprou caminhões equipados com canhões de agua e tinta para dispersar manifestações e também para marcar os manifestantes com tinta, permitindo uma detenção posterior.

O Ministério da Justiça, por sua vez, prepara uma legislação que permita levar ao local da manifestação juízes, promotores, defensores públicos e delegados de polícia de forma a que exista todo o aparato judicial que torne as detenções legais e, se possível, já remetam os manifestantes direto para as prisões.

Qual o objetivo? Preparar-se para a Copa, aonde estão previstas manifestações? Sim, é verdade, mas mais que isso, o objetivo é adaptar o aparato repressivo aos novos tempos. Depois de anos sem manifestações de massa as “autoridades” assustaram-se com as jornadas de junho do ano passado. E procuram adaptar-se aos novos tempos, renovando o aparato repressivo e melhorando o aparato legal que permita, “democraticamente”, reprimir sem “ferir” a legislação vigente.

O fundo da questão é que a direção do PT e seu governo de colaboração de classes com a burguesia caminham do “Lulinha paz e amor”, que pretendia agradar a todas as classes sociais enquanto garantia o capitalismo, para o “Dilminha privatiza, prende e arrebenta” na situação em que a crise econômica mundial continua atingindo o Brasil, a insatisfação das massas aumenta e os dólares começam a migrar para os EUA outra vez. O BC acaba de informar que “O fluxo cambial, entrada e saída de moeda estrangeira do país, registrou déficit de 12,261 bilhões de dólares em 2013, o pior resultado em mais de uma década … (OESP, 09/01/2014).

É assim que Dilma vai responder às “vozes das ruas”. Preparando-se para calá-las e amordaçá-las. Os trabalhadores sabem que este aparato repressivo, uma vez montado, vai também ser usado nas greves e manifestações de trabalhadores. Afinal, se existe o aparato, porque só usá-lo contra os jovens que pedem que as passagens sejam congeladas e que o dinheiro da Copa seja usado para saúde e educação?

E quando as grandes reivindicações que fizeram a grandeza do PT e da CUT retornarem às ruas nas mãos dos trabalhadores e dos sindicatos?

É o aparato para este momento que está sendo reorganizado agora.

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