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O desastre da abstenção do PSOE resssalta a possibilidade de UNIDOS-PODEMOS se tornar uma alternativa de esquerda

Impasse espanhol encontra saída com PSOE abrindo espaço para a formação de um governo abertamente burguês.

Foto: Pedro Sánchez não conseguiu manter o controle do PSOE, diante da pressão burguesa para que o partido permitisse um governo de Mariano Rajoy

Mariano Rajoy (PP) se reelegeu para primeiro ministro neste 29 de outubro e governará com maioria no parlamento espanhol, fato impossibilitado nas eleições anteriores de dezembro de 2015 e junho de 2016. Com isso, abre-se um governo que levará a cabo a política de austeridade, colocando-a nas costas da classe trabalhadora e da juventude.

Exatamente no dia da investidura (nomeação ao cargo) de Rajoy, milhares protestaram em Madri, especificamente na Praça Puerta Del Sol, relembrando o palco principal dos protestos do Movimento dos Indignados. Demonstraram que haverá uma forte resistência dos que lutam contra o sistema submisso às vontades da Troika.

Rajoy foi eleito com apenas 170 votos dos 350 deputados a partir de uma coalizão que incluiu o seu próprio partido (Partido Popular), Ciudadanos e a coalizão Canária. O principal motivo de sua eleição foram as 68 abstenções do PSOE. Para conseguir essa investidura, a burguesia precisou fraturar e desmoralizar PSOE, partido que governou durante 22 anos. Após essa abstenção, PSOE perde seu tradicional lugar no “bipartidarismo” do sistema eleitoral espanhol, ajudando no processo de instabilidade da situação política e além disso, possibilita que UNIDOS PODEMOS torne-se uma força de esquerda aglutinadora e de oposição. Ou seja, o que vemos é o processo em escala internacional da fragmentação de partidos referenciais da classe trabalhadora mas que conciliaram com a burguesia e rearranjo de novas organizações mais à esquerda que estão se desenvolvendo de uma forma ou de outra.

PSOE passa por sua pior crise. A política da ala mais à direita do PSOE recorreu a manobras e demitiu o secretário geral e principal porta-voz do partido, Pedro Sánchez.

Após as eleições europeias de maio de 2014, Sánchez aparece como uma aposta política de renovação frente a Susana Díaz, a candidata de maior confiança do aparato e de Felipe González (antigo secretário geral do PSOE). Manteve um discurso à esquerda da direção anterior, para competir com PODEMOS, seu papel devia ser transitório para dar lugar a Díaz depois do fracasso nas eleições de 20 de dezembro de 2015, quando o PSOE conseguiu o pior resultado eleitoral de sua história até o momento. O núcleo central do aparato havia apostado em facilitar um governo do PP, com o PSOE como opositor.

Pedro Sánchez ignorou o setor de Gonzalez ao se negar em facilitar o governo do PP (Rajoy) buscou um governo alternativo com Ciudadanos, pouco ou nada promissor. Além de aspirar à presidência do governo, Sánchez defendia os interesses de um setor do aparato que temia um processo de fragmentação do PSOE. Temiam que se o PSOE aparecesse facilitando um governo do PP, aceleraria seu declínio e a perda de privilégios e posições, sendo superado pelo PODEMOS.

Apesar de muitos dirigentes do PSOE declararem abertamente a abstenção dos votos para eleger Rajoy, Sánchez manteve-se firme com a aspiração da base militante do PSOE contrária a essa traição, mas essa política lhe custou a saída da secretária do partido. A direção do PSOE visava com essa saída facilitar a entrada da direita e conter um desgaste ou até mesmo uma revolta popular frente a mais uma convocação de eleições. Seu interesse foi o tempo todo em prol dos interesses da classe dominante e Sánchez foi visto como “carta fora do baralho” dentro do jogo.

A situação atual do PSOE expressa a falência do reformismo no atual período de crise e de declínio capitalista. Não há margem para uma política de  conciliação de classes. Isso deixa o PSOE realmente sem um espaço político diferenciado da direita, igualando-se a ela aos olhos das massas. A abstenção massiva mostra que o descrédito às eleições burguesas e suas instituições é cada vez maior. Vimos isso recentemente nas eleições municipais no Brasil.

Em contrapartida, há uma base de trabalhadores e da juventude descontente com o PSOE e outra que não votou em UNIDOS (Izquierda Unida)-PODEMOS devido ao discurso ambíguo e moderado dos dirigentes desses partidos. Nas últimas eleições em Junho de 2016, o resultado eleitoral foi menor para essa coalizão que em dezembro de 2015, ou seja, aos olhos das massas, não houve muita diferença entre um ou outro programa. A principal tarefa que UNIDOS-PODEMOS tem em mãos é reagrupar essa base. Mas para isso é necessário que o programa e a política seja de contrapor aos interesses da Troika, deve ser um programa que oriente claramente a classe trabalhadora, defendendo claramente o socialismo.

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