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O ENEM e a glorificação da escravidão

 

Tornou-se moda – e mais do que moda, lei – o ensino da cultura africana no Brasil. Muito interessante. Mas, como esta cultura influenciou o Brasil e como ela chegou aqui? É evidente que em toda reinvenção da história, alguns fatos básicos têm mais dificuldade de serem modificados, assim, é preciso assumir que os africanos chegaram aqui por vontade de outrem, qual seja, da necessidade do capitalismo ter uma mão de obra barata que produzisse em escala com baixo custo de reprodução. Em outras palavras, através da escravidão cuja mão de obra era reproduzida pelo puro esvaziamento e saque da África.

Tornou-se moda – e mais do que moda, lei – o ensino da cultura africana no Brasil. Muito interessante. Mas, como esta cultura influenciou o Brasil e como ela chegou aqui? É evidente que em toda reinvenção da história, alguns fatos básicos têm mais dificuldade de serem modificados, assim, é preciso assumir que os africanos chegaram aqui por vontade de outrem, qual seja, da necessidade do capitalismo ter uma mão de obra barata que produzisse em escala com baixo custo de reprodução. Em outras palavras, através da escravidão cuja mão de obra era reproduzida pelo puro esvaziamento e saque da África.

Claro que sempre é possível substituir a palavra e o conceito “capitalismo” pelo conceito mais simples de “europeu”, escondendo a luta de classes na Europa e fazendo dos capitalistas não o representante de um sistema econômico, mas de uma “raça” que é preciso combater. No ENEN, isso é claro em algumas questões. Mas, mais que isso, para conseguir “glorificar” e “enaltecer” a raça negra, é necessário “ver” que a escravidão ao invés de um sistema que esvaziou e embruteceu a África, que a despojou de suas forças vitais, a começar do seu próprio povo, foi algo “positivo” que permitiu a transposição de sua cultura para o Brasil, ainda antes que a cultura “europeia”.

Vejamos o que diz a questão 9 do ENEM 2012 e sua resposta:

A resposta é de uma clareza sem par: a escravidão levou a formação de uma identidade afro-brasileira! Que bonito isso! Escondido por baixo da defesa da cultura afro, cultura afro-brasileira, encontra-se pura e simplesmente a defesa do escravismo, que este foi o construtor de uma cultura e não o destruidor de uma série de nações e povos africanos! O que sobreviveu da cultura africana aqui – a feijoada, a capoeira, algumas religiões e o sincretismo religioso na igreja católica (particularmente na Bahia) – não podem e nunca valerão o preço da escravidão.

Aliás, para não deixar barato no que constituiu este “sincretismo” religioso, a questão seguinte mostra muito bem como os defensores do racialismo enxergam esta questão (numero 30 da prova):

 

Sim, o sincretismo religioso serve para “harmonizar” as relações sociais entre escravos e senhores, nesta ordem, para deixar claro que os escravos tinham a primazia nesta relação! Bela relação, bela vida! Ah que saudades de um poeta que um dia cantou de forma precisa o que representava a escravidão:

Era um sonho dantesco… o tombadilho  

Que das luzernas avermelha o brilho.

Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros… estalar de açoite…  

Legiões de homens negros como a noite,

Horrendos a dançar…

Negras mulheres, suspendendo às tetas 

Magras crianças, cujas bocas pretas 

Rega o sangue das mães: 

Outras moças, mas nuas e espantadas,

No turbilhão de espectros arrastadas,

Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente…

E da ronda fantástica a serpente 

Faz doudas espirais …

Se o velho arqueja, se no chão resvala, 

Ouvem-se gritos… o chicote estala. 

E voam mais e mais…

Presa nos elos de uma só cadeia,

A multidão faminta cambaleia,

E chora e dança ali!

Um de raiva delira, outro enlouquece,

Outro, que martírios embrutece,

Cantando, geme e ri!

Esta foi um crime do capitalismo e se hoje os ditos defensores das cotas raciais, os racialistas de plantão aceitam e admiram tal fato, os marxistas não perdoam os verdadeiros culpados: o capitalismo e a exploração do homem pelo homem! Os racialistas pedem cotas e “reparações”. Os racialistas querem o reconhecimento da cultura afro-brasileira! Nós queremos o fim do capitalismo e a construção de uma nova cultura que unifique a humanidade e no dizer de Maiakovisk as palavras “fome”, “miséria” e “exploração” se tornem fósseis que só têm sua existência nos dicionários históricos.

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