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O BRASIL “ÉTICO” DOS CANDIDATOS E O BRASIL REAL QUE “DESCONTRATA”

Os metalúrgicos da Volks decidiram suspender a greve. Segundo informes do sindicato, a empresa decidiu suspender as demissões anunciadas (1.800) e renegociar com o sindicato. Foi uma vitória (mesmo que parcial) da greve, da mobilização dos operários que parou totalmente a fábrica e começou a paralisar outras unidades. A empresa, entretanto, mantém a sua proposta de demissão e quer negociar um PDV. Os jornais noticiam que 3.500 metalúrgicos da matriz da Volks na Alemanha já aceitaram o PDV (Programa de Demissão Voluntária).

A situação no Brasil não está boa. Enquanto os principais candidatos discutem a “ética”, a “limpeza”, no Brasil real os trabalhadores não param de sofrer. Na Varig foram 9 mil demissões, com o governo assistindo a tudo de braços cruzados. “O mercado resolve”, declarou um ministro e o mercado resolveu: demitiu 9 mil trabalhadores e não pagou nem os direitos trabalhistas.

Agora, comentando a situação da Volks, Lula começa elogiando a Fiat, que “ganhou” mais mercado e fala sobre a Volks: “uma empresa contrata e descontrata”. Aliás, no mundo de hoje, as empresas “descontratam” mais que contratam.

E os trabalhadores? Esses estão tal qual dizia um humorista imitando um deputado em um programa de televisão: “O povo, tadinho do povo”.

De forma geral, todos reclamam que o Brasil cresce pouco. E que não são gerados os empregos. Mas qual a solução que se propõe para este problema? A isto, nenhum dos candidatos responde. Aliás, se a CUT dá toda a solidariedade aos trabalhadores, porque não exige que Lula aprove imediatamente a convenção 158 da OIT, que proíbe as demissões imotivadas?

O Presidente se finge de morto, Heloisa enrola, fala em baixar juros e controlar o movimento de capitais e Alckmin propõe destruir mais direitos. O povo? “Tadinho do povo”.

O caminho para os trabalhadores é duro. Mas precisa ser trilhado para que os direitos sejam defendidos, para que existam os empregos, para que as fábricas sejam mantidas.

É o caminho que trilharam os trabalhadores da Volks quando entraram em greve e conseguiram a suspensão das demissões. É o caminho que seguiram os trabalhadores da Cipla quando ocuparam a empresa e exigem a estatização. A nova assembleia da Volks (dia 12 de setembro) deve permitir que os trabalhadores encontrem os seus caminhos. A greve demonstrou mais uma vez como defender nossas conquistas e manter a esperança: com unidade, organização e luta. Mantendo a disposição de lutar pelos empregos, encontrarão em nós todo o apoio que pudermos dar.

Nós continuamos a nossa batalha para ajudar os trabalhadores, construindo os Núcleos Socialistas de Base, propondo que cada Núcleo discuta esta questão e busque formas concretas de apoio que poderão dar aos trabalhadores da Volks.

 

 

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